Neon Azul

Neon Azul Eric Novello




Resenhas - Neon Azul


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Ogha 09/11/2010

Um drink sombrio
Quando eu era mais novo fiz parte de um grupo asssitencial a moradores de rua. Em uma de nossas "missões" eu conheci um mendigo cuja trágica história me pareceu impossível.
Ele era fundador de uma empresa de distribuição de algum renome em São Paulo, ou algo assim, e tinha muito dinheiro. Fala inglês, alemão, francês, italiano e espanhol (e conversou com amigos meus que falavam essas linguas, para provar). Morava em um condomínio de luxo (Alphavile ou São Paulo 2, não lembro agora..) e tinha um belo carro.
Até que um dia, voltando para casa completamente bêbado ele atropelou a própria filha e a matou. A família, incapaz de perdoá-lo, praticamente o baniu. Ele, sentindo-se culpado, foi morar na rua...

É aqui que a arte imita a vida...

Quando li Neon Azul, de Eric Novello, fiquei impressionado com a semelhança entre este homem que conheci e o personagem do primeiro conto do livro "invisibilidade". Daí para devorar o livro em apenas algumas horas foi um pulo. Não só pela curiosida em saber qual seria o destino daquele primeiro personagem, como de todos os outros.
Neon Azul é uma daquelas obras raras que mistura cenário, música, personagens entrelaçados, boas doses de uisque, mistérios e sensualidade. Um livro relativamente fácil de ler e cheio de boas ideias.
Mas Neon Azul não é um romance convencional. Ele está na categoria "romance fix up", ou seja, vários contos com focos diferentes e interligados, mas tratando de pontos de vista variados e diversos personagens.
A fórmula é muito interessante, porém um leitor menos acostumado ao estilo pode se perder na leitura, já que a explicação e a história de certos personagens ou ideias estão espalhados pelo livro, e não linearmente contados.
Isso também pode ajudar um leitor mais ousado a se permitir leituras diferentes de Neon Azul: você não precisa ler os contos em ordem, pode abrir o livro em qualquer um deles e começar sua leitura. claro, de qualquer modo você será obrigado a ir até o fim e sorver cada gole desta bebida literária.

Ficou curioso? O livro está a venda nas melhores livrarias e com desconto!
Tainã Buendía 28/08/2014minha estante
eu nao entendi o livro ( da forma convencional heheh ) e ate hoje me pergunto : o que aconteçeu com a Jéssica ? hahahahah é engraçado, mas é verdade :p o estilo é bem diferente ,apesar de nao gostar de contos esse me surpreendeu positivamente .Pena que teve alguns finais que não eram ''finais'' mesmo




Lucas Rocha 09/09/2010

Desejos em néon
Seja benvindo ao Neon Azul. Qual é o seu desejo?

“Neon Azul” (Editora Draco, 166 p.) é o mais novo lançamento do autor carioca Eric Novello. Lançamento bastante aguardado por mim, devo confessar. Em primeiro lugar, por se tratar de um romance de fantasia urbana, gênero ainda tão pouco difundido nos livros de literatura nacional; em segundo, pelo tema envolvente e pela atmosfera sedutora que o livro, desde antes do seu lançamento, criou.

Deixe-me explicar: Neon Azul é o nome de um clube, boate, inferninho ou bar (escolha um dos substantivos ou use-os todos de uma vez, não faz tanta diferença assim) localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro. Um lugar onde os desejos mais íntimos e particulares afloram de forma perturbadora, no convívio com notas de piano e drinks luminescentes. Entre as figuras frequentadoras do bar, encontramos um homem que nunca dorme, um advogado com um boneco de estimação dentro de uma garrafa e um mendigo com um passado bastante intrigante. E como figura principal temos ‘O Homem’, criatura incógnita de chapéu panamá e anéis nos dedos, sempre com uma proposta irrecusável para os seus clientes.

É nesse clima de fumaça de cigarros, reflexos de espelhos e néon azulado que somos apresentados aos dez contos do livro. Neles, os personagens e as histórias se cruzam de forma não-cronológica, deixando o leitor confortavelmente confuso. O formato fix up torna tudo ainda mais interessante: é um livro sem início ou fim, que pode ser lido em qualquer ordem sem que sua essência seja perdida.

“Neon Azul” não é nem de perto um livro feliz. Os personagens são pessoas que apanharam da vida e estão sem rumo, perdidas por entre lágrimas e solidão. E essa ausência de chão, de ter algum lugar em que se firmar, é assustadoramente real e – acredito – compatível com o que muitas pessoas sentem. O Neon Azul é a fuga da tristeza, a alternativa para aqueles que estão cansados de se sentirem sós, e ‘O Homem’ é o objeto materializador desses anseios e desejos. No entanto, tal qual um agiota, ele sempre cobra juros altíssimos por seus empréstimos de felicidade momentânea.

