Uma Criatura Dócil

Uma Criatura Dócil Fiódor Dostoiévski




Resenhas - Uma Criatura Dócil


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Aguinaldo 08/02/2011

uma criatura dócil
Estive na Bienal do livro de São Paulo e, claro, fui ao estande da Cosac & Naify. Don Renato Cohen sempre me pede para esperar a queima de livros da Cosac que acontece em novembro dentro do campus da USP, mas eu sou um incorrigível gastador. Namorei uns tantos, mas acabei comprando apenas dois, um romance curto de Samuel Beckett e este "Uma criatura dócil", romance igualmente curto de Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski. Já faz tempo que ando pensando nos russos e estou devendo o início desta travessia literária, mas contorno a montanha e não me atrevo a enfrentá-la. Sou o fiel depositário de três tijolos de don Renato: Os demônios, Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov, ainda vou cumprir a promessa e lê-los na seqüência. Para afiar os dedos peguei "uma criatura dócil", romance que o autor chamou de "narrativa fantástica". A edição é muito bonita, claro, com ilustrações de Lasar Segall e dois ensaios que contextualizam o texto e as ilustrações. A história é simples, um sujeito ganha a vida em uma casa de penhores, explorando clientes e desesperos. Uma moçinha penhora um ícone da Virgem e para resgatá-la (pois trata-se do único objeto importante para ela) acaba por se casar com o vil proprietário da casa de penhores. Mais que um casamento o que se pactua é um sistema de humilhações cotidianas e degradações morais, pois há mais assimetrias entre eles que um afeto pode mitigar: assimetrias de classe, de idade, de poder (e claro, sexo.) O narrador é o agiota, transtornado, louco. Retrospectivamente ele tenta explicar como seguiu (por vezes acredita ter sido quase a contragosto) a espiral de assédio moral que obrigou sua mulher a buscar desesperadamente saídas radicais. Dostoiévski nos ensina como a opressão funciona mesmo nas relações mais cotidianas e como é difícil para um tirano e sua vítima escaparem da sina que os une. Belo livrinho.
"Uma criatura dócil", Fiódor Dostoiévski, tradução de Fátima bianchi, editora Cosac & Naify, 1a. edição (2003) brochura 13.5x20cm, 96 págs., ISBN: 978-85-7503-197-X
pc 21/11/2015minha estante
Caro Aguinaldo,
Li também "a dócil", ed.34, e notei que "São Bernardo" de Graciliano Ramos é praticamente a mesma estória, adaptada a personagens e ambientações diferentes. Pesquisei na internet e não encontrei nada sobre isso. Você já leu "São Bernardo"? o que acha?

Concordo contigo sobre a opressão, a tirania cotidiana, porém tenho minhas dúvidas de que o opressor ( que também foi um oprimido, um humilhado), tinha consciência da opressão que perpetuava. Parece que por ter sofrido, e por reconhecer em sua esposa as marcas da opressão, gostaria de ser visto como seu salvador, ficou frustrado por isso não ocorrer. Se regenera ao longo da narrativa, mas não a tempo de salvar sua esposa que entra em colapso com a mudança repentina da situação. É um tanto complexa esta relação vítima-opressor, pois a estória teria tudo para um desfecho feliz, mas a "vítima" parece ter dificuldade também em conviver fora de uma realidade de opressão.




Francisco.Assis 26/04/2020

Um personagem egocêntrico
Toda a perspectiva narrativa é de um personagem egocêntrico, covarde e levemente sádico. Ainda não tinha lido nada assim.
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Sol Belchior 18/09/2011

Fantastic!!!
Uma obra de se devorar, se angustiar, se questionar e se desesperar...
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Ana Emilia 09/05/2012

Um monólogo verborrágico genial!

Dostoiévski nos presenteia com um livro simples e inteligente. Conta a história de um penhorista que reflete sobre as causas que levaram sua jovem esposa a se matar. O personagem mergulha em si e na sua angústia, no seu egoísmo e na sua presunção. Ora assumindo a culpa, ora livrando-se dela.

