Casa-Grande & Senzala

Casa-Grande & Senzala Gilberto Freyre
Edson Nery da Fonseca




Resenhas - Casa-Grande & Senzala


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Evandro 14/12/2012

Para ler Casa-Grande & Senzala

É bom que se leve em conta algumas coisas antes de iniciar a leitura deste clássico da história brasileira.
A primeira delas é a conjuntura mundial do momento em que Freyre viveu e pesquisou: No início do século XX o objetivo principal das pesquisas de todas as ciências é evidenciar a hierarquia racial, partindo da supremacia ariana até a marginalidade das raças negras. É no momento que Freyre escreve este livro que os discursos de Hitler atraem mais e mais ouvintes. Lembre-se então que Freyre (e nem Monteiro Lobato) não é preconceituoso no sentido que a palavra possui hoje. Na época em que viveram, estava em sintonia com os grandes pensadores do mundo todo.
A segunda conjuntura é a nacional: Vargas assume a presidência do Brasil e começa a incentivar que se criem sólidas bases nacionalistas. Para que haja nacionalismo, é pressuposto que haja identificação com a nação. Vargas inicia o árduo trabalho de inserção da cultura negra como parte da cultura nacional (o que era até então negado), o Brasil deixa de ser do Índio e do Português apenas para o ser também do Negro. O samba passa a ser exemplo da cultura nacional, a feijoada passa a ser prato típico, a mulata passa a ser símbolo de beleza e a capoeira passa a ser o orgulho nacional. Esta obra é parte deste processo.

Capítulo 1 - Características erais da colonização portuguesa no Brasil: formação de uma sociedade agrária, escravocrata e híbrida.

Freyre inicia o capítulo fundamentando, com base nas teorias raciais predominantes de seu período, o sucesso da colonização do Brasil, de clima tropical, pelo português. O autor defende ser o português, de toda a Europa, o único povo capaz de se adaptar ao clima tropical sem "degeneração da raça", diferentemente do ariano.
O autor trata também da sensualidade portuguesa, do fetiche em relação à mulher bronzeada, como a muçulmana que ocupou durante tantos anos Portugal o que levou o português a sentir a mesma atração pela índia brasileira e logo inciar a mistura de raças. Freyre defende que o português, diferentemente da maior parte dos povos europeus, em sua cultura, é o povo menos xenofóbico, o povo que, apesar de ter grande intolerância à diversidade religiosa, agrega com facilidade a diferença racial.
Sobre a vinda massiva de degenerados para o Brasil, o autor chega a conclusão de que grande parte dos degenerados foram expulsos de Portugal por crimes religiosos, como adultério, que eram considerados mais graves que assassinatos.
Freyre aborda aspectos negativos da predominância latifundiária e de monocultura no Brasil, chegando a afirmar que o brasileiro em sua avidez pelo plantio de cana-de-açúcar, esquecia-se da necessidade de outros gêneros, como legumes e frutas, e passava fome. Esta má alimentação levou ao degredo racial de toda a camada média da população. Em compensação, o Grande latifundiário e o escravo negro escapam à deficiência nutricional, sendo que, o escravo escapa por possuir grande valor, não só o valor de sua compra, mas, por dele depender toda a produção de seu senhor.
Para concluir o capítulo, Freyre passa a desmistificar a hibridez apenas entre índios e portugueses, evidenciando a mistura entre negros e índios, índios e portugueses e portugueses e negros. Fala da sensualidade dos portugueses, da falta de tabu sexual entre os índios e da escassez de mulheres negras para mostrar como todos os povos tinham seus motivos para efetuar a mistura. Encerra com o ponto negativo, o rápido avanço da sífilis no povo brasileiro em formação.