A fantasia se apresenta de forma muito sutil em “Neon Azul”. Não sabemos se ela de fato existe ou se é mera especulação dos personagens, produto de suas mentes e de seus delírios. Essa sensação suspensa de dúvida, de não saber exatamente o que ou como as coisas acontecem, torna a história mais atraente. O autor não desafia a inteligência do leitor com explicações minuciosas sobre os acontecimentos; prefere, ao invés disso, deixar que cada um tire uma conclusão e uma interpretação própria.

Outra coisa que adorei no livro foram as referências, que vão desde Charles Chaplin e Orson Welles até Massive Attack e Jay Vaquer. Eric sabe colocar as suas influências cinematográficas, musicais e artísticas no lugar certo. Quem não ficou com ‘Só tinha que ser com você’ retumbando na cabeça depois de ler a história de Jéssica? Eu fiquei.

E a Editora Draco, como sempre, dá um show na produção editorial – e eu não vou me cansar de dizer isso. A capa está maravilhosa e a apresentação dos contos também. É quase como se você pudesse ver as luzes em néon se acendendo depois daquela piscadela e daquele barulho da corrente elétrica atravessando os fios.

“Neon Azul” é um livro que não deve ser lido apenas uma vez. É cheio de paixões, amores e desastres e, apesar da solidão e da amargura que os personagens sentem, é daqueles que você não consegue parar de ler até que chegue ao fim.

E aí reside outro grande problema: o livro não tem fim nem começo. Posso, então, dizer que cheguei ao fim?
Tainã Buendía 17/12/2011minha estante
hahhaah ai esta, chegamos ao fim? nao sou chegada a contos,sao vagos.prefiro historias, com personagens bem relatados. só comprei pq me chamou atençao o fato de os contos se interligarem




Bruna M. Silva 04/08/2011

Fix-up
Um livro diferente! Com uma escrita no estilo noir e com o gênero de romance fix-up, Neon Azul é uma boate na qual atrai as mais diversas personalidades humanas e faz com que as pessoas se sintam bem.
Não tinha ideia de como era um romance fix-up e até agora não encontrei sua definição, então para mim a definição deste estilo de leitura é uma narração de 3ª pessoa sobre várias pessoas em relação a um local em comum a elas.

Explicação do Autor: Um meio termo entre o romance e o conto. Um romance onde você pode ler os capítulos em qualquer ordem, digamos assim, ta lendo e não achou legal, vai pro final, depois volta. Várias histórias (contos?) que formam algo maior (romance?).


Pois é assim que é a narração deste livro, a cada capítulo conhecemos uma figura que faz parte do laço da boate chamada Neon Azul, e o autor faz com que cada capitulo esteja conectado por apenas um detalhezinho da vida dessas pessoas. Mas tem uma coisa que deixa sem você saber é quem é o Homem, uma figura importante na boate, o cara que comanda.
As personalidades deste livro são:

Oscar: um mendigo que vive longe das bebidas mas que faz parte do Neon, é ele que fica ali na porta esperando uma esmola dos super bem de vida. Mas Oscar não está só, ele tem ao Minotauro um cão de rua mais comportado que os demais. Mas o que levo Oscar a ser um mendigo?!
Armando: O sócio do Neon Azul, um cara com uma doença: Ele não dorme. Mas o que seria essa doença em que a pessoa não descansa?!

Murilo: Um assassino, que conversa com o espelho e tem uma grande afeição por Dita. Apesar de parecer um cara normal, ele tem fome de matar. Tipo um Dexter. Mas o que ele tem em relação ao Neon Azul?

Dita: Uma cantora querendo seu lugar na noite, com ajuda de Lucas faz um teste para ser cantora do Neon Azul, juntamente com um pianista. Seria ela o sucesso do local?

Dionísio: Um pianista clássico que tem um trabalho no museu, mas recebe o convite de Armando para tocar no Neon. Será que Dionísio irá se deixar abalar pelo lugar que possui uma aura cheia de magnetismo?

Lucas: Um escritor que estava um pouco sem criatividade e por passar em frente a boate com um toque noir resolve conhecer, e fica fascinado, nunca viu um lugar que deixasse com uma sensação de criatividade a mil. Mas será que ele seria permitido escrever sobre a boate!?

