Como Um Romance

Como Um Romance Daniel Pennac
Daniel Pennac
Daniel Pennac




Resenhas - Como Um Romance


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Dirce 30/05/2013

Tunel do Tempo
Resenha feita em 10/2010 (ocasião da leitura)


Por me encontrar de dieta literária estou seguindo na direção de livros de poucas páginas e , assim sendo, a sugestão da minha amiga Paulinha ( para que eu lesse "Como um Romance" do escritor Daniel Pennac) foi de pronto acatada.
Sobre o assunto abordado no livro, vou me limitar a dizer que ele trata do desinteresse dos jovens pelos livros, já que sempre me vejo tentada a comentar o que senti durante à leitura a fazer uma resenha como manda o "figurino".
Bem, a abordagem feita por Penacc me fez sentir dentro de um túnel do tempo com diversas paradas ao longo da minha vida de ledora: me vi extasiada diante das letrinhas que formavam meu nome, encantada com os momentos das leituras de parábolas na sala de aula, divertindo – me à beça com o Almanaque do Jeca Tatu (que acompanhava o Biotônico Fontoura - risos) , suspirando com as fotonovelas (em branco e preto) e..., Vivi, os artistas eram italianos, pois me recordo do nome de um deles ( a menos que eu esteja enganada): Gian Maricarleto, ah! essas revistas eram lidas na sala de espera do dentista e elas também ajudavam a aplacar o pânico do aterrorizador e implacável motorzinho – sim, é esse mesmo: esse que até hoje fazem muitos pacientes tremerem. Porém, mesmo com todo o temor diante do aterrorizador e implacável motorzinho, sempre havia a torcida para que o tratamento não fosse concluído antes de ter chegado ao final da história. Sim, passei pelas Sabrinas, pelas Julias, por José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo ( viajei para a Ilha de Paquetá ao me recordar de " A Moreninha" ) Camilo Castelo Branco, Jorge Amado, Harold Robb, Paulo Coelho etc...etc..etc...e também, por, Machado de Assis, Érico Veríssimo, Vitor Hugo, Dickens etc...etc...etc...
Mas...(como já disse antes) há sempre um mas, eu, no decorrer da leitura conclui que ainda não me tornei uma leitora, sou apenas uma ledora, haja vista que ainda não fui insensivelmente empurrada pelo meu desejo a frequentar apenas os considerado bons livros. Mas eu chego lá: estou traçando o mapa do meu gosto e, quem sabe ainda serei uma leitora de Proust, Thomaz Maan, Stendaaaal, etc...etc...
Quem sabe eu venha a subir e respirar na casa do amigo do Pennac – O Balzac.
E...Viva os livros.


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Resenha editada em MAIO DE 2013 (ocasião da releitura)

Bendita seja, pressa nossa de cada dia! Bendita seja, pois devo a você a forma inesperada com que fui levada a releitura dessa pequena GRANDE obra: "Como um romance", uma releitura deliciosa e sobre a qual me debrucei de amor a ponto de me sentir compelida a editar a resenha, por mim feita por ocasião da leitura, a fim de me redimir da injustiça que cometi ao avaliar o livro. Naquela ocasião, eu considerei o livro muito bom - 4 estrelas, portanto, e eu não o inclui entre os meus favoritos. Que INJUSTIÇA! Um livro tão rico que aborda um tema tão comum no nosso Patropi- o desinteresse pela leitura, suas causas (não, não é devido o baixo poder aquisitivo e aos altos preços dos livros) e como revertê-las -, de forma tão apaixonante, delicada, bem humorada, com citações de obras e de autores por meio de diálogos e comentários esclarecedores, insinuantes e persuasivos é nada mais nada menos que Ó -TI-MO e, portanto, merecedor de 5 estrelas.
E como não incluir entre os favoritos um livro que deveria ser obrigatório nas escolas, porém, não aos alunos e sim aos professores. Justiça, faço agora: esse livro que tive de parar de adjetivar, pois percebi que os adjetivos se multiplicariam mais e mais fará parte dos meus favoritos.

PS.: Marta, você tem razão: a quadrilha amorosa, feita no resumo de Guerra e PAZ, deixa qualquer um rendido.
Amandha Silva 16/12/2010minha estante
Ai ai Dirce.
Mas um para a lista sem fim...


