Mulherzinhas

Mulherzinhas Louisa May Alcott




Resenhas - Mulherzinhas


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Helenina 29/12/2009

Ah,acho que com esse livro aprendi mais do que aprendi com todos os outros que já li em toda a minha vida.Pelo menos por enquanto penso assim.Eu o li pela primeira vez em 2007,e pela segunda também.Em 2008 resolvi ler novemante.A mesma coisa aconteceu em 2009.
Não é de se impressionar,mas cada vez que li,percebi e aprendi mais uma coisa.E li de uma maneira diferente,com uma outra perspectiva mesmo sem saber o que sentiria depois de terminar a obra.
Recomendo a todas as pessoas lerem esse livro.Pois ajuda cada um a ser mais humano,mais solidário.Coisas que dificilmente se vê hoje em nossa sociedade.
Estou hoje com 16 anos,e espero que quando eu tiver 61 ainda queira e sinta prazer em ler o livro,que desde os meus 13 anos foi meu preferido.


Léka 07/02/2011

Encantador!
Mulherzinhas nos brinda com a estória das irmãs March, cada qual com suas qualidades e defeitos, e de como elas crescem e amadurecem, tornando-se verdadeiras “pequenas mulheres” no ano em que seu pai está na Guerra da Secessão. Meg, a mais velha das irmãs, é a mais bonita de todas e a que encontra mais dificuldade em lidar com a perda de riqueza da família, que não pode mais se dar ao luxo de grandes banquetes ou vestidos caros. Jo, com seus 16 anos, preferia ter nascido um garoto, como ela mesma gosta de dizer. É uma moça com espírito livre e temperamento difícil, apaixonada pela leitura e escrita, e que encontra mais prazer nestas atividades do que em freqüentar festas. Já Beth é, nos dizeres de Jo, um “anjo”. Sempre com a saúde frágil e o comportamento quieto e introvertido, Beth nutre um amor pela música e por buscar ajudar os demais sempre, mesmo que isso lhe custe o seu bem-estar. Por fim, Amy, a caçula, é mimada e egoísta, mas tem plena consciência disto e se esforça para se tornar uma pessoa melhor. Temos ainda Laurie, o vizinho das garotas, que desenvolve uma bonita amizade com todas elas, mas especialmente com Jo.

Todas as personagens possuem profundidade e soam verdadeiramente humanas. O relacionamento entre as irmãs, longe de ser perfeito, é crível Afinal, apesar de tudo, no fim do dia elas são família e amam verdadeiramente umas as outras. A amizade de Laurie com Jo é adorável e muito incomum para a época em que a estória se passa, sendo que os dois foram minhas personagens favoritas na estória, responsáveis por muitos de seus melhores momentos.

O livro aborda a questão sócio-econômica do ponto de vista daqueles que da riqueza foram para a classe-média, e de como é necessário tempo e esforço para se desacostumar com os luxos que se perdeu. Apresenta também questões religiosas que hoje não soam bem ao ouvido da maioria dos leitores, e eu me incluo aqui. Porém, é preciso não cometer anacronismos e situar o livro na época em que ele se passa e foi escrito: se o maior mérito de Mulherzinhas é retratar o cotidiano de moças da classe-média norte-americana no período da Guerra da Secessão, possivelmente esse retrato não estaria completo se a autora suprimisse o elemento religioso.

E se a estória das irmãs March eventualmente toca na questão do casamento e da necessidade das moças arrumarem um “bom partido” na época, o foco da estória não é esse e ao romance a autora delega um papel bastante diminuto, felizmente. Seria muito fácil para Louise, como produto do século XIX, nos trazer mensagens como a de que o casamento resolve tudo e é a resposta universal para os males das mulheres. Ou, ainda, que estas devem se resignar a um papel de subserviência e a uma vida doméstica.

Não é o que acontece. Ao invés disso, temos Jo como à heroína de grandes sonhos e aspirações artísticas, que “gostaria de ser um garoto” e mantém uma amizade com Laurie bastante incomum para a época. Isso passa uma mensagem muito positiva e muito forte para as garotas, e acho que as críticas de que Mulherzinhas seria um livro cheio de moralismo e que agride a figura da mulher são absolutamente furadas.