Jéssica: Uma pessoa religiosa que possuía sonhos hots e que tem dúvidas de quem ela é. Será que Jéssica foi dançarina do Neon? Mas ela é o ícone da sociedade religiosa, de acordo com o seu pastor.

Ricardo: Um cara altamente requisitado no Neon, possuía um imã de pessoas aos seu redor. Mas será que ele é uma pessoa que é de bem com a vida?!

Gabriela: Uma prostituta do Neon, muito profissional, sempre atenciosa com os seus clientes. O que será que ela sabe sobre o Homem e o que era o Neon Azul? Uma casa que vivia cheia.

Esses são os nossos personagens, cada capítulo conhecemos a fundo a história de cada um, mas e no final, o que tinha de tão especial nessa boate?!

O que achei:

Como mencionei no começo, uma leitura totalmente diferente das habituais! Eric Novello me conquistou com a escrita dele, gostei do livro por ser uma maneira diferente de ser contado.
Gostei principalmente das histórias, algumas senti falta de ter mais detalhes nelas, mas no mais todas me conquistaram. Só teve um ponto que eu fiquei triste com o livro, o mistério do dono do Neon Azul, o Homem, ele não explica nada sobre ele. Ficou muitas pontas soltas na minha cabeça… até sobre alguns personagens.
Mas no mais eu gostei do livro…
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Bruno 05/04/2014

Não conheço muito de fantasia brasileira. A princípio, meu contato com obras nacionais de ficção especulativa e fantasia no geral se deu apenas com as mais populares, que não me apeteceram. Mas eu tenho interesse em conhecer uma outra abordagem do gênero, e, procurando em outro ramo de fantasia (a urbana), resolvi ir com Eric Novello e seu Neon Azul.

Minhas expectativas foram superadas. Já esperava, por certo contato com o autor, algo diferente do que eu estava acostumado a ler no cenário brasileiro, e o encontrei: uma obra menos derivativa e algo não apenas mais interessante, mas também bastante característico. A voz da narrativa é apropriada para o estilo urbano & dark (ou, talvez, de maneira mais específicica: noir) que é a ambientação pretendida. Ao mesmo tempo, é uma narrativa sombria, mas também ligeiramente bem humorada, com um passo rápido, que remete ao ambiente metropolitano no qual a história se ambienta. Se as histórias tem o seu estilo apropriado, Eric Novello conseguiu encaixar perfeitamente sua temática ao seu estilo.

O Neon Azul é um lugar diferente. Uma fachada brilhando em azul nos leva a uma escadaria espelhada, muitas vezes comparada à que leva as pessoas ao paraíso. E em um clima quase onírico de bebidas estranhas, clientela seleta e um proprietário misterioso, as noites se passam dentro do inferninho carioca. Uma propriedade quase onírica, de desejos e tentações, permeia todo o ambiente, e se tem a impressão de que tudo, dentro daquele bar (boate?), pode acontecer.

Acompanhamos diferentes personagens em uma história dividida em dez contos. Ou dez histórias reunidas em um volume. Fica meio difícil de se descobrir, já que todas as histórias tem seus personagens recorrentes, da clientela e equipe do Neon Azul, e acabam se entrelaçando em uma hora ou outra. O elenco que vai e volta, com alguns personagens secundários tornando-se, depois, protagonistas, e vice-versa, e sem uma cronologia fortemente reforçada, dá a impressão que podemos ler seus contos em qualquer ordem, sem perder muito do efeito que o livro deve causar. Ainda assim, parece essencial que se leiam todos, para compreender um pouco mais deste lugar no qual estamos inseridos. Esta característica estrutural, esta escolha narrativa, reforça uma impressão de verossimilhança: assim como na realidade, cada pessoa tem a sua história, cada "personagem secundário" que vemos no dia-a-dia, toda uma vida que carrega, com dilemas, problemas, felicidades, e amores. Mesmo os personagens que não tiveram seu conto próprio, seu mergulho mental, dão a impressão de que, sim, eles também podem ter algo para contar. E, ao passar para a próxima história, fica a questão, que dura alguns segundos: quem eu verei agora?

Passeata-03 A obra é um livro de fantasia urbana, mas nem por isso a fantasia é explícita, ou, de alguma forma, totalmente fantasiosa. Uma aura mesclada de sonho e mistério cobrem a magia, deixando-nos sem saber se os acontecimentos bizarros que acontecem são frutos de um poder acima de todos, ou talvez de boas conexões, fumaça, espelhos, e loucura. A magia toma segundo plano frente aos dilemas que sofrem os protagonistas de cada conto, seus problemas pessoais, profissionais, amorosos... E, no final, não se explicam os grandes mistérios. Quem é o Homem, o proprietário do Neon Azul? O que é aquele lugar, afinal de contas? Por mais que eu saiba que provavelmente alguém se sentirá frustrado com estas dúvidas, não se perde nada com a falta de explicação, da mesma maneira que não se explica a magia no realismo mágico. Eles não são assim porque isso, ou porque aquilo. Eles simplesmente são.