Marta Skoober 02/06/2013minha estante
Dirce, que bom que gostou!
Muito, muito bom isto de uma nova versão para a releitura. Como sempre suas resenhas são maravilhosas...


Ladyce 11/07/2013minha estante
Agora vou ler, por sua causa... Ai ai ai ai ai.... sempre me levando para mais leituras... rs... depois digo o que achei dele bj


Paula 19/09/2013minha estante
Que bom que você releu esse livro, Dirce. Sou completamente apaixonada por ele.

beijo grande,
Paulinha


Dirce 20/09/2013minha estante
Ladyce, posso apostar que você irá se identificar com o livro. Se não me falha a memória, Daniel Pennac é contra compactar uma obra clássica. Ele diz que é o mesmo que tentar tirar algo da Obra Guernica de Picasso.


Dirce 20/09/2013minha estante
Paulinha,
Somos então apaixonadas pelo livro.
Saudades imensa.
bjs


Dirce 23/02/2017minha estante
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regifreitas 14/06/2020

COMO UM ROMANCE (Comme un roman, 1992), Daniel Pennac; tradução Leny Werneck.

Falando em leitura e formação de leitores, a obra de Pennac já é um clássico na área. Uma verdadeira declaração de amor aos livros e à leitura!

Em um misto de romance e ensaio literário, o autor - aproveitando sua experiência como professor - discorre sobre as atitudes que, voluntária ou involuntariamente, acabam afastando os jovens dos livros, principalmente durante o período escolar. Ele defende, sobretudo, que a leitura deva ser permeada pela liberdade de escolha.

É nesta obra que o autor lança os seus famosos "Direitos imprescritíveis do leitor".
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Claire Scorzi 03/03/2009

Só pelos "Direitos Imprescritíveis do Leitor" o livro já mereceria uma leitura com releitura atenta e prazerosa. Quando se junta isso à avalanche de citações literárias, a narração de episódios engraçados e emblemáticos sobre o amor aos livros (como aquele do soldado que se oferecia para limpar as latrinas no quartel, só para passar horas lendo sem interrupção!), "Como um Romance" só pode se tornar um livro saboroso para qualquer amante da leitura. Pennac vai misturando experiência pessoal (sua iniciativa como professor, lendo em voz alta para seus alunos adolescentes), fantasias, devaneios, sonhos, e por fim seu "decálogo de leitor": um ótimo livro sobre amar livros e amar lê-los. Sobre despertar tal gosto nos outros.
O único senão está em alguns capítulos iniciais, que soam algo enfáticos e cansam. Mas depois, é só prazer.
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Yvanna 19/05/2009

Relação de amor entre o leitor e o livro
O título já nos mostra um trocadilho. A primeira expectativa do leitor é a de que o livro poderia ser construído como um romance (ficção), mas, em seguida, Daniel Pennac aborda a relação do leitor com o livro, com a literatura, que seria como um romance.
A relação desde a infância, com as histórias ouvidas antes de dormir, seguindo em direção a alfabetização, a escola e as leituras obrigatórias, a idade adulta. Como lidar com as leituras obrigatórias, como lidar com as primeiras impressões, com os conceitos antigos já estabelecidos na cabeça dos jovens? Como lidar com a era da imagem, do cinema, das novelas, da televisão, das sensações prontas? Pennac fala de uma maneira descontraída de como isso acontece e de como lidar com isso.
Daniel Pennac é um apaixonado pela literatura, tem uma visão apaixonada, deslumbrada e encantada dos livros. Propõe que o leitor, desde muito pequeno, seja deixado livre, que a leitura seja sempre um presente, para que se cultive, assim, um romance entre ele e o livro.
Delicioso de ler.
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Mandark 28/04/2021

Escrito para mudar vidas.
"É que o prazer de ler estava bem perto, sequestrado num desses sótãos adolescentes por um medo secreto: o medo (muito, muito antigo) de não compreender. Eles tinham simplesmente esquecido o que era um livro, aquilo que ele tinha a oferecer. Tinham se esquecido, por exemplo, que um romance conta antes de tudo uma história. Não se sabia que um romance deve ser lido como um romance: saciando primeiro nossa ânsia por narrativas."