Capítulo 2 - O índígena na formação da família brasileira

Qual é o papel do índio na cultura brasileira? Qual foi o relacionamento estabelecido entre indígenas e portugueses? Qual era o papel do homem, da mulher, das crianças e até mesmo dos homossexuais na sociedade nativa? Qual o papel desempenhado pelo jesuíta? Qual o resultado final deste encontro? São estas as principais questões que o autor tenta responder neste capítulo.
Segundo as pesquisas de Freyre, quando comparada a dos espanhóis e a dos ingleses, a colonização portuguesa não pode ser chamada de brutal, o português não é racista como os ingleses e miscigena, o português não é intolerante como os espanhóis e tenta converter os índios. Por isso, a cultura do índio influiu grandemente na cultura brasileira.
Abordando de maneira geral o capítulo, podemos dizer que Freyre atribui a caça, a pesca e serviços pesados ao homem, o plantio, a educação e afazeres da tribo à mulher, o trabalho místico e feminino aos homossexuais e ao pequeno índio cabia uma educação rigorosa que o preparasse para a vida adulta. Freyre ressalta a todo momento o misticismo existente na cultura indígena, o que influenciava nas cores usadas, nos adornos, nos nomes, nos costumes e até nos tratamentos das doenças.
Quanto ao papel "civilizador" do jesuíta, Freyre afirma ter sido um dos principais motivos da devastação da cultura indígena, submetia os homens à agricultura, o que levava a depressão e a morte, o contato direto também contaminava os índios com doenças trazidas da Europa, o que também levava a morte. Freyre afirma também o aumento da mortalidade infantil. Causando um lento extermínio dos índios.

Capítulo 3 - O Colonizador português: antecedentes e predisposições.

O autor retoma aqui diversos pontos trabalhados no primeiro capítulo. As motivações do português para a expansão ultramarina, a adaptabilidade do português ao Brasil. A força da Igreja Católica em Portugal (que no Brasil é substituída pelo núcleo patriarcal da Casa Grande). O autor fala do acolhimento de sangue estrangeiro pelos portugueses no Brasil (desde que o estrangeiro se dissesse católico). Trata de modo geral, neste capítulo, da maneira natural com que os portugueses encaravam a miscigenação e principalmente com a facilidade com que aceitavam interferências culturais (de índios, europeus, árabes e judeus).
Freyre passa a falar da deficiência da alimentação portuguesa, com base no peixe: "Colonizou o Brasil uma nação de homens mal-nutridos."(313), desnutrição que se reflete também no Brasil. Freyre justifica a vinda do escravo africano no Brasil como reflexo da constatação de que o Brasil não serve para o extrativismo bruto e sim para a o cultivo agrário da cana e de que nem o índio nem o português tem a força de ânimo para a execução de tal trabalho braçal exigido no cultivo agrário, concluindo o capítulo dizendo "que o Brasil era o açúcar e o açúcar era o negro."(342)

Capítulos 4 e 5 - O escravo negro na vida sexual e de família do brasileiro

A primeira afirmação do capítulo é a de que não exista brasileiro (mesmo o mais alvo e loiro) sem um vestígio de negro ou de índio. Informação esta que serve de base para a elaboração do capítulo cujo objetivo é mostrar a profundeza da influência da cultura negra (e um pouco da indígena) no povo brasileiro. Muito do capítulo 4 é especulação sobre as influências da alimentação nos caracteres genéticos, sobre se a miscigenação por si é degeneradora ou se essa degeneração se dá pela má alimentação (reflexo da condição social), fala sobre superioridades ou não de raça, influências ou não de raça. Ou seja, como já foi dito no prefácio, este capítulo é o mais perigoso de ser lido sem uma contextualização do período em que o livro foi escrito. No entanto, nas entrelinhas, por trás de todos os termos como braquicefalia e seiláoquecefalias, Freyre vai diluindo seu ponto de vista, ao mesmo tempo que apresenta argumentos de uma diferenciação racial, problematiza as condições sociais, valoriza a cultura do negro, critica aqueles que inferiorizam o negro. Junto a este tema, como que em uma complementação, o autor passa a mapear as etnias de negros vindo para o Brasil e fazer um esboço de sua cultura na África, mostrando que este surto de "história da África" que temos hoje no Brasil já era observado com curiosidade por estudiosos quase 100 anos atrás.
Ainda no capítulo 4, Freyre passa a abordar uma questão que achei interessantíssima: a sensualidade africana e mulata seria depravação natural deste grupo? Questão de inferioridade de raça como muitos cientistas apontam? Ou simplesmente consequência da escravidão? O autor argumenta incansavelmente em favor da tese de que a luxúria é resultado do autoritarismo da Casa-Grande e não da sensualidade da Senzala. Fruto do sistema escravista que autoriza um grupo a praticar quaisquer atos que queira em um outro grupo, resultando na banalização do ato sexual com escravas, as vezes ainda impúberes. Soma-se a isso o fato deste ato sexual poder trazer aumento de capital, afinal, a gravidez da escrava nada mais é do que um futuro novo escravo para seu senhor.
O assunto da sexualidade continua permeando o livro até seu término, no entanto, mesclado com outras questões interessantíssimas como a influência dos escravos que trabalhavam dentro da Casa Grande na vida da família dos senhores de engenho. Aqui vale a pena fazer outra observação. No prefácio do Fernando Henrique, ele critica Gilberto Freyre por este apresentar um relacionamento quase sem brutalidades entre senhores e escravos. Eu discordo desta opinião. Temos de lembrar que um dos objetivos do livro é mostrar a MISTURA, a INFLUÊNCIA, ou seja, não focar demais na SEPARAÇÃO, na RUPTURA. Freyre deixa em vários momentos bem claro o sadismo português em relação ao escravo e faz uma distinção bem clara entre o escravo 'quase-animal' que realiza o trabalho bruto do campo e que quase não é citado no livro por fazer parte da SEPARAÇÃO E RUPTURA e o escravo 'quase-gente' que realiza o trabalho doméstico ou nas ruas dos centros urbanos, este sim largamente trabalhado no livro por fazer parte da MISTURA e INFLUÊNCIA. Portanto, não é de se estranhar que o livro cite apenas uns casos de violência e sadismo e não trate com mais insistência deste assunto.
Freyre vai tratar ainda do amolecimento da língua portuguesa falada no Brasil, em consequência da influência dos escravos negros, dentro de casa, cuidando das crianças brancas. Das influência das negras contadoras de histórias. Passa a falar da educação, das crianças, livres em excesso nos primeiros anos, rígida em excesso após os primeiros sinais de amadurecimento (pequenos adultos, contidos, solenes, todo vestidos de preto). Fala também de professores negros, da educação dos padres. Volta ao tema da sexualidade para tratar da frequência com que religiosos criavam família no Brasil. Fala da precocidade com que as filhas dos senhores de engenho se casavam, da vida preguiçosa que as famílias da Casa Grande passaram a levar, resultado da diligencia com que os negros efetuavam todo o trabalho. Ao final do capítulo 5, Freyre faz um excelente trabalho sobre a influência da culinária africana na culinária brasileira. O livro termina falando, na última página, das doenças e mortes por suicídio, dos negros, reflexos dos abusos da escravidão.