Todos os contos (partes?) tem os seus elementos que chamam a atenção, mas destaco aqui o antipenúltimo, o meu favorito. Só tinha que ser com você é a história da dançarina Jéssica, talvez a mais quebra-cabeça da história. Amnésia e um clímax que me deixou, no mínimo, bastante surpreso. Foi bastante esperto, mas não falo mais nada para não estragar possíveis surpresas.

No mais, é um livro que me surpreendeu de forma bastante positiva; ainda vou ver se leio A sombra no sol, do mesmo autor, que me recomendaram há pouquíssimo tempo. Os poucos contras que encontrei seriam algumas inconsistências de enredo (que nem lembro, mesmo, se tinha sido isso ou se eu apenas me confundi na leitura; precisaria re-checar), mas nada que prejudicasse a experiência de leitura. É refrescante ver uma fantasia escrita de maneira com a qual não fui muito acostumado pelo mainstream.

site: http://adlectorem.wordpress.com/2014/04/05/neon-azul/
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Nínive Leikis 28/10/2010

Neon Azul
(Postada originalmente no www.arenafantastica.com)

Existe um verdadeiro desfile de palavras técnicas para descrever os encantos deste livro, mas eu tentarei evitá-las. Você não precisa entender o que significa romance fix-up ou o que seria um texto noir para gostar de Neon Azul. Tudo que você precisa é lê-lo, e não ser “politicamente correto”.

A primeira coisa que pensei quando cheguei ao terceiro capítulo e compreendi a estrutura na qual o livro foi montado, era que tratava-se de uma “história desmontável” autêntica (termo muito usado por cursinhos pré-vestibulares para descrever Vidas Secas). Mas o que seria isso? Simples. Na verdade, o livro não se trata de um romance típico, linear, que segue uma ou duas personagens em dilemas pessoais ou o que quer que seja, com começo, meio e fim. Neon Azul poderia ser classificado quase como uma coletânea de contos. Cada capítulo acompanha determinada personagem, não necessariamente dando-lhe destino certo ou algo assim. O que há em comum para todos? Simples, a presença do estabelecimento Neon Azul. E o que guia estas histórias? Os efeitos que o local causa nas pessoas.

Mas, exatamente o que é o Neon Azul? Depende. Não há resposta certa para esta pergunta, e o livro evidencia isso de todas as maneiras possíveis. Para alguns, trata-se de um boteco requintado, para outros uma casa de shows para iniciantes, alguns diriam que é um bar de jazz, outros que é um inferninho. Mas ninguém pode discordar que, não importa qual a função da casa, ela seduz e embriaga. E sequer é necessário adentrá-la para ser arrebatado por seu encanto místico. Logo no primeiro capítulo, conhecemos Oscar, um mendigo, que, encantado pela luz azul que brilha na porta, adotou aquele como seu canto, onde passa as noites segurando uma latinha e esperando uns trocados dos clientes do local. Mesmo sem ter adentrado o Neon, Oscar já encontra-se preso a ele.

Muitas outras personagens desfilaram pelos “capítulos-contos” que formam o livro, suas histórias são contadas de maneira independente da que fora narrada anteriormente, o daquela que ainda será narrada. Os únicos capítulos extremamente conectados, cujo entendimento completo depende da leitura na ordem dos três são os três últimos. Se quiser, pode ler o livro todo em diversas ordem, apenas preservando estes três como estão (um atrás do outro e por último). É comum ver figurinhas repetidas, afinal, as histórias se entrelaçam, formando uma teia que envolve o local, todas atadas por uma pessoa em especial: o Homem.

Sem nome ou rosto, cercado de seguranças, afogado em dinheiro e extremamente misterioso, o dono do Neon Azul causa nas pessoas a mesma variedade de reações que sua propriedade. Ninguém sabe suas intenções, mas, vez ou outra, ele aponta de maneira aparentemente sutil ou sem grandes repercussões, na vida de alguém que frequenta sua casa (ou que dorme na porta dela), e a partir deste ponto as coisas mudam. Não necessariamente para melhor.

