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    Diálogos - Martin Buber e Filosofia Clínica

    Miguel Silva

    Editora Mikelis
    2017
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9788593458019
    Português Brasileiro
    5
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    Esta obra retrata uma das importantes raízes filosóficas com as quais dialoga a metodologia da Filosofia Clínica – a filosofia da intersubjetividade de Martin Buber. Analisando o significado das relações Eu-Tu e Eu-Isso, a filosofia buberiana marcou os cenários da contemporaneidade ao destacar como ponto central o ser humano. Para Buber não há existência sem comunicação, diálogo, encontro e responsabilidade ética entre os sujeitos. Do mesmo modo, a Filosofia Clínica está embasada de conteúdos que buscam a superação de uma abordagem tecnicista em vista de um humanismo genuinamente fundamentado nas relações humanas. Para a Filosofia Clínica o recíproco acolhimento no encontro entre os sujeitos é fundamental, ato que exige receptibilidade, pacienciosidade, aprazibilidade e eticidade. É disso que trata este livro – Diálogos!

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    Miguel Silva06/08/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Humanismo em Martin Bubler

    A perspectiva dialógica de Martin Buber e da Filosofia Clínica O primeiro capítulo mostra que Martin Buber foi um pensador, filósofo e humanista de grande importância na filosofia contemporânea. Ele desenvolveu a teoria que no outro está a parte de si mesmo que o complementa. Para ele o homem é um ser de relação. Sem o Tu o Eu não se torna completo, não se forma como um ser em essência. É na troca que o Eu se transforma em um ser em sua completude – e é no fenômeno dialógico que isso ocorre. O diálogo para Martin Buber não exige necessariamente troca de palavras, mas está contido principalmente na alteridade. Na filosofia clínica é fato que a terapia é via de mão dupla, o filósofo cresce em sua essência na medida em que o partilhante segue o mesmo caminho – através do diálogo. Compete ao filósofo clínico saber escutar, mais do que se manifestar. Em filosofia clínica a relação de interseção entre filósofo clínico e partilhante está muito vinculada ao diálogo de Buber, ao reconhecimento do outro – o inter-humano. O fenômeno da alteridade para o filósofo clínico é fundamental para que a terapia funcione. Escutar é parte fundamental nesse diálogo – podendo significar inclusive o silêncio. Colocando-se no lugar do outro, numa recíproca de inversão, o filósofo clínico consegue ampliar sua percepção de humanidade. O sofrimento existencial é comum a toda a humanidade e quando se escuta o outro, essa dor é compreendida e sentida e o reconhecimento da dor comum vai tornar o caminho da terapia uma senda de amizade e compartilhamento. Para Buber o fundamental é construir uma ponte através do diálogo. A ponte é também fundamental na filosofia clínica. O sentido das relações em Martin Buber e na Filosofia Clínica O segundo capítulo estuda a compreensão buberiana referente às relações Eu-Tu e Eu-Esse, verificando o quanto isso corresponde em Filosofia Clínica. Em Buber, a pessoa humana se manifesta como um ser que se relaciona; em Filosofia Clínica, as distâncias se aproximam numa relação dialógica. Colocando-se a pessoa (Eu) diante das coisas (Esse), o Eu julga o Esse com objetivação. Colocando-se a pessoa (Eu) diante da outra pessoa (Tu), surge uma relação dialogante, ou seja, uma troca aberta do Eu para com o Tu e do Tu para com o Eu, num fidedigno encontro. Quando o Eu se coloca diante do Tu, a considerar o mundo do Tu como sendo dele mesmo, e o Tu da mesma forma, podemos dizer que há forte aproximação da clínica filosófica com a compreensão buberiana, no que diz respeito à compreensão das relações. É nesse sentido que se busca um diálogo entre a Filosofia Clínica e a filosofia de Martin Buber. Fragmentos da historicidade de Martin Buber e a metodologia da Filosofia Clínica O terceiro capítulo não objetiva, a princípio, dialogar com toda a obra de Martim Buber, mas sim compreender sua historicidade, bem como as bases categoriais que o fizeram percorrer o caminho na busca do encontro verdadeiro. Segundo ele, “toda a vida real é encontro”; encontro este que somente será possível através do diálogo. Na Filosofia Clínica este encontro dialógico se estabelece através da Interseção. Nesse sentido, será feita uma análise da edição da historicidade buberiana, interfaceando com a metodologia da Filosofia Clínica: num primeiro momento far-se-á uma leitura atenta da história de vida de Buber, principalmente, por meio da sua obra Encontro - Fragmentos autobiográficos; num segundo momento buscar-se-á pesquisar Categorias e Tópicos na sua Estrutura de Pensamento e nos Submodos Informais utilizados por Buber. Não podemos negar a importância da contribuição do seu legado para a filosofia contemporânea, já que sua obra se mostra atualíssima. Encontramos nele um pensamento profundo e perspicaz, focado no problema do homem como um ser de relação e aberto ao diálogo. Buber desenvolveu e fundamentou em seus vários livros e, principalmente, na sua obra maior, Eu e Tu significados como: diálogo, princípio dialógico, encontro, entre, palavra-princípio, inter-humano, reciprocidade como