Apesar da edição que consta aqui no Skoob ter 96 páginas, o livro é uma novela curta. A edição que li tinha 28 páginas. Li em duas manhãs.
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Paula Kerouac 24/05/2020

Leitura rápida.
O livro pode ser lido em uma tarde, como foi meu caso. Recomendo como obra de introdução ao Dostoiévski para aqueles que tem certo receio do Autor...
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Vanessa 28/09/2014

Fragmentos
Os homens estão sozinhos na terra, essa é a desgraça! (...) Dizem que o sol dá vida ao universo. O Sol esta nascendo, olhem para ele, por acaso não é um cadáver? Tudo esta morto, e há cadáveres por toda a parte. Os homens estão sozinhos, rodeados pelo silêncio isso é a terra! - Fiódor Dostoiévski (Uma Criatura Dócil)

Você não sabe com que paraíso eu a teria cercado. O paraíso estava em minha alma, eu o teria plantado em seu redor. - Fiódor Dostoiévski (Uma Criatura Dócil)

Sou mestre na arte de falar em silêncio, passei minha vida toda conversando em silêncio e em silêncio acabei vivendo tragédias inteiras comigo mesmo. - Fiódor Dostoiévski (Uma Criatura Dócil)
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LER ETERNO PRAZER 02/03/2015

A dócil!
Nessa pequena novela,Dostoievski nos mostra uma breve mais intensa narrativa sobre um homem solitário,autoritário,articulador que ganha à vida como penhorista.Esconde um passado ridicularizado pelos que o conhecem.Pois em tempos passados, nosso penhorista, também o nosso personagem narrador, ao ser desafiado para um duelo, covardemente fogi.Silenciado esse seu passado nosso personagem vivi agora com seu negócio de penhor e é até que se depara com uma jovem que frequentemente corre para lhe penhorar algum objeto.Ao observar detalhadamente a jovem nosso personagem resolvi lhe pedir em casamento se compadecendo de sua situação.E assim o faz.Usando da condição financeira precária da jovem, o penhorista procura domina-la diante de sua superioridade tanto financeira quanto em relação à diferença de idade que há entre os dois.O penhorista usa de todo seu poder e como um tirano tenta se impor como gerenciador do casamento e dos sentimentos da pobre moça.Mas o tirano enfrenta dificuldade,pois a jovem moça o enfrenta com desdém e o ignora em algumas situações onde ele tenta domina-la.A jovem torna-se então,de dócil, em um algoz e tirana criatura.Mesmo com toda a força de sua juventude nossa “dócil criatura” sucumbe ao poder do tirano e não vendo outra solução para sua vida,atira-se do alto de uma janela para morte.
Em “Uma criatura dócil” podemos ver todo o realismo de um relacionamento com tantas diferenças: De um lado, um homem de meia idade, solitário, autoritário, controlador e tirano. Do outro uma jovem moça, pobre, ingênua, sem mãe, sem, recursos, totalmente inexperientes para viver um relacionamento matrimonial. Dostoievski em poucas páginas e com uma narrativa rápida nos dá vários pontos para reflexão.”Uma criatura dócil”nos surpreende pela clareza narrativa,pela profundidade do realismo. Uma história curta, mas que entre suas linhas podemos extrair, como já disse, muitos pontos para reflexão.
Dostoievski como recomendadíssimo sempre.
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Caroline 18/01/2016

Um penhorista chato, uma narrativa excelente
Uma criatura dócil foi mais um daqueles livros que comprei no escuro, sem ler sinopse, confiando apenas no autor e na seleção da editora, e não me arrependi.

Dostoiévski narra a história de um penhorista, um homem egoísta, machista e irritante, que tenta entender a morte de sua esposa. Diante de seu corpo morto, ele, o narrador sem nome, nos conta como conheceu sua esposa, as circunstâncias do casamento e um pouco do cotidiano, refazendo sua trajetória a fim de descobrir as causas daquela morte.