Isso tudo sem falar na linguagem! E este detalhe é algo que me chamou tanto a atenção quanto as personagens. Cada capítulo tem uma narrativa diferente. Alguns são em terceira pessoa, outros em primeira, há ainda aquele no discurso indireto livre (ou seja, o narrador reproduz a voz da personagem, mas ele ainda é o narrador). Há até mesmo uma histórias que é contada ao contrário (meio ao estilo Senhora de José de Alencar), começando pelo fim e terminando no início. É como se cada capítulo incorporasse ao máximo a essência de sua protagonista, desde a maneira como as coisas acontecem, até a maneira que é contada.

O espírito brasilis, especialmente o carioca, está em toda a parte deste livro, dando a nítida impressão de que, afinal de contas, tudo ali pode acontecer. Nada impediria de, em uma esquina da cidade, aquela que você nunca deu atenção quando estava correndo para o metro ou para o ponto de ônibus, abrigar uma espécie de Neon Azul. Se alguém conhecê-lo, me avise!

Finalizo com a recomendação de que leiam este super livro nacional, e meus parabéns ao autor Eric Novello e à Editora Draco.
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mouemily 06/03/2017

Verdade seja dita, minha nota pra esse livro oscila entre 2,5 e 3,5. Teve momentos que eu curti o que estava acontecendo e momentos que eu só fiquei perdida me perguntando o que eu 'tava lendo.

A história vai e volta o tempo todo. A certa altura, um determinado personagem está em um momento de sua vida, e no capítulo seguinte ele está em outro. Confesso que isso, junto à quantidade de personagens, me confundiu bem. Eu precisava de alguns minutos para lembrar quem era quem e para entender o que estava acontecendo, uma vez que a história final só se fecha e faz sentido no último capítulo, depois de vários "contos" que formam o livro todo. Como se essa escolha narrativa não fosse difícil o suficiente, alguns capítulos são escritos em primeiro pessoa e, outros, em terceira.

No geral, a atmosfera toda me lembrou bastante Lobo de Rua (da Jana P. Bianchi) e sua Galeria Creta, só que carioca. E mais confusa. E com mais personagens. E sem deixar claro se é ou não uma história de fantasia urbana. (Afinal, é ou não?)

Apesar da minha experiência com Eric Novello não ter começado muito bem, eu continuo animada para ler Exorcismos, amores e uma dose de blues, já que a premissa desse livro me chamou mais a atenção.
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melissa 29/09/2015

Excelente!
Numa escrita fluida e cativante, Eric Novello nos leva para essa boate sombria e hipnótica, o Neon Azul.

Primeiro é preciso dizer que Neon Azul é um romance fix up. Mas que diabos é um romance fix up?

Em inglês, fix up tem vários significados, dentre eles “reparar”, “colocar em ordem” ou mesmo “rearranjar”. Na literatura, um romance fix up é aquele que normalmente começou como histórias ou contos independentes e depois foi arranjado em forma de romance. Ou seja, são pequenas histórias que partilham um mesmo arco narrativo, mas que ainda conservam seus clímaxes e encerramentos próprios (existe um debate sobre o que é fix up e o que é short story cycle, mas estou sendo teórica demais rs).

Em Neon Azul, o que une todas as histórias é o próprio lugar, o Neon Azul, uma boate que exerce fascínio sobre seus funcionários e frequentadores. Um lugar onde coisas estranhas e extraordinárias – e horríveis – acontecem. Em cada história acompanhamos personagens que às vezes se encontram – e depois se desencontram – em suas buscas por prazer e fuga. Ao todo o leitor vai encontrar dez histórias nesse ambiente urbano de luz baixa.

Vale dizer que quando comprei o ebook de Neon Azul para ler no celular – sim, eu compro antologias, contos e fix ups pra poder ler no ponto de ônibus e em filas de espera -, eu esperava um bom livro. Mas logo nas primeiras linhas percebi que seria uma leitura excelente. E foi. Eric Novello nos faz sentir o cheiro daquela boate, sentir o gosto do drink misterioso preparado por seu barman e ouvir o som dos passos de Armando, Dita, Gabriela, Lucas, Murilo e tantos outros personagens dessa história.

É sempre difícil fazer uma resenha justa para um livro que gostamos muito e acho que essa não vai ser diferente. Neon Azul é uma fantasia urbana, sim, coisas estranhas, sobrenaturais, acontecem nessa boate cujo dono, o Homem, sempre escondido sob seu chapéu, faz ofertas impossíveis em troca do improvável. Mas é também uma ótima discussão sobre nós humanos e nossos desejos mais sombrios. E se existisse um lugar em que eles pudessem se tornar mais fortes, mais paupáveis? Será que resistiríamos à tentação? E pior, o que estar tão perto dessa “energia do desejo” faria conosco?

