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    Horror Noire: A Representação Negra no Cinema de Terror -

    Robin R. Means Coleman

    DarkSide Books
    2019
    464 páginas
    15h 28m
    ISBN-13: 9788594541819
    Português Brasileiro
    4.3
    237 avaliações
    Leram287Lendo65Querem907Relendo2Abandonos18Resenhas33
    Favoritos31Desejados907Avaliaram237

    Desde que Ben colocou ordem na casa em A Noite dos Mortos-Vivos (1968), de George A. Romero, ver um personagem negro como herói nos filmes de terror se mostrou possível — e pra lá de necessário. A Noite dos Mortos-Vivos é um clássico cult agora, e foi uma das maiores contribuições de Romero para o gênero e para a mídia, contudo, já se passaram cinquenta anos desde que o filme exigiu que nos perguntássemos o que era mais assustador: zumbis comedores de carne, ou aquilo que fazemos uns com os outros diariamente? O terror, como gênero que desafia limites, tem sido um lugar para análises provocativas de racialismo e racismo bem como alternativas na cultura popular estadunidense. E muito se tem pesquisado e escrito sobre a história dos negros no cinema, mas até agora sua presença — ou ausência — nos filmes de terror tem sido relegada a um único capítulo ou a várias notas de rodapé. Para contribuir com a narração histórica da negritude no cinema de gênero, a Dra. Robin R. Means Coleman — professora norte-americana nascida e criada na mesma cidade que Romero e Tom Savini — desenvolveu uma pesquisa profunda com a análise das imagens, influências e impactos sociais dos negros nos filmes de terror desde 1890 até o presente. Coleman afirma que o terror oferece um espaço representativo único para desafiarmos as imagens mais negativas e racistas vistas nos meios de comunicação. Sua ampla pesquisa cronológica do gênero para o livro Horror Noire: A Representação Negra no Cinema de Terror inclui grandes produções de Hollywood, filmes de arte, blaxploitation e as emergentes produções de horrorcore inspiradas pela cultura hip-hop. Uma obra única que encoraja o leitor a desmontar a imagem racializada do gênero, assim como as narrativas que compõem os comentários da cultura popular acerca de raça, e acende um debate feroz e necessário sobre o poder do horror, seu impacto na sociedade, e suas reproduções como reflexo dela. S. Torriano Berry, cineasta, professor e escritor, diz em sua introdução para Horror Noire: A Representação Negra no Cinema de Terror que um dos aspectos mais danosos do espectro limitado de papéis representados por atores negros nos filmes de terror iniciais é a falta de imagens positivas para proporcionar um sentimento de equilíbrio. “Ver um personagem negro arregalar os olhos e empalidecer ao se deparar com um fantasma não teria sido tão ruim se o seu papel seguinte ou anterior tivesse sido como um médico, advogado ou empresário de sucesso. No entanto, os filmes hollywoodianos relegavam aos negros os personagens subservientes, como mordomos, empregadas e motoristas”, diz. É esta análise que Coleman propõe ao público em sua obra. Horror Noire: A Representação Negra no Cinema de Terror é um marco e virou documentário produzido e exibido pela Shudder, plataforma de streaming audiovisual de terror ainda não disponível no Brasil. Dirigido por Xavier Burgin, o documentário foi lançado em 2019 e tem produção executiva da Dra. Robin R. Means Coleman, da educadora e escritora Tananarive Due, de Phil Nobile Jr, editor-chefe da revista Fangoria e Kelly Ryan, da Stage 3 Productions, e é produzido e co-escrito por Danielle Burrows e Ashlee Blackwell — que, aliás, contribuiu com um texto especial exclusivo para a edição brasileira do livro. Horror Noire: A Representação Negra no Cinema de Terror integra a Coleção Dissecando, da DarkSide® Books — dedicada a revelar os bastidores e a história de grandes produções audiovisuais e seus imortais criadores — chega para os leitores em capa dura, com textos especiais e galeria de imagens. Uma obra indispensável em nossa exploração e favorecimento do gênero de terror.

