Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições3
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas9
    • Leitores989
    • Similares3
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Poemas e Ensaios - Edgar Allan Poe

    Edgar Allan Poe

    Editora Globo
    2009
    350 páginas
    11h 40m
    ISBN-13: 9788525047083
    Português Brasileiro
    4.1
    266 avaliações
    Leram530Lendo27Querem407Relendo5Abandonos20Resenhas9
    Favoritos16Desejados407Avaliaram266

    Poemas e ensaios, de Edgar Allan Poe, é um livro maior do que seu número de páginas indica. Além de reunir os principais poemas e ensaios de um dos principais nomes da modernidade, inclui um posfácio de Charles Baudelaire e conta com as consagradas traduções de Oscar Mendes e Milton Amado. A modernidade começa no Renascimento. Mas tem um recomeço no início do século XX, com o modernismo (ou melhor, com os modernismos). O modernismo, por usa vez, começa, de fato, na segunda metade do século XIX. E não tem apenas um começo, mas vários. O impressionismo. O romance realista. Na poesia, Rimbaud. Ou, talvez, Baudelaire. Ou, quem sabe, Mallarmé. Ou, ainda, Poe. Na verdade, Mallarmé (com suas inovações formais) é mais moderno que Baudelaire, que (com sua urbanidade) é mais moderno que Rimbaud. Mas num certo sentido muito preciso, o modernismo, ou a modernidade contemporânea, em poesia, começa com Poe (mas não só: ele é o inventor do conto policial, um dos gêneros modernos por excelência). Uma das marcas principais da modernidade poética é que, com o fim das formas fixas, a poeticidade de um texto deixa de ser definida a priori. Ninguém duvidaria de que um soneto é um poema. Mas o que dizer das digressões em longas frases não-metrificadas de um Withman? A arte moderna não pode mais ser simplesmente frequentada. Ela pede uma bula. O fenômeno é, portanto, universal. Na prosa, Joyce fornece ao Ulysses uma tabela em que sintetiza os capítulos, aponta seus estilos e faz uma relação com passagens da Odisseia. Eliot acrescenta notas a The waste land. Pound faz metalinguagem de vários modos nos Cantos, com passagens que parafraseiam ou traduzem outras passagens. E Poe escreve, de modo inaugural e magistral, A filosofia da composição, a fim de detalhar a forma como construiu seu poema mais justamente famoso, O corvo (ambos naturalmente neste volume). Pois a modernidade de Poe não se limita ao uso da metalinguagem. Ela implica - e se intensifica - na própria matéria do poema. Assim, o poema mais "romântico" da história é, na verdade, o menos romântico da literatura. Pois fruto, não da alma sensível do poeta, mas do controle das variáveis do poema. Sua construção começa pela escolha da letra ô, por ser a mais grave, não pela gravidade da dor do personagem. E foi num jogo construtivo de círculos concêntricos a partir do ô que Poe chegaria às demais variáveis do poema, formais, semânticas e narrativas. O corvo, por exemplo, foi primeiro pensado como um papagaio, pois Poe precisava de um ser falante, a fim de concretizar para o personagem a gravidade sonora do ô (que levou à gravidade ominosa da palavra-estribilho nevermore ), sem poder, porém, introduzir outra pessoa, para sustentar a programada solidão extrema da cena. Na síntese de Baudelaire no "Posfácio", "Poe se apresenta sob três aspectos: crítico, poeta e romancista" (os dois primeiros plenamente representados no volume, que conta também, entre outros, com os ensaios "O princípio poético" e "Análise racional do verso"). Ao ser poeta e crítico, na verdade, um poeta-crítico, faz uma poesia crítica, i. é, analiticamente concebida. Se isto não extingue a "inspiração" poética, que jamais existiu, elimina os mitos sobre o trabalho criativo (que existiu sempre) e o sistematiza. Crítica (que tem a mesma raiz de crise), análise, construção, transparência. Numa palavra, modernidade.

    Edições (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover

    Similares (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (9)Ver mais
    Régis Maz picture
    Régis Maz23/06/2022Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Poemas e Ensaios

    O que posso dizer? É Poe... E a morte está presente em cada poema desse livro. O terceiro poema: Al Aaraaf me encantou sobremaneira. Viajei com ele pela cidade do pós morte e me senti parte de algum modo daquela jornada. "Oh! nada de terrestre além da luz do olhar (que em cada flor se reproduz) da Beleza, tal como em jardins, onde o dia de gemas circassianas se desata;" Todos os poemas são maravilhosos, em especial O Corvo, que já li mil vezes e não canso de reler. Com a tradução de Milton Amado, sinto o desalento do estudante diante do lembrar e o desejo de esquecer. A fantasia se apresenta de forma mais tangível, e o medo se mostra presente de uma maneira mais angustiante. "A seda rubra da cortina arfava em lúgubre surdina, Arrepiando-me e evocando ignotos medos sepulcrais. De susto, em pávida arritmia, o coração veloz batia E a sossegá-lo eu repetia: “É um visitante e pede abrigo. Chegando tarde, algum amigo está a bater e pede abrigo. É apenas isso e nada mais.”" Tem também Um Sonho num Sonho, que descreve soberbamente a efemeridade da vida. "Oh, Deus, não posso salvar Um só das ondas do mar?" Os ensaios foram instrutivos, e gostei muito de Eureka - Ensaio sobre o universo material e espiritual, onde ele até faz algumas previsões, antecipando algumas das teorias modernas da cosmologia, incluindo o Big Bang. Mostrando ser um grande pensador. Poe me cativou com seus contos, e agora com seus ensaios e poemas, me fazendo mais uma entre seus inúmeros admiradores. Recomendo a leitura.

    85 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 266
    • 5 estrelas44%
    • 4 estrelas30%
    • 3 estrelas19%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas2%