Encaixotar é fácil. Difícil é o contrário.
O livro não tem um fio condutor, uma linearidade, um começo, meio e fim. Ele parte da premissa de que a biblioteca do autor estar sendo empacotada para viagem, afinal ele mudaria de uma casa numa cidade no interior da França para um apartamento em Nova York. E nessa mudança iriam junto cerca de 35 mil livros.
Ele discorre sobre temas diversos sobre sua relação com os livros, sobre ler, sobre escrever, sobre bibliotecas, sobre vida particular dele, sobre suas idiossincrasias relacionadas aos livros e leituras. O livro todo é um compêndio de citações e situações sobre literatura e uma mini autobiografia. Conta também sua relação com o escritor, também argentino, Jorge Luis Borges, e sobre sua nova carreira enquanto diretor da biblioteca Nacional da Argentina, em Buenos Aires. O autor dá até uma rápida lição de história da capital do país.
O livro é cativante, instigador, idiossincratico, mas disperso. Tive vários desapegos à leitura do mesmo em diversos momentos. Senti falta de uma história com conexão, senti falta de que cada história tivesse um começo, meio e fim. Pareceu-me uma colcha de retalhos de memórias afetivas do autor, tendo como pano de fundo, os seus livros e sua cultura adquirida com os mesmos. Ficou com cara de relatos múltiplos, tal qual contos, mas lembrou em certos momentos de que fossem talvez ensaios, talvez até dissertações sobre tematicas correlatas ao tema livros, ou até mesmo pequenos devaneios do autor relacionados aos temas de cada comentário seu, que chamou de digressões, que para mim serviu enquanto divisão de leitura, enquanto capítulos. O livro tem a sua empatia, mas não me fez apegar emocionalmente (apesar da tentativa do autor de causar tal efeito no leitor), nem mesmo racionalmente, pois como disse antes o livro careceu de trajetória linear, pois parecia que cada pensamento do autor era contado e escrito de forma aleatória.
Tive uma reação de amor e ódio com essa leitura, ou para não ser ter dramático, tive vários desapegos momentâneos com a leitura. Mas houve prazer em certos trechos. Não houve enfado perene.
Recomendo? Sim. Mas com ressalvas. Leia descompromissado de chegar ao final e, se achar chato algum trecho ou outro, pule, seja aleatório tal qual o autor.