Meus contos favoritos foram “Noites de insônia” e “A última nota”. No primeiro, ficamos mais perto do gerente do Neon Azul, Armando, um homem que nunca dorme. Uma vida assombrada vivida em dobro. Essa história me arrepiou e confesso que penso nela antes de dormir. A segunda fala sobre um pianista que vai trabalhar na boate e desenvolve uma estranha relação com seu piano. No Neon, ele consegue dar o melhor de si, mas a um estranho preço. E eu também fico pensando nessa (cheguei até a discutir longamente o assunto com meu marido no skype, rs): como seria ser o melhor artista que você pode ser? Isso realmente não enlouqueceria?

Esses foram os que me deixaram reflexiva, mas não se engane, todos os contos são excelentes.

Mas Melissa, o livro tem final?

Não do jeito que estamos acostumados. Como um romance fix up, Neon Azul não segue uma trajetória linear. Os personagens se cruzam e cabe a nós, leitores, dar significado para suas experiências. Então já aviso que se você é daqueles que gosta de finais felizes onde tudo é explicado talvez esse livro não seja pra você. Ou talvez você só precise tentar algo novo com um novo olhar!

Literatura nacional de qualidade altíssima. Mais que recomendado! E com certeza lerei mais livros do Eric Novello.

site: http://livrosdefantasia.com.br/2015/09/25/neon-azul/
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waltertierno 12/09/2010

As sete faces do Doutor Lao com Plinio Marcos
Saí da Fantasticon 2010 carregando uma sacola com vários livros e revistas. A maioria entregue por Silvio Alexandre, organizador do evento. Depois do chamado “bate-papo” em que eu, Douglas MCT, Eric Novello e Raphael Draccon deveríamos ter discutido sobre elementos brasileiros em literatura fantástica, o Eric presenteou-nos com seu recém-lançado livro “Neon Azul”. Gostaria de ter retribuído o gesto, mas os três livros que eu levara na mochila já tinham destino certo. Por sorte, ele mora perto o suficiente de minha casa para que eu possa remediar a situação.
De tudo o que eu trouxe para casa, “Neon Azul” foi o que mais chamou nossa atenção, minha e de minha esposa. Ela leu uns trechos. Depois, devolveu-me o livro e disse: “Leia. Você vai gostar deste”. Li.
No meio da leitura, cheguei a postar no Twitter que havia descoberto uma forma de classificar “Neon Azul”: uma mistura de “As sete faces do Doutor Lao” com Plinio Marcos. Agora, creio, chegou a hora de explicar.
O romance é uma coletânea de contos aparentemente independentes, que possuem uma ligação entre eles. É o chamado “fix up”. Eu, particularmente, considerei desnecessário estampar isso na capa, mas vamos em frente.
O tal “Neon Azul” é o nome de um bar, que é propriedade de um misterioso personagem, conhecido apenas como “o Homem”. Este manipula os outros personagens que circulam em seu bar. Suas motivações nunca ficam claras.
O autor não perde muito tempo com descrições dos personagens. Prefere se concentrar em suas histórias e deixar que elas nos mostrem de que são feitas aquelas pessoas. Esse artifício, a princípio, causa incômodo, pois é fácil confundir os personagens. Embora o bizarro de suas situações seja único, suas diferenças pessoais, como forma de falar e agir, são sutis. Mas, ao passar das páginas, o leitor perceberá que é um trunfo, e dos mais geniais. Se foi intenção do autor, demonstra domínio de sua obra. Se foi acaso, foi o mais genial e sortudo que vi nos últimos anos.
O ponto de ligação dos personagens é profundo e os transforma. Ao frequentarem o bar a transformação os aproxima e os faz convergir. Daí, minha comparação com o Doutor Lao. Para quem não se lembra ou nunca ouviu falar, “As sete faces do Doutor Lao” é um filme rodado na década de 60 e apresenta um velhinho chinês que chega a uma cidade no Oeste norte-americano do final do século XIX com um circo de maravilhas, habitado por sete criaturas. O desenrolar do filme sugere que as sete criaturas são personificações do velho chinês. O mesmo parece acontecer em “Neon Azul”. Todos os personagens fazem parte de uma única personalidade, que é misteriosamente atraída pelo bar.
Apesar do fantástico das situações, as reações dos personagens são humanas e, por isso, imperfeitas. Não há concessões. Você não tem como saber quem se dará bem ou mal. As cenas de violência e sexo são cruas, secas e agressivas. A ironia que se apresenta em momentos inesperados é cáustica e inteligente. Um ar de canalhice permeia a leitura, e isso é muito interessante.
Os contos são apresentados ora em primeira pessoa, ora em terceira. Se existe algum padrão que determine a escolha da pessoa, não prestei atenção suficiente para perceber. Fato é que essa transição conferiu agilidade à obra.