Mulherzinhas não é um livro para ser lido sem maiores reflexões, embora a primeira vista a estória possa parecer simples e rasa. A narrativa é lenta em alguns momentos, mas sendo o retrato da época que é, não podemos pedir por ação nonstop. No mais, é literatura da mais alta estirpe, altamente recomendada se você estiver disposto a ver além do óbvio.
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Lígia Guedes 02/10/2010

Louisa May Alcott
Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, tradução de Vera Maria Marques Martins. Título original: Little Women, Editora Nova Cultural Ltda, 2003 - São Paulo - SP.


- Sem presentes, o Natal não vai ser Natal - resmungou Jô, deitada no tapete.
- É horrível ser pobre! - suspirou Meg, olhando para o vestido velho que usava.
- Não acho justo que algumas meninas tenham tantas coisas bonitas, e outras não tenham nada - acrescentou a pequena Amy, fungando, revoltada.
- Nós temos mãe, pai e umas às outras - ponderou Beth em tom satisfeito, lá de seu cantinho perto da lareira.
Por alguns momentos, ninguém falou.
Os quatro rostinhos iluminados pelo fogo animaram-se por um instante.
- Não temos pai e não teremos por muito tempo - Jô lembrou, abatendo os ânimos.

Tenho dois exemplares do livro. Um adquirido em coleção de banca, a que faço referência, o outro ganhei em um concurso de contos (primeiro e único) que participei. Inicio o IV capítulo desta obra sem compreender o motivo desta demora na procura de sua leitura apesar das excelentes referências dos leitores (tanto feminino quanto masculino) familiares, o que estou por comprovar adiantando aqui esta resenha. Havia feito uma brincadeira em postagem anterior de trazer uma leitura mensal clássica. Começar por Mulherzinhas, já vejo como iniciar com chave de ouro pois a leitura é envolvente, com abordagem nos aspectos da convivência e do amor em família no contexto social envolvendo as discrepâncias da vida cotidiana em época de guerra.

A leitura foi um hábito na família de Louisa May Alcott, autora de "Mulherzinhas", não como uma obrigação, mas como um prazer, já influenciados pelo patricarca da família, Bronson Alcott, conhecido por seus revolucionários métodos de ensino, na própria escola, a Temple School, onde a interação dos alunos e a crença de que o aprendizado deve ser um prazer para as crianças.A autora, que teve esta obra por encomenda da editora Niles, de Boston, transformou o pedido de "um livro para meninas" no mais surpreendente sucesso que escreve em Orchard House, entre maio e julho de 1868. O romance, baseado nas experiências de Louisa e de suas irmãs desde a puberdade até o casamento, retrata as mudanças da sociedade da época. A escritora se inspira na vida e na personalidade da mãe e das irmãs para criar as personagens Marmee (Abigail), Meg (Anna), Beth (Elisabeth), Amy (May) e Jo (ela própria).

O grande sucesso de 'Mulherzinhas" levou a independência financeira a autora que havia dito em tempos difíceis, desgastada com a pobreza da família: "Hei de fazer alguma coisa, não importa o quê... lecionar, costurar, representar, escrever, qualquer coisa para ajudar minha família; e serei rica e famosa e feliz antes de morrer, vocês vão ver se não!" Esta parece ser a trilha de Louisa, confrontando uma sociedade que oferece poucas oportunidades de emprego às mulheres. Louisa sai à procura de trabalho, disposta a fazer qualquer coisa para ganhar dinheiro, dentro das possibilidades ao alcance de uma menina adolescente. Em 1862, com o início da Guerra Civil Americana, Louisa trabalha como enfermeira voluntária, "A Enfermeira do Frasco", assim conhecida por combater o mau cheiro que impregna as dependências do hospital, onde aquire o hábito de passar água de lavanda no corpo e nos móveis e objetos ao seu redor. Inspiração para o livro "Hospital Sketches", as cartas que escrevia para casa contando tais condições precárias de higiene e ventilação, assim como a indiferença dos profissionais diante da deplorável situação.

