O Seminarista é uma história singela, não de amor apesar de ser relacionado a ele. Essa obra, como outras pelas quais o autor é lembrado, retrata como a brutalidade, a estupidez das instituições pode destruir a vida das pessoas.
Normalmente, qualquer obra que busque criticar a Igreja Católica ou o Patriarcado termina sendo rica em concupiscência e deboche, a História fornece relatos reais que influenciam os escritos. Contudo, Margarida não é uma Maria Madalena ou uma Jezabel, Eugênio não é um Padre Amaro; o amor deles é romântico, tímido, algo que lembra em muito a corte entre Bentinho e Capitu em seu início.
E se a pressão e manipulação paterna e eclesiástica motivam a separação, a retidão moral dos protagonistas a prolonga. Há, obviamente, uma possibilidade de questionamento sobre essa posição, mas vale lembrar que a obra foi escrita em 1872 - se hoje a cultura luso-brasileira ainda foca na obediência familiar, quase um século e meio antes algo assim era praticamente impensável.
A minha edição apresentou alguns problemas com a lombada e o papel branco brilhante é pouco desconfortável. Não há outros problemas no volume.
Recomendo.