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    Filosofia Clínica e Espiritualidade -

    Miguel Silva, Will Goya

    Editora Mikelis
    2018
    290 páginas
    9h 40m
    ISBN-13: 9788593458200
    Português Brasileiro
    5
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    Paradoxalmente, vivemos uma época democrática e multirreligiosa, muito embora pouco capaz de exercitar a transcendência do individualismo para algo superior a toda espécie de egoísmo. Haveria em meio a tantas diferenças algum caminho para a experiência espiritual? Desde os primórdios da história, há diversas religiões, filosofias, disciplinas esotéricas, pesquisas científicas e experiências artísticas que acenderam fascinantes luzes para o que está acima das ideias comuns em direção ao infinito. Este livro, sem quaisquer defesas ideológicas religiosas pessoais, oferece ao leitor uma considerável riqueza de perspectivas filosófico-clínicas desenvolvidas e exercitadas nos muitos anos de pesquisas e práticas de consultório dos respectivos autores.

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    Miguel Silva06/08/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um compêndio de informações importantes para a vida

    Cenários de espiritualidades Um dos maiores enigmas da humanidade está na possibilidade da relação do indivíduo humano com a transcendência. Esse é um caminho que, desde os primórdios, tem sido feito pela via da religião, da filosofia, do esoterismo, da ciência, da astrologia ou mesmo pela via da individualidade da pessoa, sem nenhum intermediário. Estudar as vias humanas de acesso ao transcendente é uma tarefa difícil e requer a consciência de que não é possível fazê-la por completo, pois é sabido que, enquanto as ciências tratam de questões que, na maioria das vezes, se resolvem, o mistério continua mistério. O propósito deste capítulo é introduzir as reflexões que seguem, apresentando os elementos que figuram nos diversos cenários de espiritualidade. Num cenário multirreligioso e democrático como o que vivemos, é urgente a busca pela compreensão de um elemento comum e dinâmico capaz de favorecer uma fecundação da reciprocidade, da acolhida, do intercâmbio e da cooperação. É nesse sentido que buscaremos verificar a possibilidade de entender a espiritualidade como eixo para o diálogo! Exercícios espirituais na filosofia antiga e na filosofia clínica O discurso filosófico é, essencialmente, exercício espiritual. Concordamos irrestritamente com essa tese de Pierre Hadot. Neste capítulo, tentaremos compreender o sentido ao qual esse exercício espiritual se dirige. Em seguida, demonstraremos que a filosofia clínica igualmente consiste em exercícios espirituais. Finalmente, ficará claro que a filosofia clínica, do mesmo modo que o projeto originário da filosofia antiga (da qual é uma extensão), possui um propósito de conexão metafísica com o logos transcendental. Aspectos relacionados à fé durante a clínica filosófica Este capítulo visa responder aos principais questionamentos relacionados, especificamente, à fé e aos processos terapêuticos. Através de observações in loco observa-se, frequentemente, que aspectos de relação entre “fé” e “consultório” estão entre os principais questionamentos dos estudantes que iniciam a formação em Filosofia Clínica. A força espiritual da palavra no diálogo da Filosofia Clínica O ato de fala no diálogo terapêutico, aparentemente natural e simples, é sobremodo importante à existência humana, porém nem sempre reconhecido o seu autêntico valor espiritual, que mergulha nas profundidades da filosofia. Infelizmente, a grandeza ética e a disposição íntima para o exercício de amor à verdade e ao nosso melhor foram também esquecidas na tradição do ensino acadêmico, hoje profundamente alienado à instância da erudição textual. É nesse contexto que a Filosofia Clínica recupera e reinstaura no mundo contemporâneo o espírito originário e fundante da oralidade no pensar filosófico: um diálogo espiritual de promoção da vida. Uma conversação entre Filosofia Clínica e a espiritualidade do Novo Testamento A Filosofia Clínica apresenta uma proposta de aproximação e de compreensão dialogante com o mundo