Um livro transformador. Cometeu, em minha franca opinião, alguns deslizes no final, mas nada que tirasse os méritos dessa obra que carrega tanta beleza. Quem lê Pennac com certeza nunca mais será o mesmo.
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Sabrine Amalia 09/11/2020

...
Quando o livro te permite ser o tipo de leitor que desejas.
Não se limite, não se iluda com suas obrigações leitoras.

Leia...
Ou não.
Se dê esse direito, se dê os demais direitos.
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Paula 20/09/2013

Para ser lido, relido e compartilhado
Encontrei esse livro por acaso em uma das minhas andanças pelas livrarias. Reconheci o autor, de quem já havia lido um livro muito inspirador sobre ser professor (Diário de Escola, Rocco, 2004), e esse livro aberto na capa me chamou a atenção.

Com base em sua experiência como professor e romancista, Pennac fala de forma poética sobre o mundo mágico da leitura, mundo este que ele ama tanto quanto nós.
Neste ensaio muito sensível, Pennac mostra que muito da magia da leitura se perde quando o livro deixa de ser o objeto de encantamento de nossa infância, quando pedimos aos nossos pais que contem e recontem as histórias de que gostamos, e passa a ser a leitura obrigatória do programa escolar.

Só pelo que lemos nesse livro já dá para sentir que Pennac é desses professores que inspiram e encantam os alunos pela paixão que ele compartilha e demonstra. É lendo para seus alunos adolescentes, que dizem num primeiro momento não gostar de ler, que Pennac os faz perceber que todos os grandes escritores, que eles julgavam incapazes de entender, contam uma história. E que, para entendê-la, é necessário voltar ao despudor da primeira infância, quando queríamos tudo descobrir.

"E se, em vez de exigir a leitura, o professor decidisse de repente partilhar sua própria felicidade de ler?" (página 73)

"Não se força uma curiosidade, desperta-se", e é lendo esses romances de grandes autores como Tolstói, Calvino, Dostoiévski, Gabriel Garcia Márquez, John Fante, entre outros, que ele desperta o desejo de ler nos alunos, que não conseguem esperar até a próxima aula para saber como aquela história continua e correm para as livrarias e bibliotecas para terminar de ler o livro. E um livro leva a outro, e a outro, e a outro... O universo mágico da literatura é reencontrado e eles agora podem continuar a descobrir os seus próprios caminhos entre os livros.

"O homem constrói casas porque está vivo, mas escreve livros porque se sabe mortal. Ele vivem em grupo porque é gregário, mas lê porque se sabe só. Essa leitura é para ele uma companhia que não ocupa o lugar de qualquer outra, mas nenhuma outra companhia saberia substituir. Ela não lhe oferece qualquer explicação definitiva sobre seu destino, mas tece uma trama cerrada de conivências entre a vida e ele. Ínfimas e secretas conivências que falam da paradoxal felicidade de viver, enquanto elas mesmas deixam claro o trágico absurdo da vida. De tal forma que nossas razões para ler são tão estranhas quanto nossas razões para viver. E a ninguém é dado o poder para pedir contas dessa intimidade." (página 150)

Achei esse livro apaixonante quando o li pela primeira vez em 2009, e hoje relendo-o pela terceira vez, ele se faz ainda muito atual e acredito que sempre será. Os direitos do leitor, que ele lista no livro, foram libertadores para mim, principalmente o direito de não terminar o livro (porque sempre me sentia culpada quando a leitura não fluía e eu não queria abandonar o livro na metade) e o direito de calar, que é libertador no sentido de que não devemos explicações sobre o que lemos para ninguém. Gostaria de ter lido esse livro mais cedo, ainda na escola, e gostaria que todos os professores tivessem que ler esse ensaio para que a abordagem em sala de aula fosse diferente. Para que a literatura não ficasse sendo uma coisa chata e obrigatória para muita gente que não teve a sorte de ter um professor que os inspirasse.