Esta resenha não é nenhum ideal de resenha, devido à grande variedade de temas tratados nessa obra. No entanto, acredito que sirva para dar uma ideia geral do livro.

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Natalie 12/06/2017

Não tenho formação em Ciências Sociais ou História, não consigo identificar em qual método de pesquisa o livro se insere e foi com esse olhar inexperiente que ingressei na obra de Gilberto Freyre. Nasci e vivi em meio à cana-de-açúcar. A casa dos pais de minha mãe fica onde já foi o antigo Engenho Almirante. Agora, onde está a casa de farinha, era a senzala. A casa-grande foi substituída por outra, construída em meados da década de 1950, por ocasião do casamento dos meus avós. Na infância, uma de minhas brincadeiras era procurar vestígios das histórias que meu avô contava. Encontrava pedaços de louça, de quadros, talheres, tudo soterrado pelo terreiro. Foi com a motivação de descobrir um pouco mais daquilo tão próximo a mim que iniciei esta leitura.

Mas quem é o brasileiro para Freyre? Ele fala do índio, negro e português com certo romantismo, explorando o aspecto econômico somente quando acha que é imprescindível para a compreensão da formação do povo. A arquitetura robusta das casas-grandes, a igreja familiar, o catolicismo lírico, a culinária fortemente influenciada pela africana, desigualdade na forma do vestir cotidiano e em público, dentre outros detalhes tão interessantes do passado são incessantemente procurados para justificar aquilo que somos.

Alguns estudiosos atribuem o caráter de uma nação ao clima; outros, ao desenvolvimento econômico; ainda há quem entenda que os caracteres físicos definem as pessoas. Para o autor, apesar de afirmar em alguns momentos que não se filia a nenhuma corrente extremista, é nítida a opção que faz ao defender que a maneira como os impulsos sexuais são tratados por uma sociedade a delineiam. Não que o negro (ao contrário da posição majoritária da época) fosse mais predisposto ao sexo, mas o sistema escravocrata os levava a isso, por condição de submissão ao branco. No entanto, Gilberto não faz de ninguém anjo ou demônio. Reconhece a bravura dos europeus desbravadores, a higiene e medicina indígena e a doçura forte e alegre dos negros, ao mesmo tempo em que cita os defeitos característicos das três culturas básicas formadoras do país. Eleva a mestiçagem a motivo se não de orgulho a pelo menos um fato comum na humanidade, não isolado do Brasil. Casa-grande e Senzala é um livro para saborear cada página, cada informação.
Olana - @aleituradehoje 12/06/2017minha estante
Amei a resenha! amei...