do outro a partir do mundo dele (ou a partir do mundo dele tal como ele o percebe). Neste sentido, há grande semelhança com a acepção de espiritualidade também encontrada no Novo Testamento, que se manifesta através do amor como emanação do Espírito de Deus. A Filosofia Clínica apresenta em seu exercício de alteridade, por meio da Recíproca de Inversão, uma atitude amorosa para com a realidade do outro, buscando ofertar às vivências dele acolhimento e apreço. Essa mesma alteridade também identificada no Novo Testamento pode ser comparada com a presença de Deus, através da encarnação do Verbo, no seio da condição humana, assumindo-a integralmente. Duas estruturas em conversação no horizonte filosófico-clínico eminente Numa praia distante caminha um homem que carrega na mente memórias que são editadas no corretor de textos do seu Smartphone, ligado ao seu cérebro por Bluetooth, onde um chip que resolveu uma configuração neurológica do mal de Alzheimer. Há também outro homem, na circunstância de um jardim mítico e poético que caminha entre as coisas como parte do mesmo, enquanto criatura criada. Onde estão os caracteres que aproximam e distanciam os dois homens? Podemos encontrar a autonomia no primeiro? Podemos considerar o segundo provido de consciência e de originalidade? Apresentamos as duas estruturas como pontos de aproximação de nossa conversação em Filosofia Clínica. A experiência espiritual no âmbito da Filosofia Clínica A Filosofia Clínica surge no contexto das novas buscas humanas por terapias cuja orientação esteja além da estrita medicamentalização. Isso não significa desprezar o tratamento farmacológico. O horizonte é o da valorização do ser humano integral, não necessariamente alcançado pelos psicofármacos. Entende-se por ser humano integral todas as dimensões vivenciadas, direta ou indiretamente, nos âmbitos social, psíquico, existencial, cultural, espiritual. E é nesse sentido que o presente artigo analisará, não exaustivamente, a experiência espiritual (denominada de transpessoal por alguns especialistas em terapias) no âmbito da Filosofia Clínica. Transcendência da Estrutura de Pensamento e a vivência da não-dualidade do ser como experiência filosófico-clínica Este capítulo pretende ser um ensaio sobre a possibilidade de se realizar a clínica terapêutica pelo viés da não-dualidade. Explicaremos, primeiro, o conceito de dualidade utilizando Descartes e o cartesianismo, relacionando-o com a estrutura de pensamento e demonstrando como a maioria dos problemas que surgem em clínica decorrem desta representação de mundo. Em seguida, utilizaremos Spinoza como um caminho para identificarmos este problema, encontrando no mesmo, através dos gêneros de conhecimento, uma das formas de chegarmos na mente não-dual, transcendendo, enquanto pura imanência, a estrutura de pensamento. Por fim, mostraremos os potenciais clínicos que o filósofo experimentaria ao realizar sua clínica através de uma espiritualidade não-dual, onde a maior forma de expressão seria o amor. Vida espiritual e a clínica como lugar de profanação: reflexões a partir de Agamben Este capítulo pretende refletir sobre a relação entre Espiritualidade e Filosofia Clínica a partir do texto Profanações de Giorgio Agamben. Nosso percurso passa pela análise de três personagens que são apresentados nesses fragmentos: o Genius, o Ser Especial e o Autor como Gesto. Esperamos através deles chegar à clínica como lugar de profanação. Da espiritualidade na vida pessoal e profissional: buscas e vivências O presente capítulo visa oferecer reflexão sobre a vivência da espiritualidade na vida pessoal e profissional nos tempos atuais. Este capítulo apresenta algumas noções gerais sobre espiritualidade e a vivência dela enquanto o ser humano se relaciona consigo mesmo, com o outro, com o mundo e com a transcendência. A reflexão está permeada pelos conceitos e a vivência da Filosofia Clínica adquiridos ao longo de quinze anos de atividade em consultório. A espiritualidade universal de Jesus de Nazaré pelo prisma da Matemática Simbólica Este capítulo pretende ser uma conversação entre a Filosofia Clínica e a espiritualidade universal de Jesus de Nazaré. Nessa análise, partiremos, num