O templo

O templo Stephen Spender




Resenhas - O templo


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Luccas.Soares 08/07/2021

Acredito que, ao contrário de muitas resenhas que vi de pessoas que acharam "chato" demais, ao ler aos poucos, fui refletindo melhor sobre a história.
Para além da premissa e da valorização da amizade e descoberta da sexualidade, fiquei fascinado com a vida dos artistas dessa geração tão específica do entre guerras. Digo isso porque os personagens são em parte baseados em eventos e pessoas reais, como Auden, Isherwood, List e o próprio Spender.
Confesso que trechos do livro em alemão por vezes me irritaram pela falta de tradução, apesar de se entender tudo pelo contexto. Não sei se foi uma escolha do tradutor deixar assim ou da edição.
Em outro ponto, me assusta a similaridade dos fatos da ascenção nazista na Alemanha e os tempos que vivemos no nosso país. Os relatos e falas de alguns personagens na segunda parte do livro fazem pensar o quão perto estamos de algo que já aconteceu mas que parece ter fugido da memória da sociedade. A reflexão é valiosa!
Marcos Ogre 08/07/2021minha estante
Nossa, quero tanto ler esse livro!


Luccas.Soares 08/07/2021minha estante
Marcos eu gostei bastante, mas tem que ter paciência se for ler rápido pra que não fique arrastado demais. A história é linda na primeira parte e bem melancólica na segunda, apesar de não ter um evento em particular na vida dos personagens que faça isso. É bem diário mesmo. Mas vale a pena!!


Marcos Ogre 08/07/2021minha estante
Ah, eu em geral leio devagar mesmo hahaha até gosto de livros mais densos, tô bem interessado!


Luccas.Soares 08/07/2021minha estante
Ahh espero que não se decepcione então. Vale super!!??




Euler 23/12/2020

Foi uma longa leitura, atribulada pelo meu desânimo e as demandas trabalhistas que só me mostram que escrever e ler é ainda um privilégio. O Templo narra a história de um poeta inglês chamado Paul que vai a Alemanha em dois momentos, a primeira após a Primeira Guerra Mundial, e a segunda pouco antes da Segunda Guerra. Na primeira, vemos as relações que se estabelece entre o escritor e outros jovens e suas experiências homoeróticas; na segunda, o clima muda totalmente e temos um retrato do crescimento do nazismo. Nessa segunda parte, foi inevitável não pensar no bozonazismo, já que o livro demonstra como o movimento crescia por negligência e por uma certa descrença que tamanho absurdo avançasse, até mesmo as pessoas afetadas com o ideário acabavam sendo coniventes - qualquer semelhança com Brasil pós-golpe, é verdade. A narrativa se inspira nas viagens que o autor fez nessas épocas, e o que o livro perde enquanto desenvolvimento narrativo, ganha em registro do período histórico ??
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Léo 06/09/2020

Vazio
É difícil analisar um livro específico como esse. Trata do período entre guerras, numa Alemanha em transformação, vivido por jovens ingleses e alemães ricos.

Não sei se é pela narrativa da época, pelo estilo do autor ou pela tradução, mas os diálogos são monótonos e a história em si é estranha.

Não existem acontecimentos expressivos e o relacionamento entre as personagens é mal descrito ou, se descrito, raso.

Temo que a sensibilidade do autor, louvada em outras resenhas, se perdeu na tradução.

A leitura é arrastada e não tive vontade em acompanhar, já que nada acontece.

O pano de fundo da Alemanha se tornando nazista é mais falada pelas personagens do que vivida nos acontecimentos do livro.

Personagens ingênuas, ocasionais, com relações que não soam verossímeis.

Talvez haja dificuldade para nós entendermos a sociedade descrita da época. Acredito, porém, que o livro em si não faz um bom trabalho para descrevê-la.
Fernanda 03/10/2020minha estante
Não sei se é a escrita do Spender ou a tradução que é muito ruim, mas achei os diálogos superficiais e as personagens muito caricatas.