E, a propósito dessa releitura hoje, entre os direitos do leitor, Pennac lista o direito de reler:

"Reler o que me tinha uma primeira vez rejeitado, reler sem pular, reler sob um outro ângulo, reler para verificar, sim ... nós nos concedemos todos esses direitos.
Mas relemos sobretudo gratuitamente, pelo prazer da repetição, a alegria dos reencontros, para pôr a prova a intimidade.
"Mais", "mais", dizia a criança que fomos...
Nossas releituras adultas têm muito desse desejo: nos encantar com a sensação de permanência e as encontrarmos, a cada vez, sempre rica em novos encantamentos." (página 137)

Um livro para ser lido, relido e compartilhado.

Daniel Pennac. Como um romance. Porto Alegre: L± Rio de Janeiro: Rocco, 2008.

site: http://pipanaosabevoar.blogspot.com.br/2013/09/como-um-romance_19.html
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João Henrick 23/03/2010

O tempo da leitura é um tempo roubado!
Escrevendo de maneira simples, Daniel Pennac fala do prazer da leitura, onde faz citações de obras que leu durante a sua vida. Ele também expõe as leis da leitura, em que uma delas é o respeito ao leitor que deve ler aquilo que deseja. Daniel Pennac diz nesta obra que o tempo da leitura é um tempo roubado. Concordo com o seu pensamento, pois nesta vida que temos com tantas tarefas pendentes e a quantidade sempre crescente de atividades para serem cumpridas a todo instante, reservar um tempo para ler um bom livro com prazer é algo que poucos conseguem. Indico este livro para leitores iniciantes, avançados, pessoas que trabalham com a leitura como professores, bibliotecários e contadores de histórias, pois as palavras que o Daniel dedica ao hábito de ler são mágicas.
Suellen 23/02/2011minha estante
Eu li esse livro em uma disciplina da Educação na Unb chamada Leitura e educação.
Muito ótima disciplina por sinal!




janainalellis 10/04/2011

Um Romance
Os direitos do leitor por Daniel Pennac
1 - O direito de não ler.
2 - O direito de pular páginas.
3 - O direito de não terminar um livro.
4 - O direito de reler.
5 - O direito de ler qualquer coisa.
6 - O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível).
7 - O direito de ler em qualquer lugar.
8 - O direito de ler uma frase aqui outra ali.
9 - O direito de ler em voz alta.
10- O direito de calar.

O livro Como um Romance é de autoria do francês Daniel Pennac. O tema tratado é a leitura. O autor aponta os motivos pelo qual uma criança cresce gostando de ouvir histórias e, posteriormente, se torna um adolescente com medo das palavras. Daniel Pennac descreve as cenas de uma rotina com um pai, um filho e um livro. Rotina que muitas crianças são acostumadas e educadas durante toda a infância. As consequências, segundo o autor, são nítidas: um adolescente que gosta de ler.
Sua narração durante o exemplar é retilínea e confortável. Por ser metalingüístico, ou seja, um livro sobre a leitura, não há propriamente dito um “clímax”. Embora isso não o torne cansativo. Como um romance é desaconselhável para quem procura uma literatura mais “forte”. Devemos saber do que está sendo tratado, um romance feito sobre o universo literário e a paixão por livros. Se o leitor busca algo com ação, aventura, comédia ou mistério, deveria ler Rubem Fonseca, Agatha Christie ou, até mesmo, André Vianco. Pennac demonstra sua habilidade com a literatura fazendo uma ponte entre o leitor e uma biblioteca, denotando um conhecimento abrangente sobre o tema.
Os autores citados no livro são tratados com uma delicadeza e empolgação que acaba dando vontade de procurar os títulos e lê-los (se ainda não o fizemos). Ele transforma a literatura em algo gostoso e fácil, como Ricardo Noblat fez com o jornalismo. A impressão é que Pennac conviveu anos com Gustave Flaubert, Lieve Tolstói e todos os outros escritores citados antes de produzir Como um Romance.
Essa proximidade que ele trata Flaubert ou Tolstói produz em nós, seus leitores, outra intimidade. Entre mim e Pennac. Você e Pennac. Ele usa uma linguagem corrida que, aliada às lembranças descritas, produz uma sensação íntima. Essa sensação de que podemos chamá-lo de “Daniel” e tratá-lo como um velho amigo. Todo o universo das letras é exibido durante o Como um Romance. Tentamos entender a literatura buscando nela própria e descobrindo a beleza de conseguir discutir um romance como ele discutiu a leitura.