Em 1870 Louisa participa ativamente do movimento pela abolição da escravatura e pela aprovação do direito ao voto feminino. Em 1879 viria a ser a primeira mulher da região de Concord a se inscrever no colégio eleitoral da cidade. Publica também "Homenzinhos" além de uma série de livros para leitores jovens que tornaram-se seus fãs pela escrita inovadora, diferente da literatura da época. Seu último romance é publicado em 1886: "Jo´s Boys", entretanto, a saúde precária por ter adquirido febre tifóide como enfermeira durante a guerra, falece em 1888, dois dias após a morte do pai.
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Mariana Cardoso 16/01/2013

Pequenas-grandes-mulheres
Um lar totalmente feminino. Seis mulheres – as senhoritas, sua mãe e Hannah, cozinheira de longa data – compõe a família March durante a ausência do patriarca, combatendo na Guerra de Secessão. As irmãs, de gênio e caráter distintos, enfrentam ao longo da novela seus fantasmas e imperfeições.
Há muito não lia algo tão delicioso, bem acabado, leve e sem floreios desnecessários. O tom da narrativa de Louisa Alcott possui um quê de infância, cheiro e colo materno, alegria. As meninas, sempre empregando seu tempo em algum trabalho – seja a cerzir meias ao pé da lareira, refletindo a respeito dos delicados sermões da mãe ou a auxiliar os pobres Hummel –, trazem ao leitor o desejo de possuir tão adoráveis irmãs. Meg, a bela; Jo, a literata; Beth, a pianista; Amy, a desenhista. De forma peculiarmente harmônica, completam-se.
Josephine, que certamente merece destaque, é a jovem mais espirituosa da casa. Ambiciona tornar-se escritora e maldiz o comportamento de seu sexo – Ah, Jo, se soubesse dos direitos que conquistamos graças a mulheres assim!
Com o ingresso do garoto Laurie, seu avô e o professor, vizinhos das March, ao círculo de convívio das moças, o livro torna-se ainda mais encantador. Os novos companheiros as divertem e acabam por evocar mais que amizade.
Já à metade da trama, saudade das mulherzinhas. Mulherzinhas essas que retratam a sociedade americana em tempos de conflito, os valores e virtudes das famílias. Mas, em especial, pintam a aquarela da juventude que, a despeito das vestes e dos modos, será a mesma em todos os séculos – mulherzinhas e homenzinhos construindo seus “castelos no ar”, perseguindo seus sonhos e traçando seus destinos.
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Yukari 30/11/2017

Um livro à frente de seu tempo
Decidi resenhar esse livro, porque vendo as resenhas já escritas, achei que algumas não compreenderam a proposta do mesmo.

Eu cheguei até esse livro navegando por indicações que retratassem mulheres fortes e ele definitivamente atinge esse objetivo. O mais mágico dessa leitura é que Mulherzinhas foi publicado em 1868! No entanto, seria impossível que não contivesse informações sobre o tempo em que foi escrito, da cultura deste momento em particular, uma época em que as mulheres não possuíam liberdades, que deveriam ser submissas, educadas, prendadas etc.

Este não é um livro para educar mulheres para serem boas moças, ele retrata mulheres sendo educadas para serem fortes e independentes, com situações do dia a dia, sempre com uma nova aventura. Além de tudo, ele fala de vários valores como honestidade, comprometimento, altruísmo, cooperação, amor, bondade, fraternidade, entre outros. Muitos dos quais foram esquecidos pela sociedade moderna presa a frieza e às tecnologias. Retrata uma infância e adolescência saudável, feliz e que estimula a liberdade, as responsabilidades e a imaginação.

De todos os livros que já li, este de longe foi o mais agradável, suave e doce que já pus meus olhos. Eu definitivamente recomendo esta leitura.


Taci.Souza 25/06/2019

"[...] o grande encanto de todo poder é a modéstia."
As irmãs Meg, Jo, Beth e Amy March, protagonizam essa obra incrível e absolutamente encantadora. O livro se passa durante a guerra civil americana e nele acompanhamos o dia a dia das meninas, que vivem com a mãe, enquanto o pai está servindo na guerra. Com uma narrativa leve e bem humorada, Loisa May Alcott entrega uma história envolvente e delicada, que além de ensinar valiosas lições, retrata o cotidiano de uma família inteiramente feminina em meados do seculo 19.

As irmas, a despeito dos laços de sangue e amizade que as unem, apresentam personalidades bem diferentes. Meg, a mais velha, no auge dos seus 16 anos, é a mais séria e ponderada; Jo, 15 anos, é a mais moleca, impulsiva e geniosa. Betty, 13 anos, ainda que tímida e reprimida, é altruísta e leal; e Amy, a caçula, 12 anos, é vaidosa e um tanto mimada. No entanto, apesar das diferenças, as quatro parecem compartilhar de um talento nato para armar e se meter em confusões.

