Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições1
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas20
    • Leitores563
    • Similares7
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    O bebedor de horizontes (As areias do imperador #3) -

    Mia Couto

    Companhia das Letras
    2018
    328 páginas
    10h 56m
    ISBN-13: 9788535930641
    Português Brasileiro
    4.5
    154 avaliações
    Leram235Lendo12Querem315Relendo0Abandonos1Resenhas20
    Favoritos16Desejados315Avaliaram154

    Mia Couto conclui sua fascinante trilogia com o romance histórico O bebedor de horizontes, que retrata a saga final do imperador moçambicano Gugunhana, o derradeiro grande governante de um império na África no século XIX. Neste último volume da trilogia, os prisioneiros do oficial Mouzinho de Albuquerque embarcam no cais de Zimakaze em um barco que parte em direção ao posto de Languene. De lá, irão seguir para o estuário do Limpopo e então iniciar a viagem marítima que conduzirá os africanos capturados para um distante e eterno exílio, em uma das ilhas dos Açores. Com a comitiva segue Imani Nsambe, jovem negra que estudou numa missão católica e serve como intérprete entre os nativos e as autoridades portuguesas. Imani está grávida do sargento português Germano de Melo, alocado em outra parte de Moçambique. A tradutora narra os trágicos acontecimentos do final do império de Gaza, que se alternam no romance com as cartas do sargento.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover

    Similares (7)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (20)Ver mais
    Alexandre Kovacs picture
    Alexandre Kovacs30/03/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Editora Companhia das Letras - 328 Páginas - Lançamento no Brasil: 16/03/2018 Este é o último volume da trilogia histórica sobre a queda do Estado de Gaza no final do século XIX, região conhecida hoje como Moçambique e de seu imperador Ngunguyane ou Gungunhana, como era chamado pelos portugueses na época. Assim como os dois primeiros volumes da série, este também é um romance histórico diferente, utilizando-se de pessoas e fatos reais, Mia Couto escreve com a sua forte veia poética e o auxílio da riqueza das lendas do folclore local, para resgatar um pouco da dignidade do povo africano, explorado por um processo brutal de colonização predatória imposto pelas potências europeias. O romance parte da captura de Ngunguyane, ou "Leão de Gaza", pelas forças militares comandadas por Mouzinho de Albuquerque e narra em detalhes a longa e humilhante viagem de degredo do ex-imperador, juntamente com as sete esposas e alguns outros prisioneiros, inicialmente para Lisboa, onde os portugueses pretendiam utilizar a vitória como propaganda política diante dos países rivais na colonização africana, principalmente a Inglaterra, e finalmente o destino final, o exílio nas ilhas dos Açores. Mia Couto utiliza a adolescente Imani Nsambe como voz narrativa em primeira pessoa, grávida do sargento Germano de Melo, ela foi criada por missionários portugueses e domina bem o idioma, servindo como elo de comunicação entre os africanos e os oficiais portugueses durante toda a viagem. "Há dois dias sucedera o impensável: em Chaimite, o capitão Mouzinho capturou o imperador Ngungunyane e trouxe-o amarrado até ao cais de Zimakaze. Junto com o real prisioneiro seguiam as sete esposas que ele elegera para o acompanhar. Essa escolha foi o seu último ato de soberania. Na comitiva seguia também eu, Imani Nsambe, que os portugueses escolheram como tradutora. Finalmente, em Zimakaze, o chefe dos mfumos, chamado Nwamatibjane Zixaxa, juntou-se aos presos. Com este rebelde vieram três das suas esposas. (...) De Chaimite a Zimakaze o mesmo espanto se repetiu: os habitantes de Gaza contemplaram, incrédulos, o imperador Ngungunyane sendo arrastado em prantos. Os militares portugueses eram tão poucos que se tornava ainda maior o desconcerto de quem assistia ao inusitado desfile. (...) Não era apenas um imperador vencido que os portugueses exibiam. Era África inteira que ali desfilava, descalça, rendida e humilhada. Portugal precisava daquela encenação para desencorajar novas revoltas entre os africanos. Mas necessitava ainda mais de impressionar as potências europeias que competiam na repartição do continente." - Narrativa de Imani (Págs. 14 e 15) Neste último volume da trilogia, Mia Couto continua valendo-se das cartas do sargento português Germano de Melo para Imani, que não são apenas cartas românticas (embora sejam também, e muito lindas), mas sim uma forma do autor compor uma estrutura polifônica e uma visão mais abrangente das relações entre colonizadores e colonizados. As cartas, como não poderia deixar de ser, nem sempre conseguem chegar ao destino. Será que existe um futuro em Portugal ou na África para o improvável casal e o filho que Imani espera? Afinal em uma das muitas citações que poderia destacar deste livro, esta em especial é pura poesia: "Ser mãe é um verbo que não tem passado". "Nas cartas de amor a grande felicidade é receber a resposta antes mesmo de as escrever. Talvez seja por isso que iniciei esta carta vezes sem conta e, de todas as vezes, a deixei cair no chão. Nos meus pés descalços se imprimiram as palavras que nunca te foram enviadas. Não apanho esses rascunhos. Deixo-os órfãos, sobre a poeira do chão. São um tapete que teci para o teu regresso. Vou calcando palavras como na minha terra pisamos as uvas para que nasça o vinho.(...) O mais grave de tudo, minha querida, é que a guerra em Moçambique não terminou. Por isso te levam como tradutora. Esperam que faças bem mais que traduzir. Querem que sejas uma espia ao serviço da Coroa portuguesa. E é isso que me apoquenta. Ao contrabandear valiosos segredos enfrentarás sérios riscos. (...) Para consolo teu, deves pensar que a tua viagem não começou agora. Desde criança que estás emigrando de ti mesma." - Carta do sargento Germano (Págs. 51 a 53) Durante a viagem, ocorre o que temia o sargento Germano na sua carta, ou seja, o ingrato trabalho de tradução realizado pela jovem Imani Nsambe acarreta muitos problemas. Entre carrascos e prisioneiros ela acaba sendo desprezada pelos africanos que desconfiam da sua fidelidade à causa do imperador Ngunguyane e, por outro lado, humilhada pelos portugueses para os quais é somente mais uma negra. Mia Couto encontrou, por meio da sua sofrida protagonista, uma forma de representar a difícil busca pela própria identidade, entre as tradições perdidas e a suposta modernidade. Pobres nações "colonizadas".

    10 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.5 / 154
    • 5 estrelas48%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas12%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas0%
    António Emílio Leite Couto  profile picture

    António Emílio Leite Couto

    Além de ser considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, ele é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué. Em 2007, foi entrevistado pela revista Isto É. Presentemente é empregado como biólogo no Parque Transfronteiriço do Limpopo.

    103 Livros
    1.001 Seguidores

    António Emílio Leite Couto