O Idiota

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Resenhas - O Idiota


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Math. M 05/07/2016

O verdadeiro Idiota.
É estranho começar a resenhar o livro que me fez abrir esta conta no Skoob para que eu pudesse ver se as pessoas compartilhavam da mesma opinião que eu. Fico surpreso vendo a quantidade de pessoas que não gostaram do livro, afinal, enquanto uns dizem não ser o melhor do autor, considero a leitura deste como sendo uma das, se não a melhor experiência literária que tive.
Foi muito bom passar as noite acompanhando as trajetórias das personagens sem saber qual o rumo a história tomaria. Confesso que o livro exige certa paciência: as personagens possuem vários nomes/apelidos, o que as vezes faz com que o leitor se perca na leitura, mas é apenas uma questão de costume. Não é um livro fácil de ser lido, exige dedicação do leitor, por isso recomendo alguns materiais de apoio ao longo da leitura, como dados biográficos do autor, assim como dados de costumes russos (que me ajudaram bastante).
Trata-se do primeiro livro de Dostoiévski que li e posso dizer que foi o que me permitiu explorar as outras obras do autor. A leitura flui de uma maneira muito boa, salvo alguns momentos de paradas no núcleo principal (a história do príncipe Míchkin) durante atos em que a leitura ficava arrastada, mas logo o autor nos recompensava e a narrativa voltava a fluir agradavelmente.
Destaco que a personagem que mais me admirou na história foi a secundária Lisaveta, que, como todos os outros, tem o seu momento na trama. O final do mesmo é um dos melhores que já li! Todo o simbolismo e a forma como é narrado nos faz perceber quem sãos os verdadeiros idiotas, ruins da sociedade, além de ser possível ver um lado mais "íntimo" de Dostoiévski, que expõe suas vivências, opiniões e críticas à sociedade russa da época.
Concluindo, O Idiota é o livro mais subestimado do autor. Triste saber que a atenção fique com Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov.
Livro que trata de questões atuais e que merece ser lido.
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Jonathan Hepp 20/02/2016

Dostoievski acreditava que um homem honesto, justo, puro e altruísta, em meio à nossa sociedade corrompida, seria sempre visto como um idiota. E é assim que ele nos apresenta o Príncipe Míchkin, um homem que viveu grande parte da sua vida recluso e sob cuidados médicos por conta de sua epilepsia. Circunstâncias inesperadas o forçam a se introduzir na sociedade de S. Petersburgo e, em pouco tempo, se vê cercado de intrigas, disputas e escândalos que ele mal compreende.
Ao acompanharmos a história pela perspectiva do Príncipe, a narrativa se torna intencionalmente distorcida e contraditória. Os personagens parecem estar sempre escondendo os fatos mais importantes. Temos mesmo a impressão de que existe um segundo enredo se desenrolando longe da visão do leitor.
O Idiota costuma ser comparado a Dom Quixote. Mas enquanto Cervantes nunca deixou dúvidas a respeito da insanidade de Alonso, Dostoievski permite que o leitor decida se o Príncipe Míchkin merece o título que lhe é atribuído, ou se é, na verdade, o único personagem lúcido em meio à um mar de loucura.
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Michel 26/01/2016

Um pouco confuso
Já é a segunda vez que leio o Idiota. A primeira foi dez anos atrás. Pensei que uma releitura me traria novas luzes sobre esse livro. É um pouco confuso, disperso, prolixo. Duas coisas apenas me chamaram a atenção: o desespero diante da morte e a opinião de Dostoiévski sobre a Igreja Católica.
O livro está bem distante de suas obras-primas. Não canso de ler Crime e Castigo. Esse, aliás , além dop livro já assisti ao filme três vezes.
Mas, apesar de não ser sua melhor obra, é um livro que dá pra ser encarado. Basta ter paciência...
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Leonardo 23/01/2016