Natalie 12/06/2017minha estante
Obrigada. :)


Hérico 12/06/2017minha estante
Boa resenha!


Natalie 12/06/2017minha estante
Obrigada!


Thiago 22/07/2017minha estante
Você escreve muito bem Natalie! Muito mesmo!


Marco 26/10/2017minha estante
Parabéns pela resenha que me convenceu a iniciar a leitura da obra.


Daniel 24/07/2018minha estante
Excelente resenha!




letycialets 30/03/2015

Clássico
Para quem cursa Humanidades, em algum momento da sua vida universitária, este livro irá aparecer no seu caminho. Para mim, um dos melhores livros para se entender como o discurso foi usado para justificar a presença do negro - escravo - na sociedade brasileira colonial. Gilberto Freyre aborda dois conceitos nesse livro: o lusotropicalismo e a mestiçagem, ambos construídos por ele de forma a alicerçar a condição de escravo do negro no Brasil colonial. Criado em uma família essencialmente tradicional e tendo sobrevivido e bancado os estudos através do dinheiro proveniente do trabalho escravo, Gilberto Freyre mostra e defende o ponto de vista de quem desejava que o sistema escravista permanecesse vigente no país, pois o mesmo não iria "sobreviver" a um avanço econômico e político. Enfim, como todo clássico, vale a pena a leitura.
Regi 12/08/2016minha estante
O mesmo aconteceu comigo mas nunca li esse livro mesmo tendo me deparado com ele na grade de curso curricular da matéria de Antropologia. É hoje muitos anos depois me sinto preparada para lê-lo.


Regi 12/08/2016minha estante
E pasmem encontro no valor de R$120,00 mais caro do que aqui pela oferta do skoob.




Larissa 28/03/2016

Genial
Este livro é um divisor de águas no meu entendimento sobre o Brasil. Confesso que fiquei receosa de começar a lê-lo, já que sou leiga no assunto. Porém, entendo que a narrativa romanceada do tema faz com que qualquer pessoa consiga entender, e mais: ficar viciado no assunto.
Fiquei com um gostinho de quero mais, visto que o final ficou no ar (?!). Não vejo a hora de ler Sobrados e Mucambos, e após, Ordem e Progresso!
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Chaguinha 14/06/2009

Que beleza!
Simplesmente estupendo. Um estudo impressionante sobre o nosso Brasil. Um obra histórica com jeito de clássico.
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Edmar 25/03/2014

É muito complicado. Muito difícil. Estou pensando em abandonar. Deixar para os estudantes de História ou Direito ou Sociologia, sei lá!!
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Adinalzir 17/06/2009

Um livro para entender o Brasil
Quem julga conhecer a alma brasileira e ainda não leu "Casa Grande & Senzala", tem no máximo um retrato incompleto de nossa origem. Esse livro é fundamental para entendermos por quê somos e como somos. Simplesmente genial.
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Lucas Ferreira 04/12/2009minha estante
"Tenhamos a honestidade de reconhecer que só a colonização latifundiária e escravocrata teria sido capaz de resistir aos obstáculos enormes que levantaram à civilização do Brasil pelo Europeu. Só a Casa grande e a senzala. O senhor de engenho rico e o negro capaz de esforço agrícola e a ele obrigado pelo regime de trabalho escravo". Genial essa passagem, não concorda? A inevitabilidade da história, sem considerar a colonização pelo europeu no sul do Brasil etc... Bem, se o Brasil for apenas o nordeste, digamos que ele seja um clássico...da literatura, mas não da sociologia.




Mayda Ribeiro 26/08/2016

Casa- Grande & Senzala
Vale a pena ler.
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15/01/2010

Questionavel
É necessario fazer um estudo sobre o próprio Gilberto, para compreender e discordar de suas teorias!
Ingrid 08/09/2018minha estante
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janaclio 02/09/2016

Ótima leitura para a comprensão da formação da nossa sociedade
Considero esse livro como um dos maiores clássicos da Sociologia brasileira, Casa-Grande & Senzala é uma obra surpreendente e esclarecedora sobre a formação do povo brasileiro. Importantíssima para consagrar a importância do indígena, e principalmente do negro, na formação racial e cultural do Brasil. Recomendo a leitura do livro.
Beatriz.Pinheiro 10/11/2016minha estante
A leitura é muita técnica ou é de fácil compreensão?