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    Queria Estar Lendo12/11/2019Resenhou um livro
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    Resenha: Horror Noire

    Horror Noire começou como uma pesquisa acadêmica da Dra. Robin R. Means Coleman e acabou dando origem a um livro e um documentário que explora a representação negra no cinema de terror desde o seu nascimento, no fim do século XIX até os anos 2000. O livro foi publicado no Brasil pela editora DarkSide Books - que nos cedeu um exemplar para a resenha. Assim que a DarkSide Books anunciou Horror Noire eu fiquei louca para ler. Gosto muito de filmes de terror e analisar a representação das minorias em todas as mídias é algo que dou muito valor - é importante compreender o passado para que possamos mudar o futuro, certo? No começo fiquei um pouco apreensiva, com medo de estar um pouco enferrujada e me embananar na narrativa. Pensei que, por ter começado como uma pesquisa acadêmica, eu teria alguma dificuldade para embalar a leitura. Mas não foi nada disso. A narrativa é muito fácil e Dra. Robin R. Means Coleman compôs seus argumentos e análises de forma muito clara e bem definida. Ela nos deu a base e o contexto para cada um deles e guiou-nos por todo o caminho com muita paciência. O livro é dividido em décadas, e cada capítulo analise os filmes de terror que saíram naqueles anos e como retrataram os negros na tela. De expressões racistas com o uso de Black Face e a criação e fortalecimento do negro selvagem como um perigo a branquitude, até os filmes influenciados pelo movimento dos direitos civis, que buscavam o empoderamento negro, Horror Noire traça um perfil do espaço relegado aos negros no cinema de terror. E foi uma leitura para lá de interessante. É muito comum escutar que o "politicamente correto" "estraga" o entretenimento. No entanto, em Horror Noire, é fácil perceber como o entretenimento foi (e ainda é) um força poderosa que pode tanto manter e apoiar opressões, como libertar. Ao explicar o nascimento da representação negra no cinema, Robin R. Means Coleman mostra como os estereótipos pregados não eram exclusivos do nicho terror e como persistiram mesmo em décadas onde movimentos pelos direitos civis eram fortes - e até mesmo após o fim da segregação racial. Uma época em que, tecnicamente, esperava-se uma revolução na forma de tratar raça em todos os meios e círculos. Dos mais persistentes, podemos ver o negro como alívio cômico, extremamente medroso e crédulo, como um serviçal leal ao protagonista branco e, ainda, com sua representação sujeita ao blackface - que hoje em dia se esconder por detrás de uma ideia de "homenagem", ignorando a origem racista da prática. Horror Noire também nos apresenta narrativas completamente negras, em especial durante os anos 70, que buscavam empoderar negros e criar representações positivas - mas que nem sempre estavam livres de problemas, especialmente no que se referia a representação negra feminina, por exemplo. Obras que buscavam eliminar a representação do homem negro como uma ameaça aos brancos - em especial as mulheres brancas - e a ideia do negro selvagem. Mas que, em contrapartida, criaram ideias tóxicas a cerca da masculinidade negras. No entanto, um dos pontos que mais me chamou a atenção foi perceber que pouquíssimos filmes conseguiram colocar pessoas negras como personagens bem desenvolvidos e interessantes, onde a cor de sua pele não os resignava automaticamente a um minúsculo papel secundário, servo leal medroso ou vítima número um. Uma dificuldade ainda maior com a chegada dos blockbusters, que acabaram com os cinemas de bairro e minaram as produções independentes - onde grande parte das obras completamente negras eram produzidas. E isso levando em consideração cem anos de filmes de terror. O que só prova a necessidade de, cada vez mais, apoiar artistas que produzam obras que quebrem estereótipos, invertam papéis e busquem respeito para comunidades marginalizadas por séculos. Horror Noire: a representação negra no cinema de terror foi, definitivamente, uma das minhas melhores leituras do ano e vou recomendar para todo mundo! Independente de como você se sente em relação ao cinema de terror (ou cinema no geral) é um baita exercício para o pensamento crítico e o impacto do entretenimento no sistema social e na nossa formação pessoal.

    29 curtidas

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    Robin R. Means Coleman

    Dra. Robin R. Means Coleman é professora adjunta no Departamento de Estudos da Comunicação e no Centro de Estudos Afro-Americanos e Africanos da Universidade de Michigan. Seus trabalhos anteriores incluem African Americans and the Black Situation Comedy: Situating Racial Humor e a edição da coletânea Say It Loud! African Americans, Media and Identity, e, mais recentemente, a coedição do volume Fight The Power! The Spike Lee Reader

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