Janaina Lellis
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Heidi Gisele Borges 09/01/2012

"O verbo ler não suporta o imperativo. Aversão que partilha com alguns outros: o verbo 'amar'... o verbo 'sonhar'... Bem, é sempre possível tentar, é claro. Vamos lá: 'Me ame!' 'Sonhe!' 'Leia!' 'Leia logo, que diabo, eu estou mandando você ler!'"

Em Como um Romance (Rocco e L&PM, 2008, R$14), Daniel Pennac (1944) fala sobre como as crianças são interessadas no mundo da leitura, em aprender a ler, têm curiosidade nas histórias que seus pais contam ao pé da cama antes de dormir. Mas ao crescer, a obrigação da leitura imposta pela escola, faz com que essa vontade do desconhecido se torne cansativa, sem prazer.

No ensaio, os pais contam, através da visão do casal, como a criança passa do amor aos livros para a aversão total. Durante o processo, Pennac cita vários títulos e autores, a forma do amor aos livros, o clamor para que sejam lidos. E o texto transmite certo desespero, uma tristeza imensa pela falta da cultura da leitura, da cumplicidade com o livro, torná-lo amigo, mas não guardar seus segredos, gritá-los para que todos compartilhem um prazer: ler.

Na página 69 temos uma triste e real citação de Klaus Mann (autor de Mefisto), que pode descrever bem a realidade da escola, também da brasileira, onde deveriam adquirir o gosto pela leitura:

"Tudo que possuo de cultura literária adquiri fora da escola."

A maioria aprende a ter desprezo pelos livros e muitas vezes com incentivo em casa: "enquanto que hoje... Os adolescentes são clientes totais de uma sociedade que os veste, os distrai, os alimenta, os cultiva: onde florescem os mcdonald's e as marcas de jeans, entre outros".

Como um Romance foi publicado pela primeira vez em 1992, a primeira edição brasileira data de 1993, apesar dos 20 anos que separam a primeira edição do ano em que estamos, se faz totalmente atual. E também para aqueles que leem, mas esqueceram do prazer que a leitura proporciona, o autor diz:

"Eles tinham simplesmente esquecido o que era um livro, aquilo que ele tinha a oferecer. Tinham se esquecido, por exemplo, que um romance conta antes de tudo uma história. Não se sabia que um romance deve ser lido como um romance: saciando primeiro nossa ânsia por narrativas."

"... eles não valorizam a criação, mas a reprodução de 'formas' preestabelecidas, porque são uma empresa de simplificação (quer dizer, de mentira), quando o romance é a arte da verdade (quer dizer, de complexidade) (...) Resumindo, uma literatura do 'pronto para o consumo', feita na fôrma e que gostaria de nos amarrar dentro dessa mesma fôrma", diz Pennac sobre os maus romances, aqueles que são feitos para vender e sem nenhum amor por parte do "autor", como se dá hoje, tantos títulos e muitos sem nenhum sentido além da busca incessante pelo dinheiro.

Há ironia sem dosagem quando fala dos métodos:

"Não importa... ele intervém, bem a propósito, para nos lembrar que a obsessão adulta do 'saber ler' não data de ontem... nem a estupidez dos achados pedagógicos que se elaboram contra o desejo de aprender."

Como um Romance é exatamente a relação que deveríamos ter com os livros. Uma obra para apaixonados pela leitura, que sentem essa ânsia, esse desejo que todos deveriam se interessar pelo mundo dos livros, afinal ele é mágico.

Lido em janeiro/2012

Beco do Nunca
http://www.becodonunca.com.br/

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Marko 12/08/2020

Relerei outras vezes.
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Toni 19/06/2014

Por uma pedagogia da leitura
Verdade seja dita: a grande maioria dos professores não tem a menor ideia de como enfrentar uma legião de alunos que lhe responde peremptoriamente: não, não gostamos de ler. Alguns podem tentar convencê-los do papel da leitura na ampliação do conhecimento de mundo deles; outros talvez apelem para a necessidade de ler romances para ser aprovado em exames de admissão; um mais ingênuo talvez arrisque dizer que Não gostam porque não conhecem, e aquela parcela pragmática pode ser que resuma, Escreve melhor quem lê mais. Há até mesmo o mais radical de todos, aquele que dirá, Pois lerão, de qualquer maneira, ou ainda, o que é bem pior, De qualquer maneira lerão. E caso haja lido Antonio Candido, é possível que um deles dê início a uma inspirada preleção sobre a importância da narrativa no desenvolvimento do homem e do papel humanizador da literatura na vida em sociedade.