A história em si não me agradou, mas a escrita é tão incrível que fica difícil achar algo ruim. A angústia daquele homem que não quer se culpar é sentida nas palavras e suas repetições. O conflito enorme que se passa em sua cabeça é exposto com maestria e é impossível não sentir um pouco de piedade, mesmo diante de um chato egocêntrico.

Pelos olhos do narrador, Dostoievski nos traz dois personagens cheios de camadas, complexos e muito bem apresentados, e critica aquele tipo de casamento, a impotência da esposa e a infelicidade de ambos.

O que dizer da última linha do texto? Será? É, talvez seja quase sempre assim, só percebemos quando não mais temos.

3.5/5

ig: @historiasdepapel_

site: www.historiasdepapel.com.br
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Julia 17/03/2020

Minha primeira experiência com audiobook
Foi ótimo escutar essa história, pois o narrador dava a ênfase necessária em algumas parte e conseguia passar a gravidade necessária com a voz. Recomendo.
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JOY 01/06/2020

"Os homens estão sozinhos, rodeados pelo silêncio - isso é a terra!"

O livro aborda relações baseadas no silêncio. Não há comunicação, não há troca, só resta o silêncio.

De modo geral, o livro é um belo retrato da "tristeza não falada": os equívocos gerados pela interpretação do silêncio das pessoas.
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Micael 13/07/2020

Vale a pena
Bem leve, rápido e fácil de ler.
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Kleysonks 14/06/2020

Tenebrosa Rotina
"Pois é, por enquanto ela está aqui, ainda está tudo bem: venho olhá-la a cada instante; mas amanhã será levada, e como é que irei me arranjar sozinho?"
Um agiota de 41 anos, por suas próprias palavras egoísta, desagradável, que além do mal não faz nada, num casamento com uma menina de 16 anos, pobre e uma criatura dócil, também nas palavras dele. Ele está narrando esta história a partir de seus pensamentos enquanto ela está morta encima da mesa após cometer suicídio.
Recomendo demais a leitura, é tratado muito acerca de desigualdades, do silêncio no sofrimento, na indiferença, diferença e no amor. Incrível como Fiódor apresenta a dualidade do ser humano, meu pensamento foi sendo confrontado e mudado em todo o decorrer do livro, a obra tem muitos conflitos a apresentar. É uma novela que pode ser lida facilmente numa sentada, em poucas horas, sendo ainda uma ótima iniciação para quem quer ler Dostoiévski!
"A rotina! Oh, a natureza! Os homens estão sozinhos na terra, essa é a desgraça! "Há alguma alma viva sobre a terra?", grita o bogatir russo. Eu, que não sou bogatir, grito o mesmo, e ninguém dá sinal de vida. Dizem que o Sol dá vida ao universo. O Sol está nascendo, olhem para ele, por acaso não é um cadáver? Tudo está morto, e há cadáveres por toda parte. Os homens estão sozinhos, rodeados pelo silêncio - isso é a terra! "Homens, amai-vos uns aos outros" -
quem disse isso? De quem é esse mandamento?"
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Wly | Wlysbooklovers 18/05/2018

Um livro bem... '-'
UMA CRIATURA DÓCIL - DOSTOIÉVSKI
.
Nessa novela, vemos os devaneios de um agiota, dono de uma casa de penhores sobre as causas do suicídio de sua jovem esposa. Sem nomes dos protagonistas, a história se desenrola de forma que o viúvo, ora conversa consigo mesmo, ora com um ouvinte imaginário.
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Ele busca os motivos para uma criatura tão dócil fazer o que fez, pular da janela com uma imagem nas mãos. E nessa busca, vai e volta no passado, desde o dia que a conheceu, até o dia de sua prematura morte.
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É um livro que te leva a pensar (eu sempre penso, penso muito, demais até!), vemos os modos como eram tratadas as mulheres naquele século, vendidas ao que oferecesse um preço melhor, a solidão, o silêncio e o início da depressão, com direito a episódios de crises de pânico e tudo mais. Não é um livro cansativo, tendo em vista o número reduzido de páginas.
Recomendo!
4/5 ?
Novela/drama ?
Classificação indicativa 12+ ?
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