O sucesso instantâneo de "Mulherzinhas", à época de sua publicação e atualmente, é totalmente justificável, tanto pelo talento para escrita da autora como pelas características marcantes de suas personagens. Acompanhar as aventuras e desventuras desse quarteto adorável foi uma das experiencias mais gratificantes da minha vida literária.

Louisa May Alcott, além de oferecer uma belíssima história, traz também valiosas lições para a vida. Alguns podem julgar sua abordagem um tanto ingênua, mas as lições presentes nesse livro possuem a mesma aplicabilidade que tinham em 1868, quando o mesmo foi publicado. Em virtude disso, a obra conquistou a alcunha de atemporal, atravessando e encantando gerações ha 150 anos.

Esse é aquele tipo de história que transmite uma sensação acolhedora de aconchego, cativa, aquece e transborda o coração do leitor. Uma obra encantadora e indispensável à nossa jornada como peregrinos da vida.

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Rose 07/06/2013

Amei o livro, é referente ao dia-dia de uma familia simples, que já foram melhores financeiramente, mas por obra do destino tiveram que abrir mão de alguns confortos. A família é constituída pelo casal March, duas 4 filhas, Meg de 17 anos, vaidosa, com ótimos modos e segunda mãe para as meninas; Jô de 15 anos, cujo temperamento é explosivo, amar ler, e é mais moleca; Beth de uns 14 anos, que é mais doce de todas, tímida e dona de um coração enorme; e Amy de uns 12 anos, a mais vaidosa de todas, e pouco egoísta as vezes, Hannah a empregada muito querida. E claro, não podemos esquecer de outros personagens importantes da história, como laurie, um vizinho bem querido e melhor amigo da Jô, seu avô, um senhor muito amigável, e o professor de Laurie, que também acabou ficando amigo da família... com estes pergonagens descobrimos o verdadeiro valor da vida, da família, do emprego... a sempre dar valor as coisas que temos e reclamar menos do que não temos.


Janaína 07/07/2013

Mulherzinhas – L. M. Alcott

Minha curiosidade por este livro nasceu de uma maneira um tanto quanto inusitada. Sou super fã da série americana Friends e em um dos episódios a personagem Rachel empresta “Mulherzinhas” para o Joey, que cai de amores pela estória. Quando tive a oportunidade comprei este livro e também me apaixonei pelas aventuras, sonhos e dificuldades de Jo, Meg, Amy e Beth, quatro jovens irmãs de personalidades tão distintas, mas ao mesmo tempo tão marcantes.

De leitura bem agradável e tendo como pano de fundo a Guerra de Secessão, o livro é um prato cheio pra quem gosta de História. Através dele temos a possibilidade de conhecer um pouquinho mais da sociedade americana do século XIX, seus costumes, literatura, a moda dos cabelos e das roupas femininas, a tradição dos bailes, as atividades de lazer, jogos, brincadeiras e divertimentos, o papel das mulheres na família, as percepções sobre a guerra, enfim, vários temas que representam a cultura de uma época.

Eu recomento a edição ilustrada em cores da série Obras-primas Universais, editora Melhoramentos. Nesta edição, o texto é complementado por documentos, com comentários do historiador Adrien Lherm, além de gravuras e fotos da época.
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Lekatopia 29/09/2015

E viva a solidariedade feminina
Eu sempre quis ler Mulherzinhas (no original “Little Women”, que soa muito mais simpático de que a sua tradução), mas por algum motivo me enrolei muito tempo para fazê-lo. Shame on me. É um pouco complicado falar a respeito porque, bem, há teses acadêmicas sobre a estória das irmãs March, então tudo o que eu disser certamente já foi dito. Não me importo. Só gostaria de convencer vocês a dar uma chance a este livro e o lerem com a mente aberta e o espírito crítico afiado – afinal, o que pode parecer no início ser uma estória que em pleno século XXI passa até uma mensagem antifeminista, na verdade faz exatamente o contrário.

Primeiramente, quanto à edição da Martin Claret, preciso fazer alguns esclarecimentos: o livro publicado pela editora traz apenas a primeira parte de Mulherzinhas, ao contrário das edições em inglês, que em geral trazem o primeiro e o segundo livros juntos (e por isso possuem quase 500 páginas). Então, tenham em mente que eu não li a continuação e, portanto, a resenha abaixo não a contempla. No entanto, eu acidentalmente encontrei spoilers a respeito e, bem, não fiquei muito satisfeita. OK, vamos em frente.