Lista de Livros 26/07/2016

Lista de Livros: Casa-Grande & Senzala - Gilberto Freyre
“A singular predisposição do português para a colonização híbrida e escravocrata dos trópicos, explica-a em grande parte o seu passado étnico, ou antes, cultural, de povo indefinido entre a Europa e a África. Nem intransigentemente de uma nem de outra, mas das duas. A influência africana fervendo sob a europeia e dando um acre requei-me à vida sexual, à alimentação, à religião; o sangue mouro ou negro correndo por uma grande população brancarana quando não predominando em regiões ainda hoje de gente escura; o ar da África, um ar quente, oleoso, amolecendo nas instituições e nas formas de cultura as durezas germânicas; corrompendo a rigidez moral e doutrinária da Igreja medieval; tirando os ossos ao cristianismo, ao feudalismo, à arquitetura gótica, à disciplina canônica, ao direito visigótico, ao latim, ao próprio caráter do povo. A Europa reinando, mas sem governar; governando antes a África.”
*
“A mobilidade foi um dos segredos da vitória portuguesa; sem ela não se explicaria ter um Portugal quase sem gente, um pessoalzinho ralo, insignificante em número – sobejo de quanta epidemia, fome e sobretudo guerra afligiu a Península na Idade Média – conseguido salpicar virilmente do seu resto de sangue e de cultura populações tão diversas e a tão grandes distâncias umas das outras: na Ásia, na África, na América, em numerosas ilhas e arquipélagos. A escassez de capital-homem, supriram-na os portugueses com extremos de mobilidade e miscibilidade: dominando espaços enormes e onde quer que pousassem, na África ou na América, emprenhando mulheres e fazendo filhos, em uma atividade genésica que tanto tinha de violentamente instintiva da parte do indivíduo quanto de política, de calculada, de estimulada por evidentes razões econômicas e políticas da parte do Estado.”
*
“No Brasil pode-se afirmar que nas áreas mais características o sistema da grande plantação foi, desde os primeiros anos de colonização, misto: pré-capitalista e capitalista, feudal e comercial. E também: criador de valores ao mesmo tempo que devastador do solo e dos homens.”
*
Mais em:

site: http://listadelivros-doney.blogspot.com.br/2016/07/casa-grande-senzala-formacao-da-familia.html
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Igor13 24/10/2018

Um clássico, referência para entender a formação do povo brasileiro
Não achei nada que pudesse acrescentar ao que já foi dito do livro e sua importância. É, como diria um anglo-saxão, self-evident.

O que posso sugerir é a leitura de outro livro também de grande sucesso (está na 22º edição), mas que é bem menos conhecido do público geral. E que, pelos menos para mim, foi além de Casa-Grande & Senzala na análise da formação do brasileiro. O livro é 'Bandeirantes e Pioneiros', de Vianna Moog.
Giovanna.Otto 08/01/2019minha estante
a leitura é muito técnica? fácil compreensão? sou leiga




raquelpets 07/03/2009

Retomar
Na época em que eu deveria ler, eu não tive muita paciência. Tinha outras leituras mais interessantes engatilhadas. Mas pretendo retomar assim que surgir oportunidade.
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Rev. Peterson 26/09/2014

Li uns 3 capítulos para uma disciplina do meu curso e, embora eu saiba que tem sua importância, achei chato, extremamente repetitivo, negativamente prolixo, etc. Levanta muitas questões interessantes e permanece atual mesmo apesar de problemáticas tanto epistemológicas quanto teóricas; mas não vou voltar pra ler os capítulos que faltaram ler não.
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Emanuel Xampy Fontinhas 18/11/2016

É leitura obrigatória para quem se enveredar pelas Ciências Humanas, afinal é uma das pernas do tripé do pensamento moderno brasileiro. Um livro escrito magistralmente, um deleite de ler, apesar de ser uma obra séria que passeia pela Sociologia, Antropologia e História, com um trabalho invejável de análise de fontes e discussão teórica, soa como um romance. Porém, a técnica e a maestria devem ser lidos com olhos críticos. A democracia racial aqui descrita como pedra fundamental da colonização, por exemplo, é contradita a todo momento, pelos relatos analisados pelo autor e pelo seus próprios preconceitos, velados ou explícitos. Nada tira seu pioneirismo, contudo. Trabalhou temas até então inéditos por aqui, de forma inovadora. Para ser lido, consultado, criticado e discutido sempre.
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