De uma maneira ou de outra, falta-nos aos professores de língua e literatura, uma pedagogia da leitura, um passeio às origens de nosso desejo por histórias e ao derradeiro momento em que perdemos nossos filhos ao encanto da televisão, da internet, e hoje, dos smartphones e tablets. Uma sensibilização que nos faça perceber que o encanto pela leitura, o fascínio pela narrativa, a necessidade de fazer de conta desaparecem na criança a partir do momento em que começamos a exigir-lhes a glosa, o comentário, o sentido do texto, e compreender com essa pedagogia que "os livros não foram escritos para que (...) os jovens os comentem, mas para que, se o coração lhes mandar, eles o leiam". Lembrar que aquele temerário Que-quis-dizer-o-autor, além de não ser o fim da obra em si (afinal, o fim da obra é a própria obra e sua comunicabilidade com o leitor), amiúde rouba à criança e ao adolescente todo o prazer de uma intimidade recém-descoberta entre autor e leitor, precocemente interrompida por um incessante balbucio de datas, nomes e temas impostos pelo programa letivo.

Esse é o ponto de partida do professor e romancista Daniel Pennac ao escrever "Como um romance": que "o verbo ler não suporta imperativos". Nesse sentido, o autor impõe uma só condição para reconciliarmos nossos alunos com a leitura: "não pedir nada em troca. Absolutamente nada. Não erguer uma muralha fortificada de conhecimentos preliminares em torno do livro. Não fazer a menor pergunta. Não passar o menor dever. Não acrescentar uma só palavra aquelas das páginas lidas. Nada de julgamento de valor, nada de explicação de vocabulário, nada de análise de texto, nenhuma indicação biográfica... Proibir-se completamente 'rodear o assunto'". Pennac propõe a leitura-presente – o dar a ler –, uma forma de tratar a curiosidade como a curiosidade deve ser tratada, despertando-a de sua lassidão, combatendo-lhe o sono dos eletrônicos, valorizando o único contexto que nesse momento de encantamento deve ser trabalhado: o de cada leitor, daquela sala de aula cheia de nãos.

Escrito com uma tinta extremamente sensível e irremediavelmente irônica, "Como um romance" é um brilhante ensaio capaz de provocar alunos, professores e pedagogos. Uma leitura tão revigorante que urge periódica revisitação: a bem dizer, um remédio ao desencanto da sala de aula, de uso obrigatório para todos os professores que continuam a sonhar em fazer a diferença.
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Ari 15/03/2011

Como Um romance : Uma viagem ao universo da leitura.
A obra de Daniel Penac está dividida em 4 partes: Nascimento do Alquimista, É precios ler, Dar a Ler e O que lemos, quando lemos. Cada capítulo trata de 3 patamares fundamentais: O que é o leitor, Como se forma um leitor ( auto-formação) e como se faz a manutenção desse leitor. De forma bastante pedagógica ele nos ensina a perceber traços e sinais essenciais para a compreensão desses patamares.
Através de alguns trechos ficcionais, daí a escolha pelo título metalinguístico, Penac nos apresenta os processos de percepção e os erros comuns gerados nesse momento. Ações que ocorrem em diversos espaços de aprendizagem, como na escola ou em casa. Os pai que pedem ao filho que suba ao quarto e leia, em toda sua autoridade não percebem o período que se passou entre a ultima vez que incentivaram verdadeiamente a leitura até o momento em que ela passou a ser uma ordem. O professor que apresenta uma leitura, aparentemente exaustiva dado o volume do objeto livro em mãos, e que prova aos seus alunos, com leitura em voz alta, que todo o “muro” que os divide da obra começa a ruir a medida que a leitura avança. E o melhor, em minha opinião, é que o autor sugere uma liberdade nas relações de livro-leitor que fogem das regras exteriores ao universo criado pelos dois que permeiam essa relação.
No primeiro capitulo, Nascimento do alquimista, Penac nos provoca ao descrever desculpas universais que tentam justificar o desinteresse pela leitura, por exemplo a televisão, como sendo uma das maneiras mais confortáveis, já que pressupõe um único ato - o de proibir, de justificativa. Essa provocação se dá pelo fato de que sempre a vemos, a tevê, como vilã da história. A proposta é mostrar quem são os verdadeiros responsáveis pela ausência no desejo de leitura em uma criança. Quem apaga a luz da ficção e fecha as portas do universo de encantamento para abrir o abismo das obrigações de leitura com a ausência plena de responsabilidades dos, agora não mais pais, inquisidores? A síntese desse capítulo pode-se ver no trecho abaixo:
Éramos o contador de histórias e nos tornamos contadores, simplesmente.
Eh! É isso...
É isso... a televisão elevada à dignidade de recompensa... e, em corolário, a leitura reduzida ao nível de obrigação... é bem nosso,esse achado...