Epilepticamente confuso
Esse livro é confuso... tão confuso como (imagino) uma crise de epilepsia ou, caso eu quisesse ser condescentende com Dostoiévski, como a realidade. Com certeza, amigos, o melhor de Dostoiévski não está aqui. O melhor de Dostoiévski é Crime e Castigo é Os Irmãos Karamázov. E ponto.
Não vou elogiar algo que me proporcionou uma leitura digna de um analfabeto funcional. Apesar de ter lido e relido (e muito bem, diga-se de passagem) as duas principais obras do escritor, não compreendi O Idiota como acho que deveria.
Para falar a verdade, compreendi que esse livro poderia ser escrito em pouco mais de cem páginas. O livro contém personagens arquétipos do universo dostoiévskiano: triângulos amorosos, mulheres que brincam com a nossa sanidade, personagens puros (em meio ao caos)... mas tudo de forma prolixa.
Algumas passagens autobiográficas do autor são interessantes (como a questão do desespero diante da finitude que a morte iminente no cadafalso suscita). Algumas opiniões pessoais do autor colhidas aqui e ali também são interessantes.
Mas é necessário peneirar essas poucas pepitas de ouro em meio a um lamaçal de prolixidade.
Li o livro do começo ao fim e a sensação que tive é de que o final do livro é digno (no pior sentido) de seu nome. Mas pode ser que o idiota, no fundo, seja eu (não descarto essa hipótese, embora a esteja usando mais para efeito de trocadilho).
Já li muitos clássicos da literatura e já li bastante Dostoiévski para ter a segurança de emitir a opinião que estou tendo.
O rei está nu, camaradas. Não vou dizer que a roupa do rei é bonita quando na verdade o que estou vendo é alguém nu diante de mim. Não mesmo. Não preciso, para parecer inteligente, dizer que gostei e entendi algo que, pra mim, é a materialização da prolixidade em seu estado mais puro.
Sabemos que a literatura russa nos traz a dificuldade de nos apresentar personagens com nomes compostos compridos, cheios de consoantes e apelidos... mas nesse livro, além disso, os personagens possuem mais de um nome (pasmem). Bem que a editora 34 (ou qualquer outra que promova a tradução) poderia providenciar uma lista de nomes dos principais personagens (a exemplo do que ocorreu com a edição dos Irmãos Karamázov). Mas me parece que a intenção era essa mesma: confundir o leitor, tragá-lo para dentro de um universo em convulsão epiléptica.
O Idiota, em síntese, é um livro recheado de muitos personagens que passam de forma confusa, desconexa e superficial pela vida do Príncipe Míchkin.
Dou duas estrelas por conta do estilo do autor, que é algo que me agrada e que influencia a minha escrita. Só acho que, nesse livro, o estilo do autor foi muito mal aproveitado.

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Malu 09/09/2015

Um livro que incomoda por retratar a deformação de cada indivíduo e da sociedade
É uma leitura simples considerando o estilo literário, mas ao mesmo tempo complexa e desconcertante quando nos coloca em contato com personagens que estão vivendo situações e discussões acaloradas e difíceis. Muitos desentendimentos e pessoas colocadas na parede, julgadas, humilhadas e testadas. É um livro que nos faz pensar o quão doente é nossa sociedade e algumas pessoas não passam de personagens ao invés de pessoa humana. Uma pessoa boa e pura consegue sobreviver em meio a esse cenário? Consegue lidar com tantas personagens corrompidas? Ou é engolida e destruída?

Um dica que vou aplicar para as próximas leituras das obras de Dostoiévski: Farei uma lista com o nome dos personagens, breve resumo do perfil, e outros apelidos, ou forma abreviada do nome. Pois, além dos nomes russos já serem difíceis de memorizar, Dostoiévski ainda utiliza de nomes abreviados e apelidos em vários momentos do livro.
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João Souto 03/09/2015

Quem é o Idiota?
É simples. A pergunta enaltece todo o objetivo central da obra. A discussão moral. O personagem central surpreende pelo inabalável senso moral e fé no homem a ponto de querer soltar o livro sobre a cama, tomar um café, água, suco, cerveja e pensar e pensar, até finalmente pegarmos novamente o livro e prosseguir a leitura. A torcida, claro, fica em quem será que ele vai escolher na sua jornada afetiva. O desfecho é surpreendente. Então você para e pensa: óbvio, faz todo o sentido visto...

Demorei para terminar o livro, alguns trechos são prolixos, não ruins, apenas prolixos, algo que num metrô ou ônibus não favorece. Voltamos ao livro. Aborda-se paixão com racionalidade, o que é e como se sente, vícios, amor ao próximo, seus limites, moralidade e claro, a superficialidade de uma sociedade hipócrita. O livro é repleto de referências as questões morais, toda a obra basicamente provoca discussão nesse tema, além de trazer ao leitor a falsidade de alguns personagens que mais parecem aquele desafeto pedindo algo a gente, enfim hipocrisia. A obra é extensa, complexa e desafiadora. O que é ser bom?, eis a pergunta.