Douglas 24/06/2020

Sobre cotidianos nada distantes
A premissa do livro é muito interessante, logo que vi o resumo fiquei intrigado pela história e, admito, a capa também me chamou bastante atenção. Aproveitei a promoção da Editora 34 para adquirir um exemplar e assim que chegou comecei a leitura. No início, fiquei extremamente decepcionado, as primeiras páginas do livro me pareceram muito pretensiosas, tive a impressão que o autor achava que o simples fato de seus personagens citarem poetas conceituados e referências "cult" já os tornaria interessantes, erro cometido por muitos jovens escritores por aí rs. Temi que a narrativa continuasse apoiada nesse mecanismo que me irrita bastante, mas felizmente não foi o que aconteceu. Logo que ele deixa de se esforçar para tentar nos convencer da excêntricidade e intelectualidade de seus personagens e se debruça mais sobre as suas experiências de viagens para Alemanha em dois contextos diferentes, a narrativa flui. Foi por isso que resolvi escrever esse pequeno comentário, espero que se alguém buscar algum incentivo para continuar a leitura, eu possa ajudar. Não pretendo falar sobre a história em si, o resumo do skoob já é suficiente, mas deixo aqui alguns elementos que me agradaram bastante no livro e que me proporcionaram boas reflexões. O primeiro são as experiências homossexuais do autor/personagem principal, a naturalidade ao trabalhar a questão, trazendo problemáticas que vão para além da "aceitação", relacionandas com corpo e afetos foi muito importante para mim. O segundo é a amizade, o livro não se foca só nos relacionamentos amorosos do personagem principal, mas como ele foi desenvolvendo amizades ao longo dessas duas viagens que o marcaram fortemente, são cenas muito bonitas. Inclusive, a foto da capa foi tirada por um amigo do autor que inspirou o personagem Joachin, meu favorito. O terceiro elemento é o contexto histórico que a história se passa, a primeira viagem à Alemanha é feita durante a República de Weimar, momento de conquistas importantes para liberdades individuais, para as artes, cultura, etc; a segunda viagem já é feita no momento de derrocada desse regime, em que os ideais nazistas começaram a ganhar cada vez mais espaço no imaginário das pessoas e a transformar relações. O fato de o autor ter narrado essas questões de maneira "cotidiana", sempre através de suas próprias experiências, aumenta nossa conexão com o livro e possibilita boas reflexões entre suas vivências e as nossas, tanto sociais, quando individuais. Espero que consiga ajudar eventuais leitores que possam ter empacado no começo da história ou, até mesmo, instigar algumas pessoas a buscarem por ela.
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Edgar Matozo 24/06/2020

A calmaria que antecede a tempestade
A leitura deste livro remete a dias ensolarados, jovens sonhadores, sexualidade aflorada e muita bebedeira. A obra autobiográfica de Stephen Spender oferece um panorama da Alemanha pós primeira guerra, onde apesar de todas as dificuldades, era um pólo de liberdade que atraia jovens artistas à procura de um ambiente liberal e cativante. A prosa flui com naturalidade e apesar da descrição de situações corriqueiras, não deixa de ter sua beleza na simplicidade dos acontecimentos.
O contexto do livro (período entre guerras) pode se encaixar perfeitamente no cenário político / social atual, onde a maré de liberdade vigente é sucedida pelo surgimento de ideologias extremistas e líderes despóticos (alô Brasil???).
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Roberto Ramalho 17/06/2020

Crônica em romance semi-ficcional.
Um livro polido, de palavras medidas como exigem as métricas poéticas. Um registro de amizades e situações que moldaram a vida e obra de Stephen Spender. Esta obra demorou quase 80 anos entre o começo de sua escrita e os reparos finais, quando finalmente pôde ser publicada. Aqui, personagens fictícios, entre ingleses e alemães, tomam a pele de suas contrapartes de carne e osso, das relações vividas por Spender enquanto jovem, que influenciaram sua vida como poeta, ensaísta e romancista. Situado no período entre guerras, somos apresentados a jovens idílicos, que sonham em aproveitar a vida e apurar seus talentos (Spender/Paul, enquanto escritor e poeta; Herbert List/Joachin, enquanto fotógrafo). De teor hedonista e erótico, o temos aqui são jovens descobrindo e experimentando sua (homo)sexualidade, em especial numa Alemanha que já começa a mostrar os sinais do Partido Nazista. Leitura ao mesmo tempo leve, poética e assustadora, quando vemos nos sinais de outrora, sinais atuais. A se pensar.
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