As obrigações que afastam a criança do seu universo de relação independente com as histórias dos livros, lidos pelos pais, que trata-se , às vezes, da única intereção entre Pai e filho durante o dia (Vide No caminho de Swann - Marcel Proust ¹), interrompem a formação do Alquimista que traduz em riquezas o universo de códigos apresentados, referenciados por ambientes e tempos, diante dos olhos daquele que, no calor da fase mais criativa que temos, não consegue passar da página 48.

No segundo capítulo, É preciso Ler ( O dogma), o autor descreve os discursos que querem forçar uma leitura comprometida com os interesses da sociedade e , completamente, indiferente aos interesses do leitor. Na página 64, a sequência da oração É preciso ler... é exposta com os diversos motivos pelo qual nossa leitura é induzida. Dentre eles destaco: Ler para...
..aprender
...dar certo nos estudos
...conhecer melhor os outros
etc...

Essa redução, ou melhor, tentativa de padronizar os reais motivos de uma leitura apresenta objetivos palpáveis, no entender do discurso, que possam justificar o interesse do leitor. Assim, de forma generalizada, entende-se ser capaz de, com esses argumentos, convencer um não leitor a se tornar um leitor. Enquanto isso o mais importante na relação leitor-livro é esquecido. E o que é o mais importante nessa relação, segundo Penac, é a Liberdade.
A mesma liberdade que sentimos quando adentramos uma história, ou seja quando temos contato com o universo dos signos presentes na obra, devemos ter na relação com o objeto-livro. E é por isso que o autor, no ultimo capítulo, vai tratar das regras que reestabelecem a relação que tinhamos nos primeiros contatos com o universo ficcional do qual nos lembramos.

Em Dar a ler, terceiro capítulo do livro, Penac nos mostra o quanto usamos o tempo como desculpa para não ler. Em seguida, apresenta cálculos que consideram pequenas leituras diárias em busca de grandes leituras ( equivalente ao tamanho do livro) em curtos espaços. Esse capítulo nos mostra que o principal passo para iniciarmos a leitura de uma obra extensa é abrí-la. Surge o exemplo do professor em sala de aula com o livro O Perfume de Patrick Süskind e sua edição de páginas espaçadas,vastas margens, enorme aos olhos daqueles refratários à leitura, e que prometia um suplício interminável.
Na página 109 o autor retoma essa imagem para desfazê-la: Um livro grosso é um tijolo. Liberem-se essa ligações, o tijolo se transforma em nuvem.


No quarto e último capítulo, o que lemos, quando lemos ( ou os direitos imprescritíveis do leitor), Penac fecha com chave de ouro em suas 10 diretrizes que permeiam as relações entre leitor e livro.

1) O direito de não ler
2) O direito de pular páginas
3) O direito de não terminar um livro.
4) O direito de reler.
5) O direito de ler qualquer coisa.
6) O direito ao bovarismo.
7) O direito de ler em qualquer lugar.
8) O direito de ler uma frase aqui e outra ali.
9) O direito de ler em voz alta.
10) O direito de calar.