Leitura que eu recomendo!

Se existe algum ponto negativo no livro, não coube ao autor. Uns errinhos de revisão aqui e acolá, mas estão ainda dentro da média. Embora as pessoas venham comentando euforicamente sobre a capa, eu acredito que uma solução mais gráfica, com paletas mais definidas resultaria em uma solução muito melhor.
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Guilherme.C 18/11/2016

Gostei
Histórias enigmáticas que faz com que o leitor acredite se aquilo é real ou místico. Gostei, é diferente.
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ArenaFantástica 10/03/2011

ARENA FANTÀSTICA - Resenha: Neon Azul
Existe um verdadeiro desfile de palavras técnicas para descrever os encantos deste livro, mas eu tentarei evitá-las. Você não precisa entender o que significa romance fix-up ou o que seria um texto noir para gostar de Neon Azul. Tudo que você precisa é lê-lo, e não ser “politicamente correto”.

A primeira coisa que pensei quando cheguei ao terceiro capítulo e compreendi a estrutura na qual o livro foi montado, era que tratava-se de uma “história desmontável” autêntica (termo muito usado por cursinhos pré-vestibulares para descrever Vidas Secas). Mas o que seria isso? Simples. Na verdade, o livro não se trata de um romance típico, linear, que segue uma ou duas personagens em dilemas pessoais ou o que quer que seja, com começo, meio e fim. Neon Azul poderia ser classificado quase como...

LEIA MAIS EM:
http://arenafantastica.com/2010/10/27/resenha-neon-azul/

OU

arenafantastica.com
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criscat 01/03/2012

Neon azul
Comentários no meu blog: http://goo.gl/0JW8e
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Tânia Souza 17/06/2011

Um mergulho em azul
Quando terminei de ler Neon Azul, fiquei olhando a capa e pensei em uma frase ou um pensamento que pudesse transmitir minha impressão de leitura, surgiu esta: cada personagem de Neon Azul vai permanecer na imaginação do leitor mesmo depois do não-fim.

Em qual sentido não-fim? O universo em torno a este lugar quase impossível de se descrever ou caracterizar, apesar de ser feito muitas vezes no livro, não se esgota na última página, Eric Novello consegue captar a atmosfera surreal, fantástica e ao mesmo tempo, decadente de dias e gestos que nem sempre conseguimos ou desejamos compreender.

Enquanto o tecido narrativo vai se compondo, é quase possível sentir a presença do Homem, do neon chamando. E que homem é esse? Em cada leitor, a resposta a sua presença quase sutil, por vezes imperceptível e ao mesmo tempo tão densa, vai ser diferente. Assim como este é um romance diferente, inusitado e muito, muito consistente.

Se algumas páginas são luminosas ou repletas de sombras e sugestões, em outras, o neon se entranha aos olhos do leitor e a sombra se veste de luz, a luz se esconde nas sombras. Jogo de esconder, procurar e nem sempre encontrar. Quem é quem depois que a porta do Neon Azul se abre aos nossos olhos já não importa tanto. Não sei, não é preciso saber.

Essas histórias entrelaçadas em azul têm o dom de inquietar, mas também seduzir.


Por Tânia Souza
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JJ 02/11/2011

Neon Azul, do jovem escritor, tradutor e roteirista carioca radicado em São Paulo, Eric Novello me chegou às mãos por intermédio de sua irmã, a igualmente talentosa cantora Cassia Novello (mais informações sobre os dois podem ser vistas em HTTP://ericnovello.com.br e HTTP://cassianovello.com.br). O romance fix up por definição lançado em 2010 utiliza como ponto central um local chamado Neon Azul, que dependendo do capítulo e da visão da personagem que o protagoniza, pode ser chamado de inferninho, boate, restaurante, etc. O texto é construído com uma inteligência e maturidade incomum para um jovem autor, eis que cada capítulo foca em um personagem que quase sempre é coadjuvante de um conto anterior ou posterior.

A arte do livro é um destaque à parte, com capa e ilustrações internas belíssimas, recheando uma obra instigante e de grande impacto. Qualquer descrição da trama prejudicará a leitura de quem se interessar por Neon Azul, que por ser claramente uma fantasia urbana (e, comemorem, tipicamente brasileira) consegue comungar elementos dos contos viscerais de Rubem Fonseca e do extraordinário mundo de Edgar Allan Poe.