Leia o livro, não se deixe enganar. A obra é sensacional, os personagens são elaborados com muito cuidado, como se existissem, by Dostoievski, todos sensíveis as influências de seu meio reagindo e moldando-se a ele.
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Augusto 15/03/2015

Entre Dom Quixote e Jesus Cristo
O Idiota irá começar com a chegada do Principe Míchkin à São Petersburgo. O personagem principal é intitulado por todos os que o conhecem como "Idiota", mas esse título que hoje é comumente associado como um defeito, no contexto do livro está mais para uma virtude, o príncipe é bom, honesto e confia nas pessoas. A inspiração para a composição da personagem partiu de duas personagens clássicas da literatura ocidental: Jesus Cristo e Dom Quixote. O livro está permeado por personagens, o grande destaque, para mim, foram as personagens femininas, sobretudo Nastássia Filíppovna. Dostoiévski escreveu o seu livro em meio a crises de epilepsia, que transfere para o seu personagem principal. Um livro para ser lido com calma, aproveitando cada passagem, cada diálogo, cada personagem. E um final espetacular.
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JCS 23/02/2015

Para mim esse livro é a segunda melhor coisa que Dostoyevsky fez em sua carreira, depois de Irmãos Karamázov. Não é uma escolha fácil, de certa forma o certo seria não escolher, mas quanto mais eu penso nesse livro mais claras se tornam suas qualidades.

A história é quase o contrário de Crime e Castigo, enquanto Raskolnikov busca justificar sua superioridade em relação às outras pessoas, nem que para isso ele tenha que realizar atos moralmente condenáveis, Mishkin é o símbolo da bondade em sua forma mais pura, sempre altruísta e inocente. Ainda que ele seja um personagem "bom" a história não tem um ar menos sombrio que os outros romances do autor.

Suas personagens, como a maioria das personagens do autor, não passam por nenhuma grande evolução psicológica durante a trama, o que vemos são suas diversas tonalidades com certos alinhamentos morais devido aos resultados de suas ações. Portanto do começo ao fim Mishkin é Mishkin, seus atos e maneirismos nunca traem seu caráter, o mesmo pode-se dizer de todos os outros personagens, o que torna o destino de Mishkin, Nastássia e Rogojín ainda mais sombrios devido ao inalterável rumo guiado pelas suas ações.

Mishkin não é um personagem que precisa de redenção, então não temos um final como de Crime e Castigo onde o Castigo vem na forma do sofrimento moral, Mishkin não precisa sofrer moralmente pois não é condenável, ao invés disso ele precisa sofrer por ser muito bom em um meio em que a inocência e a bondade são sinais de fraqueza. É incrível o trabalho do autor em nos fazer sentir a culpa que falta aos personagens que cercam o príncipe.
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Peterson Boll 20/02/2015

A analogia entre o Príncipe Míchkin e Dom Quixote é ponto comum, as raias da obviedade: ambos são almas nobres perdidas em um mundo de iniquidades. Mas enquanto De la Mancha tenta criar um mundo fantástico dentre o mundo real, Míchkin imiscui-se no mundo real com sua sinceridade, e não pretende mudá-lo, mas tenta sobreviver no meio das intrigas e ganâncias. Mais uma obra repleta de personalidades únicas (e que também são amplamente universais) do Mestre Dostoiévski.
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Ricardo Rocha 16/02/2015

Não é uma questão apenas teológica
o idiota é exuberante no bom e mau sentido. ao contrário de Crime e Castigo e Karamazov, nascidos aparentemente de projetos mais ou menos claros, aqui há idéias quase soltas e fatos autobiográficos impregnando o personagem que muitas vezes parece à deriva. Longe de depor contra o livro, isso acaba por ser uma virtude, pois mostra um dostoiveski que trabalha bem sua escrita em qualquer circunstância e em qualquer situação é de sublime prolixidade. do rápido de Varsóvia cortando o frio (vale lembrar a bela adaptação de Kurosawa, que faz tremer nesse trecho, de tão geladamente branco) até o epílogo, destaca-se esse caótico painel da bondade em meio malvadezas, uma bondade foi o ideal contra o qual o autor lutou até o fim de sua torturada existência
Peterson Boll 20/02/2015minha estante
As palavras de Aglaia Epantchiná que encerram o livro, simplesmente são arrepiantes.