Mulherzinhas nos brinda com a estória das irmãs March, cada qual com suas qualidades e defeitos, e de como elas crescem e amadurecem, tornando-se verdadeiras “pequenas mulheres” no ano em que seu pai está na Guerra da Secessão. Meg, a mais velha das irmãs, é a mais bonita de todas e a que encontra mais dificuldade em lidar com a perda de riqueza da família, que não pode mais se dar ao luxo de grandes banquetes ou vestidos caros. Jo, com seus 16 anos, preferia ter nascido um garoto, como ela mesma gosta de dizer. É uma moça com espírito livre e temperamento difícil, apaixonada pela leitura e escrita, e que encontra mais prazer nestas atividades do que em freqüentar festas. Já Beth é, nos dizeres de Jo, um “anjo”. Sempre com a saúde frágil e o comportamento quieto e introvertido, Beth nutre um amor pela música e por buscar ajudar os demais sempre, mesmo que isso lhe custe o seu bem-estar. Por fim, Amy, a caçula, é mimada e egoísta, mas tem plena consciência disto e se esforça para se tornar uma pessoa melhor. Temos ainda Laurie, o vizinho das garotas, que desenvolve uma bonita amizade com todas elas, mas especialmente com Jo.

Todas as personagens possuem profundidade e soam verdadeiramente humanas. O relacionamento entre as irmãs, longe de ser perfeito, é crível Afinal, apesar de tudo, no fim do dia elas são família e amam verdadeiramente umas as outras. A amizade de Laurie com Jo é adorável e muito incomum para a época em que a estória se passa, sendo que os dois foram minhas personagens favoritas na estória, responsáveis por muitos de seus melhores momentos.

O livro aborda a questão sócio-econômica do ponto de vista daqueles que da riqueza foram para a classe-média, e de como é necessário tempo e esforço para se desacostumar com os luxos que se perdeu. Apresenta também questões religiosas que hoje não soam bem ao ouvido da maioria dos leitores, e eu me incluo aqui. Porém, é preciso não cometer anacronismos e situar o livro na época em que ele se passa e foi escrito: se o maior mérito de Mulherzinhas é retratar o cotidiano de moças da classe-média norte-americana no período da Guerra da Secessão, possivelmente esse retrato não estaria completo se a autora suprimisse o elemento religioso.

E se a estória das irmãs March eventualmente toca na questão do casamento e da necessidade das moças arrumarem um “bom partido” na época, o foco da estória não é esse e ao romance a autora delega um papel bastante diminuto, felizmente. Seria muito fácil para Louise, como produto do século XIX, nos trazer mensagens como a de que o casamento resolve tudo e é a resposta universal para os males das mulheres. Ou, ainda, que estas devem se resignar a um papel de subserviência e a uma vida doméstica.

Não é o que acontece. Ao invés disso, temos Jo como à heroína de grandes sonhos e aspirações artísticas, que “gostaria de ser um garoto” e mantém uma amizade com Laurie bastante incomum para a época. Isso passa uma mensagem muito positiva e muito forte para as garotas, e acho que as críticas de que Mulherzinhas seria um livro cheio de moralismo e que agride a figura da mulher são absolutamente furadas.

Mulherzinhas não é um livro para ser lido sem maiores reflexões, embora a primeira vista a estória possa parecer simples e rasa. A narrativa é lenta em alguns momentos, mas sendo o retrato da época que é, não podemos pedir por ação nonstop. No mais, é literatura da mais alta estirpe, altamente recomendada se você estiver disposto a ver além do óbvio.

Uma breve nota é que o segundo livro se chama Good Wives (publicado no Brasil como "Mulherzinhas Crescem”) e há ainda muitos outros sobre a família March (como “A rapaziada de Jo”, por exemplo). Infelizmente, eles foram publicados no Brasil há muito tempo e para encontrá-los é necessário recorrer a sebos, pois as edições já estão esgotadas.

