Roderick Hudson é considerada por Henry James, o autor, como seu primeiro grande romance. Para alguns críticos e estudiosos de sua obra, ela já contém elementos do autor que apareceriam em obras posteriores, de maneira que este romance bastaria por si só caso o americano não tivesse publicado mais nada em vida.
Os protagonistas do romance são dois jovens estadunidenses Rowland Mallet e Roderick Hudson. O primeiro é um jovem burguês, prático, generoso e moderado, porém grande apreciador das artes. O romance começa anunciando que ele pretende viajar para Roma e passar por lá uma temporada. Numa visita a sua prima Cecília, Rowland, na casa dela, se surpreende ao olhar para uma estátua artisticamente bem esculpida. Seu escultor é ninguém menos que Roderick Hudson, amigo de sua prima. Impressionado com o talento do rapaz, Mallet decide leva-lo consigo para Roma, para que lá ele aperfeiçoe seu talento, e assim o faz.
Roderick, apesar de todo o seu talento artístico ao contrário de Rowlland, é um espírito imaturo, inconstante e boêmio. Ele se destacará em Roma como escultor, mas dará preocupações e dores de cabeça a seu amigo Rowlland. A situação começará a desandar de vez quando ambos conhecem a senhora Light e sua filha Christina que encantará a Hudson com a sua beleza.
Do ponto de vista estético, Henry James assemelha-se bastante a Flaubert, Turgenev, Tchekhov e James Joyce. Ele consegue se destacar tanto como um romancista estético, quanto pela sua abordagem de situações banais do cotidiano. O romance é recheado de diálogos, os quais, por mais triviais que possam parecer, revelam a natureza de seus personagens, até mesmo em seus gracejos bobos .
Poder-se--ia dizer que possui muitas temáticas: Realismo X Idealismo, Paixões não correspondidos, a situação da mulher na Europa oitocentista, o autoengano, etc. A a paixão de Roderick por Chistina, por exemplo, em muito se assemelha a do jovem Werther, devido a seu caráter doentio e obsessivo, mesmo diante da impossibilidade de obtê-la. O escultor, de fato, é um espírito romântico.
Embora seja um romancista completo e de mão cheia, Henry James, as vezes, acaba pecando por excesso e a leitura acaba se tornando maçante e arrastada, mas nada que possa excluí-lo da lista de melhores escritores de sempre. O autor demonstra maturidade e conhecimento sobre a vida, sem se preocupar em agradar o leitor com o desenrolar da história.