Rosana 18/05/2014

O moralista Dostoiévsky
O livro é repleto de lições de moral extraídas das relações sociais estabelecidas entre o personagem principal, Minkin,e outros que corroboram com a história. Em alguns momentos, a leitura torna-se maçante com trechos prolixos , onde os personagens estabelecem seus pontos de vista sobre diversos assuntos, considerados, hodiernamente, caídos em uso.
Peterson Boll 20/02/2015minha estante
São caídos em uso, mas são igualmente um grande retrato do russo intelectual do século XIX




Laís 27/01/2014

Uma nota sobe O idiota
Príncipe Míchkin.Talvez se eu não estivesse do lado de cá da narrativa, certamente o julgaria com a mesma frivolidade de todos os personagens paralelos embutidos no romance. Só que, quem sabe por deboche, eu acabo que rotulando o pobre Míchkin. Estando de cá mesmo. A humanidade não está disposta para receber com tanta parcimônia e indubitavelmente um homem cujas virtudes fazem com que ele se pareça cada vez menor perante quem quer seja. Eu quis sacolejá-lo durante toda a narrativa, posto que, por vezes, me perdia exaustivamente em sua constante benevolência, passividade, alteridade...

Oh, será que por visto é preciso de uma essência devastadora, doentia, sacrificante para que de fato compreender seja a palavra que usaria na tentativa de descrever o ser humano ideal? Um homem que a cada esquina, diante de múltiplas histórias eloquentes, absurdas, quiméricas, ruins, esta a ver um lírio, a cicatrização de uma inflamação na alma de pessoas, claramente, vazias, interesseiras, medíocres, na vértice de todos os defeitos que um demônio social tem. A sensação que tive foi a de prescrever uma bula com milhões de tópicos berrantes sob todos os efeitos colaterais que iriam surgir futuramente caso ele continuasse a ser um ouvido paciente, de mãos mansas, coração aberto e psicólogo presente; tiraria, paulatinamente, cada pedaço bom de seu ser e o trasnfiguraria no que, fatidicamente, o metamorfoseou: um Idiota. O idiota. É sem sombra de dúvida um dos melhores livros que li.
Apodero-me de Bob dylan, e concluo meu pensamento:

"That it's namin'.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'.(...)
And don't criticize
What you can't understand."

Taissa 07/04/2014minha estante
Fantástico! De uma sutileza impressionante, como Dostoievski sabe fazer muito bem...Que personagem! Nunca imaginei uma junção de DQ e Cristo! Nunca imaginei um personagem mais surpreendente que DQ, na verdade...Essa complexidade toda em um ser por todos apedrejado por ser humano de verdade! É um retrato social atemporal, sem sombra de dúvidas. Mais uma vez, fantástico!


Peterson Boll 20/02/2015minha estante
Taissa, Míchkin é apredejado socialmente por NÃO SER um ser humano de verdade...




Raquel 03/11/2013

Um dos livros de Dostoievski que mais me atraiu. Conta a estória de um príncipe de vinte e seis anos voltando da suíça para a Rússia depois de um longo tempo de tratamento de epilepsia. Na época essas pessoas eram vistas como idiotas. Mas o príncipe se deu muito bem com o tratamento e parecia mesmo curado. Como era sozinho, resolveu ir atrás de alguns parentes muito distantes. Já no trem conhece Rogójin e faz amizade com ele. Rogójin era apaixonado por uma mulher chamada Nastassia e assim foi que ouviu falar pela primeira vez em Nastassia Filíppovna. Mais adiante verá sua foto e ficará muito impressionado pela beleza da jovem.
Conhecerá também a família de lizavéta uma parente muito distante com já disse, com suas três filhas e o general Iván.
Ficará muito impressionado com Áglia, a filha mais nova da família.
O príncipe é um livro que mostra a sinceridade e a pureza de um ser humano diferente dos demais, apontado apenas como o idiota.
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danield_moura 07/07/2013

Curioso como a gente tem o hábito de reclamar dos comportamentos daqueles que nos cercam. Vivemos a sonhar com pessoas honestas, inteligentes, respeitadoras de limites e que não tem preconceito discriminatório. Uma pessoa que prega que "a beleza salvará o mundo", merece no mínimo toda a nossa atenção para que possamos aprender a sermos melhores seres humanos... mas, pessoas assim, preferimos chamá-las de IDIOTA!...
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