primeiro momento, de alguns aspectos fenomenológicos do homem Jesus, evitando, ao máximo possível, as hermenêuticas teológicas e os devocionismos populares, acerca de sua pessoa, a fim de nos aproximarmos de sua humanidade e dialogarmos com ela. Num segundo momento, avançaremos em progressão epistemológica para uma breve análise da espiritualidade de Jesus por outro viés da Filosofia Clínica: a Matemática Simbólica. Nesse caminho, estudaremos a localização existencial de Jesus e sua interação com os diversos mundos com os quais se relacionou em seu cotidiano e desenhar o que aqui queremos chamar de espiritualidade universal. Nesse ponto, faremos um breve aceno dessa espiritualidade, considerando as possibilidades e pluralidades das Estruturas de Pensamento de seus seguidores, com os quais nos deparamos no consultório. Imunologias existenciais. A prática clínica e as crenças do filósofo clínico A clínica é feita através da escuta. Para que se realize é exigido do terapeuta a capacidade de silenciar as suas convicções, as suas crenças. Para isso se pergunta se um sacerdote pode ser um bom clínico. A partir de conflitos entre seus papéis existenciais, busca-se caracterizar as condições para um bom exercício clínico. A clínica trabalha com a verdade do outro, não impõe a sua. Clínica não é Filosofia. A Filosofia Clínica não faz filosofia. É trazida para a discussão os “exercícios espirituais”, procurando caracterizá-los e distingui-los da prática da Filosofia Clínica. Ressalta-se a importância de se defender aquilo que é próprio ao partilhante, com a ideia da imunologia. Procura-se evidenciar a importância de uma escuta qualificada para a prática da Filosofia Clínica e da disponibilidade espiritual aberta ao incerto e à transitoriedade do filósofo clínico. Sustentabilidade espiritual nas interseções e nos padrões autogênicos da Estrutura de Pensamento Quem nos criou, por certo, nos criou por generosidade. Ofertou, sem distinção, a toda criação um poema de amor, onde cada um pode encontrar versos que o signifique como criatura. Somos assim me parece, composições diversas de um único Criador. O modo como harmonizamos os sons, os tons e os dons, nossa maneira única de articular e dar significados às nossas percepções nos faz coautores e responsáveis por nossas próprias composições. Este capítulo discorre sobre o modo singular que uma pessoa, a partir da sua historicidade, apresenta suas percepções, significações, composições, aprendizagens e vivencias nas suas interseções com a espiritualidade, enquanto estrutura única de pensamento e seus possíveis modos de sustentação no padrão autogênico que experiência. Fé filosófica e Fé religiosa: Karl Jaspers, diálogo com a Transcendência e com a Filosofia Clínica Neste capítulo se investigam dois conceitos fundamentais da filosofia de Karl Jaspers: fé filosófica e fé religiosa. Eles permitem entender espiritualidade de duas formas: a primeira como pensamento de algo que não se objetiva e a segunda como crença que dirige a vida. Esses aspectos permitem distinguir o que Jaspers considera crenças legítimas e ilegítimas que estão presentes na atividade filosófica. Para concluir procura-se mostrar como a noção de espiritualidade aparece na Filosofia Clínica e como as reflexões de Jaspers ajudam a tratar a questão.

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    Miguel Silva

    Miguel Silva é um pesquisador nas áreas de Psicologia, Psicopedagogia, Filosofia, Religião, Espiritualidade, Filosofia Clínica e Literatura. Possui Doutorado, Mestrado e algumas Pós-graduações. Terapeuta, Professor Universitário e Conferencista em eventos brasileiros e internacionais (Itália, Espanha, Grécia, Israel, Uruguai e Portugal). Possui vários livros escritos, entre os quais, "Entrelaços: vidas controversas", "Pós-humano" e "Conhecimento compartilhado via testemunho". Tem muitos artigos publicado em revistas científicas e comerciais. Nos últimos anos, tornou-se Editor, fundando a Editora Mikelis (Porto Alegre-RS), a qual tem crescido e se destacado no mercado editorial brasileiro. Um jovem humilde e brilhante!

    9 Livros
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    Miguel Silva