Destaques desta edição: – Freud e as mulheres. O legado do austríaco que abriu as portas para um debate que persiste até hoje: Psicanálise e feminismo. – Como o Islã uniu escravos contra a opressão na Bahia. – Harappa: A primeira civilização da Índia é uma das maiores da antiguidade. – A milenar missão humanitária dos cavaleiros de malta.
Aventuras na História Nº 196 (Setembro de 2019) - Freud e as mulheres
não informado
Setembro de 2009
Vamos em frente! Caminhando e caminhando... Galeria trouxe a "Expedição Terra Nova", a terceira tentativa britânica de conquistar o Polo Sul, entre 1910 e 1913, sob liderança de Robert Falcon Scott. É uma história extraordinária, porém, funesta. O britânico e quatro amigos conseguiram o intento, em 1912, mas descobriram que não foram os pioneiros, pois uma equipe norueguesa teve essa primazia um mês antes, em 1911. Além da decepção, a equipe perdeu-se no retorno e sucumbiu diante das intempéries e fome. Os corpos foram resgatados depois. Gostaria de ler mais sobre essa expedição, que teve lutas ferrenhas. A revista cita, por exemplo, a perda de cavalos, predados por orcas, ao desgarrarem em iceberg. Fico pensando como esse mundo tem segredos... Até pouco mais de 100 anos o Polo Sul ainda não tinha sido conquistado... Esse mês, ilustrando ainda, estudiosos descobriram uma nova espécie de poraquê em determinada região amapaense... O infográfico trouxe o primeiro submarino nuclear, batizado como Nautilus (o lendário submarino do Capitão Nemo), pelos EUA em 1954. O que achei interessante foi o comparativo com os modelos anteriores. Este era capaz de ficar submerso por mais de ano, produzindo seu próprio ar e água... Com meio quilo de urânio permanecia nessa condição por até dois anos... Será que essas coisas procedem... Ah, se pudesse... Embarcaria numa breve viagem em um destes nucleares, me sentindo o próprio Nemo... Outro artigo interessante é a historia de Inês, ocorrida em Portugal no século 14. É a história de um amor proibido e mal resolvido. Não entro em detalhes, mas o desenrolar final mostra o soberano Pedro mandando desenterra-la, promovendo uma cerimônia de coroação e beija-mão da morta, depois de ter sido assassinada. A Linha do Tempo trouxe cronologia do terrorismo de Bin Laden ate o fatídico 11 de Setembro. O que chamou mais atenção é que no final da década de 1970 ele e seus aliados receberam apoio e financiamento dos EUA no Paquistão para combater o domínio russo. Coisas da Guerra Fria, com os norte-americanos sedentos de derrota russa também, após serem vergonhosamente derrotados no Vietnã na mesma década. Tenho lembrança de uma revista Manchete em minha casa, na infância, que mostrava imagens sensacionais de guerreiros armados sobre cavalos no Paquistão, os Mujahidin. Acredito que Bin Landen e seus comparsas poderiam estar entre eles, se não, o contexto os representava. A reportagem dava áurea heroica de guerreiros patriotas aliados dos EUA... Quanta ironia... "Paradoxo de Freud", reportagem de capa, explorando a visão que o sujeito tinha sobre as mulheres. Segundo a revista, tinha aspectos conservadores e machistas, conflitantes com a visão de estimular posicionamentos libertários para as mulheres, como propunha. "Os guerreiros de Alá na Bahia" conta a história da Revolta dos Malês, no século 19, encabeçada por escravos praticantes do Islamismo. Embora não tenha atingido o objetivo, contribuiu para o fim do tráfico negreiro na Bahia, por medo de mais adeptos à insurreições dos tais guerreiros. Das sugestões de leitura, registro "Breve história bem-humorada do Brasil", de Ricardo Mioto. A história do Brasil abordada em fatos curiosos e inusitados. Falando em história inusitada, o que mais gostei nessa revista foi do artigo "No epílogo eram apenas crianças". Poderiam transformar numa reportagem... É uma história sinistra, reveladora e pouco conhecida sobre o Brasil, referente à Guerra do Paraguai. Já no fim desse embate, o líder paraguaio Solano Lopes, depois de ter grandes perdas em seu exército, estimulou a formação de tropa com crianças e adolescentes, a maioria entre 6 e 15 anos, que nem sabia direito do que se desenrolava e foram para a batalha, com alguns adultos em suas fileiras. Eram cerca de 3.500 contra 20 mil soldados e mercenários profissionais brasileiros. A tropa brasileira era comandada pelo marido da Princesa Isabel (Conde D'Eu). O sujeito não teve pena e mandou matar todas, mesmo descobrindo que eram crianças. Os relatos dizem que muitas se agarravam às pernas dos soldados implorando pela vida e mesmo assim foram degoladas. A estratégia certamente foi uma forma crápula de reivindicar e propagar gloriosa vitória diante da nobreza e povo, na respectiva guerra. E tem outra, esse Conde D'Eu mandou tacar fogo nas casas, matando muitas mães dos tenros soldados... Segundo a história, era também desejo do Duque de Caxias, que teria dito para eliminarem até os fetos nas barrigas... Quanto obscurantismo em nossa História... E tem certas autoridades aí que teimam em impor reverência a esses homens como grandes heróis e vultos da pátria... Eles tem sua representatividade, mas que também é construída em atos vis que os livros escolares não contam... O fato foi tão trágico que no Paraguai o 16 de Agosto de 1869, quando ocorreu, transformou-se no Dia das Crianças. Esse terrível acontecimento ficou conhecido como Batalha de Acosta Nu, no Paraguai, e Campo Grande, no Brasil.
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