ação totalizadora, responsabilidade, decisão-liberdade e subjetividade. Mesmo reconhecendo as influências recebidas de outros filósofos, o seu pensamento é possuidor de uma singularidade existencial vivida através das circunstâncias dadas no ambiente em que estava inserido. Lúcio Packter de alguma forma elabora sua obra privilegiando a singularidade da pessoa. Buber e Packter partem do diálogo que brota das experiências da vida para trabalhar as questões existenciais do homem. Intersubjetividade em Martin Buber e na Filosofia Clínica O quarto capítulo examina aspectos da Filosofia Clínica que se enriquecem com a aproximação da filosofia da intersubjetividade de Martin Buber. Em primeiro lugar, o estudo começa pelas possibilidades que representa a fenomenologia do encontro, pois ela permite melhor compreensão prática e teórica da interseção na clínica. Buber explica a diferença nas relações Eu-Isso e Eu-Tu, mostrando que a segunda supera a abordagem técnica, a despersonalização e a falta de carinho pela introdução de uma atitude ética ou ideal a presidir as técnicas. Em segundo lugar, o estudo segue sobre a metodologia histórica utilizada por Buber, uma vez que ela ajuda a entender a historicidade como o tecido de camadas superpostas e a aprofundar a prática do papel e sentido dos enraizamentos. Em terceiro lugar, o estudo continua sobre a hermenêutica utilizada por Buber, a qual esclarece e aprofunda a importância de manter a literalidade dos relatos para ser fiel à história contada pelo partilhante. Por fim, há ainda uma justificativa fenomenológica para a singularidade existencial que é o eixo articulador do levantamento da historicidade na clínica. A questão ética em Martin Buber e na Filosofia Clínica O quinto capítulo mostra que a filosofia da intersubjetividade de Martin Buber marcou os cenários da contemporaneidade ao destacar como ponto central o ser humano. Estudando o significado das relações Eu-Isso e Eu-Tu, a filosofia buberiana desenvolve uma concepção antropológica que revela um sujeito aberto o qual, ao se defrontar com o outro, não vivencia somente uma experiência psicológica, mas cria uma dimensão existencial onde os dois sujeitos passam a conviver. Nesse sentido, para Buber não há existência sem comunicação, diálogo, encontro e responsabilidade ética entre os sujeitos. Para dialogar com a filosofia buberiana esse quinto capítulo invoca os pressupostos da Filosofia Clínica, a qual presta um serviço ético de auxílio a quem lhe procura, com fundamentação teórica e aplicabilidade clínica, levando o partilhante a analisar suas questões existenciais. Tal processo busca, preementemente, o bem-estar subjetivo da pessoa, algo axiliado pela educação ética e pela ausência de escrupulosos e desconexos normativismos ético-morais. Palavras chave: Ética. Diálogo. Interseção. Intersubjetividade. Relação. Pensamento educativo em Martin Buber e educação do pensamento em Lúcio Packter: aproximações O sexto capítulo aborda os fundamentos educativos presentes na obra de Martin Buber, tratando das questões da dialogicidade no ato educativo e na migração de uma concepção de educação como intervenção pedagógica para uma nova concepção de educação como um encontro pedagógico. Isto resulta em um ambiente de reciprocidade e responsabilidade de um pelo outro, atendendo a uma necessidade para a construção de uma nova civilização, onde o Tu seja buscado por todos: educador e educando. Na obra de Packter encontra os fundamentos de uma teoria que não é em si, educativa, uma vez que sua obra é voltada para o exercício existencial da pessoa. No entanto, esse exercício pode levar ao encontro do outro, exigindo da pessoa, muitas vezes, mudanças internas que podem ser facilitadas pela educação do pensamento. Uma educação que deverá se dar segundo os indicativos daquilo que é peculiar a cada pessoa. A proposta de educação do pensamento a partir da singularidade busca, assim como em Buber, a construção de uma nova civilização, fundamentada na urbanidade, na etiqueta, na civilidade, tão necessárias nos dias atuais. Partindo do panorama abordado nas teorias desses dois pensadores, se busca encontrar os pontos de aproximação entre as mesmas, mostrando que tanto para Buber quanto para Packter, o fim último da educação deve ser a busca por um mundo melhor, a construção de uma nova civilização, onde o encontro e o diálogo fundamentados na intersubjetividade sejam a tônica nas relações humanas.

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    Miguel Silva

    Miguel Silva é um pesquisador nas áreas de Psicologia, Psicopedagogia, Filosofia, Religião, Espiritualidade, Filosofia Clínica e Literatura. Possui Doutorado, Mestrado e algumas Pós-graduações. Terapeuta, Professor Universitário e Conferencista em eventos brasileiros e internacionais (Itália, Espanha, Grécia, Israel, Uruguai e Portugal). Possui vários livros escritos, entre os quais, "Entrelaços: vidas controversas", "Pós-humano" e "Conhecimento compartilhado via testemunho". Tem muitos artigos publicado em revistas científicas e comerciais. Nos últimos anos, tornou-se Editor, fundando a Editora Mikelis (Porto Alegre-RS), a qual tem crescido e se destacado no mercado editorial brasileiro. Um jovem humilde e brilhante!

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    Miguel Silva