Por fim, gostaria de falar mais um pouco sobre o spoiler das sequências que me deixou verdadeiramente triste, então você pode optar por prosseguir por sua conta e risco ou pular para o "quadro de avaliação" abaixo. Optou por prosseguir? Então tá. Bem, Laurie e Jo possuem um relacionamento muito interessante, de verdadeira amizade e parceria. Ao ler o primeiro livro, embora a autora tenha sido muito discreta podemos encontrar evidências de que Laurie gosta de Jo muito mais do que como uma amiga. Mas não é que Laurie termina casando-se com Amy, após ser rejeitado por Jo, como dá para ver na cena do filme baseado nos livros? Entendo todos os argumentos de Jo para rejeitar Laurie (e simpatizo profundamente com eles), mas confesso que fiquei um pouco triste por eles não terminarem juntos. Não sou uma grande fã de finais felizes nem nada, e há muito tempo não torcia verdadeiramente para que determinado casal de personagens ficasse junto, mas os dois me causaram tamanha empatia que eu não posso evitar.

Enfim, já decidi que tratarei deste assunto como fiz com "Pocahontas II". Vou fingir que a sequência nunca ocorreu e dar um destino diferente na minha cabeça para as personagens que eu tanto gostei. Mas sim, a vida é mais complicada do que isso, e eu entendo por que Louise escolheu seguir com sua estória da maneira como seguiu.

site: www.lekatopia.com
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Ana 25/08/2019

Um lindo aprendizado
O que falar desse livro que me transformou? Me fez chorar demais, além de me ensinar coisas de mais. Toda vez que penso nesse livro, meu coração transborda de amor. Pensar nessas personagens e na união incrível dessas irmãs já me faz sorrir. Recomendo a todos que deem uma chance ao livro da minha vida!!!
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Flávia Pasqualin 25/10/2019

É uma história bastante simples e devido a isso não me agradou tanto. Imagino que na época em que ele foi lançado seu significado tenha sido muito maior. No geral o livro conta sobre a vida das irmãs March, que a cada situação cotidiana descobrem que o amor vence tudo. Ele tem uma pegada bem leve e monótona, não há grandes acontecimentos. São apenas pequenas lições de moral. Resumindo, um manual de como uma boa moça deve se comportar.
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Vivi 16/10/2019

Impossível conhecer essa obra tão delicada, tão fofa, tão leve e tão cheio de liçoes para vida e não se encantar. Louisa May Alcott nos passa a vida dessas quatro irmãs Jo, Beth, Meg e Amy de uma maneira tão suave e tão primorosas que parece que essas " meninas " fazem parte de nós.
A história é montada na época da guerra Civil norte Américana onde essas quatro irmãs moram com a mãe mais uma personagem que é impossivel tb não se apegar enquanto o pai está fora servindo a guerra.
Vamos acompanhando o dia á dia delas, as descobertas, os anseios, os muitos sonhos , as características de cada uma. O ponto forte e fraco a ingenuidade da época. A linda amizade com o vizinho Lawrence e o avô.
E de um modo muito sutil pelas lições de vida.
Não esperem que aconteça algo eletrizante pois do início ao fim será assim somente o dia á dia delas e muitas proezas inocentes. Mas garanto que vale a leitura e se encantar como eu por essa família maravilhosa.
Sinopse:
Talvez você não tenha ouvido falar de Louisa May Alcott, mas deve ter ouvido a respeito de Jane Austen. Pode ser que não tenha visto o filme ?Adoráveis mulheres? de 1994, estrelando Winona Ryder, mas talvez tenha visto ?Lady Bird? de 2017, dirigido por Greta Gerwig. Ao longo das páginas de "Mulherzinhas", o leitor entenderá o que une essas obras: fortes personagens femininas que marcaram e continuam a marcar gerações. Acompanhe as aventuras, dores, desilusões amorosas, perdas e aprendizados das irmãs March e descubra o que torna esse livro um dos mais queridos e relevantes da literatura mundial.


Bia 29/10/2019

Mulherzinhas
Mulherzinhas é um livro encantador, muito simples e delicado. Conta a história de quatro irmãs, e como elas amadurecem e se tornam mulheres.


sara 05/11/2019

Fofo, mas chatinho
É um bom livro... Um clássico da literatura. Meu único problema é que, na época estavam em alta os livros onde tudo é perfeitinho e tudo tem uma lição de moral a ser aprendida. O que me irritou um pouco.
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Lily 25/02/2011

É um livro absurdamente ingênuo para o nosso tempo, mas entendo o sucesso dele na época em que foi escrito. Mostra uma singeleza e bondade sem limites nos atos das personagens.
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