O terceiro romance de Eric Novello traz algumas diferenças para seu livro de estreia, Dante - lançado em 2004. Conhecido pela excelência de seus contos, a primeira aventura de Eric em textos maiores foi bem sucedida, trazendo um romance histórico com elementos de fantasia. Novello transita entre a Roma da época de Julio Cesar e a mistura com elementos de mitologia de maneira tão familiar, que Dante poderia ser lançado em qualquer lugar do mundo que angariaria adeptos com facilidade. No ano de 2005 ele lançaria Histórias da Noite Carioca, que ainda não tive oportunidade de ler.

Já em Neon Azul a construção do ambiente é toda feita pelo escritor, que partiu de um dos inferninhos localizados nas ruas de ligação do centro financeiro do Rio de Janeiro para criar uma gama de personagens e histórias jamais vistos. O texto igualmente possui linguagem universal e mostra as relações obscuras entre personagens que precisam conviver com suas próprias solidões. Mais que isso, o livro é a confirmação da evolução de um autor que parece saber exatamente o que leitor de hoje deseja ler. Essa obra específica parece ter o condão de pedra fundamental de uma sociedade extraordinariamente comandada por Eric Novello, que merece ser trazido cada vez mais à superfície. Tanto que, ao final, lamentamos suas menos de duzentas páginas, pois quando a porta do Neon Azul se abre, a imaginação e a qualidade da escrita de Eric Novello parecem ser inesgotáveis.
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Taverneiro 11/04/2017

Noir sobre a luz do Neon Azul
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Vocês costumam sair muito? Muitos bares ou boates? Quantas vezes vocês usaram a meia-luz para esconder seus pequenos vícios e se libertar das correntes da sua rotina? Neon Azul, do escritor Eric Novello conta as histórias que rodeiam um desses lugares de sombras e libertação, onde você pode realizar seus desejos sem se importar com o mundo lá fora. Vamos ao Livro…


Lançado pela Editora Draco em um passado distante, esse livro meio de suspense, meio de fantasia urbana com clima noir tem um formato de pequenos contos interligados de maneira sutil entre os personagens e de maneira profunda com a boate que dá nome ao livro…

São dez histórias curtas com vários personagens diferentes, mas que mantem a mesma atmosfera de segredos e prazeres que permeiam a boate. Algumas dessas histórias compartilham personagens e interferem de alguma forma uma na outra, mas a principal ligação, e eu diria também o principal personagem, é a própria boate.

As histórias possuem um clima urbano, e o tom de mistério com toques de sobrenatural estão presentes em todos. Não acho que poderia ser considerada uma fantasia urbana por ser tudo muito pontual e, ao mesmo tempo, incerto. Fica difícil saber se o sobrenatural está realmente lá ou existe apenas na mente do protagonista. De qualquer forma o foco não é o que foge da realidade, e sim o que se passa com cada personagem.

Com uma escrita concisa e habilidosa, o autor faz descrições que te colocam dentro das histórias, e seus diálogos sem muitos floreios deixam ainda mais confortável e imersiva a leitura. Ele mantém o mesmo estilo narrativo na maior parte das histórias, tendo algumas onde experimenta alguns mais peculiares, como o formato de uma entrevista, por exemplo.

Falando um pouco mais sobre os personagens que são uns dos pontos mais fortes desse livro. Entre eles um homem que nunca dorme, um empresário falido que virou mendigo, um assassino que atravessa espelhos, o misterioso proprietário da boate conhecido apenas como O Homem, entre muitos outros bons personagens. Todos muito peculiares e muito bem trabalhados.

Mas o que mais se destacou para mim foi a atmosfera incrível de todos esses contos. A boate parece envolta em segredos, com um clima sombrio e ao mesmo tempo luxurioso, trazendo um tipo de solidão esquisita, e todos os contos e personagens que se encontram na Neon Azul parecem carregar essa atmosfera com eles. Sério, conforme você vai lendo é quase palpável a luz fraca, os drinques, o lugar lotado de desconhecidos… Eric Novello fez um trabalho de clima e tom de cair o queixo nessas histórias. O autor deu vida a boate Neon Azul com sua escrita.

Esse livro é curtinho e, por ser formado de pequenos contos, torna a leitura mais tranquila ainda. Com personagens e diversas tramas instigantes com um clima urbano e uma escrita viva e hipnotizante, Eric Novello fez aqui um livro memorável! ^^
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site: https://tavernablog.com/2017/02/26/neon-azul-e-a-vantagem-dos-contos-dica-da-taverna/
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igoortc 16/10/2010

Resenha do livro Neon Azul
leia a resenha em meu site: http://www.somoscriativos.com/2010/10/resenha-do-livro-neon-azul.html
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