Na diretriz de número 10, que o autor assinala como predileta, posta-se a máxima de todas as relações. O que há de íntimo não se deve comentar. E quanto estamos em contato com algo que nos faz revelar,
setores de nosso ser auto-anulados pelas exigências das relações cotidianas, estamos em contato com o que há de mais íntimo em nós mesmos. Falar sobre ou não é uma decisão que cabe somente ao leitor.

- Mas e aí, conte-me, como foi sua leitura de Viagem ao centro da Terra²?

Ouço o farfalhar de uma mariposa do lado de fora rodeando e “ dando vorta em vorta da lampida” de Adoniran³.

Boa Noite Mariposa!



¹ No caminho de Swann - Primeiro volume de Em busca do Tempo Perdido
²Viagem ao centro da Terra (1864) livro do francês Júlio Verne ( 1828-1905)
³As Mariposas – Composição de João Rubinato ( Adoniran Barbosa) 1955
Leia Mais em www.frutovermelho.blogspot.com.br
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Teresa 30/01/2010

Um livro sobre o amor aos livros
Este é uma livro que me caiu quase no colo há algum tempo. Emprestei e... nunca mais. Outro dia, encontrei-o num sebo e, exagerando, quase chorei de emoção! É magnifíco! Recomendo a todos. É uma declaração de amor à leitura e um excelente manual sobre como aproximar crianças e jovens da leitura.
Em primeiro lugar, o livro recomenda a manutenção do hábito de contar histórias para as crianças, mesmo quando elas já sabem ler.
Daniel Pennac é professor de literatura e diz que o grande erro dos pais, quando a criança está alfabetizada, é deixar para ela a responsabilidade da leitura. Como ainda é iniciante, lê devagar e, muitas vezes, não entende exatamente o texto, fica desestimulada e vai perdendo a vontade de ler, até parar completamente.
Trabalhando com adolescentes, ele procura tirar a idéia da "obrigação" da leitura como dever de casa, pois quando passa a ser dever o jovem afasta-se mais do livro. Tudo é empecilho: a grossura, a falta de diálogos no texto, a distância cronológica dos personagens e todos os motivos para não ler. O autor não propõe nenhuma fórmula mágica, apenas procura tornar o livro atraente. Como? Lendo em voz alta para seus alunos deixava-os curiosos e, pouco a pouco, foram se antecipando na leitura; não tinham paciência de esperar até a semana seguinte para saber a continuação da história. Seus alunos perceberam que os grandes escritores, qualquer que fosse a forma escolhida ou as palavras que usaram, contam uma história. Resumidamente, diz que um livro bem lido é um passaporte para a fantasia. Num dos capítulos decreta os DIREITOS IMPRESCRITÍVEIS DO LEITOR:
1. O direito de não ler.
2. O direito de pular páginas.
3. O direito de não terminar um livro.
4. O direito de reler.
5. O direito de ler qualquer coisa
6. O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível).
7. O direito de ler em qualquer lugar.
8. O direito de ler uma frase aqui e outra ali.
9. O direito de ler em voz alta.
10. O direito de calar.
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MatheusA 28/04/2010

DIREITOS IMPRESCRITÍVEIS DO LEITOR
l O direito de não ler
2 O direito de pular páginas
3 O direito de não terminar um livro
4 O direito de reler
5 O direito de ler qualquer coisa
6 O direito ao bovarismo
7 O direito de ler em qualquer lugar
8 O direito de ler uma frase aqui e outra ali
9 O direito de ler em voz alta
l0 O direito de calar


"Reler não é se repetir, é dar uma prova sempre nova de um amor infatigável." (Daniel Pennac)

"O estudo foi para mim o soberano remédio contra os desgostos, não tendo jamais existido tristeza que uma hora de leitura não me tivesse aliviado." (Montesquieu)

"O homem que lê em voz alta nos eleva à altura do livro. Ele se dá, verdadeiramente, a ler." (Daniel Pennac)

"O tempo para ler, como o tempo para amar, dilata o tempo para viver. O tempo para ler é sempre um tempo roubado (tanto como o tempo para escrever, aliás, ou o tempo para amar." (Daniel Pennac)
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