O melhor que podíamos fazer

O melhor que podíamos fazer Thi Bui




Resenhas - O Melhor Que Podíamos Fazer


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Paulo 11/08/2020

Chega um momento em nossas vidas em que paramos para refletir sobre nossos papéis para nossos amados. Aquele momento transformador onde tudo entra em perspectiva para que possamos dar nosso próximo passo. E esse momento vem quando Bui decide rever a história de sua família logo após dar a luz a seu primeiro filho. O nascimento é marcante para a família de Bui e principalmente para ela mesma. Enquanto Bui avalia seus sentimentos, ela compartilha conosco as histórias de seu pai, Bo, e sua mãe, Má em meio a momentos felizes, tristes, angustiantes, de sofrimento e de superação. O resultado é uma jornada incrível que passa por dois continentes, nos mostrando a riqueza que existe na relação entre mãe e filha.

Não há mistério na narrativa de O Melhor que Podíamos Fazer. É uma autobiografia e ela vem carregada com os sentimentos de autora/artista. Se trata de uma história da vida real e seu impacto chega até nós como uma lança em nossos corações. Em vários momentos, a história de Thi Bui me remeteu a outra que eu li recentemente, a HQ Heimat, da autora Nora Krug. Nela, Nora também fazia esse percurso de buscar a narrativa de sua família para entender a si mesma em um mundo que cobrava dela um posicionamento (ou ela cobrava a si mesma). Quando se trata de uma narrativa carregada, se torna cada vez mais complicado retirar de nossos parentes os detalhes. Principalmente por estarmos envolvidos em nosso emocional, o resgate da história oral é mais complexo. Assim como Nora Krug, Thi Bui vai coletando pedaços de informação a partir de memórias que são difíceis de serem lembradas, mas que passam para nós valiosas lições.

Para quem está estranhando o formato aqui, não me sinto à vontade de avaliar uma narrativa como a dessa HQ, porque é como se eu estivesse avaliando a vida da personagem. E isso não é um sentimento legal. Posso dizer que, para mim, a narrativa funcionou porque tocou em meu íntimo. Toda a passagem de tocha da mãe para a filha é um momento bonito e dá para perceber que esta é a catarse final da HQ. Quando a mãe deixa seu papel de filha e passa a exercer o de mãe (apesar de ainda manter um pouco da rebeldia filial lá em seu íntimo). A narrativa me toca também porque eu me aproximo da idade de Thi Bui, beirando na casa dos quarenta, então esse tipo de reflexão acerca de montar uma família, o que vou deixar para os meus filhos ou se eles irão cometer ou não os mesmos erros que eu, são pensamentos que volta e meia vem à minha mente. Será que eu vou ser um bom pai? Conseguirei transmitir boas mensagens? Assim como a orelha de capa nos coloca, é impossível que você, leitor, não chore em algum momento. Seja com os horrores da guerra, com a difícil travessia para a Malásia ou a adaptação a um novo mundo.

O que faz desta história tão bacana é o quanto a autora conseguiu transportar as características de seus pais para a HQ. Não estamos diante de personagens ou estereótipos; são pessoas reais com qualidades e defeitos e toda uma vida por trás de cada um deles. Por exemplo, vemos o quanto os traumas do passado de Bô o tornaram um pai imperfeito, negligenciando suas filhas em determinado momento, mas fazendo o possível para lhes dar saúde e alimentação. O quanto as diferenças entre Má e Bô os afastaram um do outro no casamento, mas mesmo assim eles continuam próximos um do outro. Ou o quanto Bui pode ser muito teimosa em algumas de suas posições sem entender o que seus pais querem, no fundo, dizer. E o mais legal: mesmo sendo uma família grande, eles conseguem ser unidos. As terríveis experiências pelas quais eles passaram serviram como uma cola que uniu pessoas que se tornaram tão diferentes à medida em que foram crescendo e tendo outros interesses.

A autora traz ricas informações sobre a vida no Vietnã durante as décadas de 1940 a 1970. Lógico que essa é a visão de alguém que sofreu perdas e sofreu bastante com as constantes mudanças políticas e sociais ocorridas na velha Indochina. Esse é mais um caso de um país que foi afetado pelo imperialismo que colocou este lugar primeiro nas mãos dos franceses e passou para as mãos de um ditador comunista. Assim como vários outros lugares do Leste Asiático como o próprio Camboja citado durante a HQ que simplesmente passou pela administração de uma "milícia" comunista conhecida como o Khmer Vermelho. E o Khmer devastou o Camboja por mais de trinta anos até eles conseguirem encontrar forças para se libertarem do domínio socialista. Vocês me perguntam então: todo o país socialista foi uma ditadura? Não necessariamente. Mas, os exemplos mais visíveis surgidos durante a Guerra Fria são bem complicados de se defender como a ditadura de Pol Pot, no Camboja ou a guerrilha de Ho Chi Minh no Vietnã. Pessoas como a Bui que tinham uma vida razoavelmente adaptada ao domínio francês se viram pegas em um tiroteio entre capitalistas e socialistas que usaram o cenário do Vietnã para realizar sua guerra ideológica. Como sempre, são os inocentes que pagam o preço.

A narrativa que se faz desses momentos é cercado de um romantismo que os vietnamitas não entendem. Filmes como Platoon e Apocalypse Now vieram no esteio da condenação de uma guerra entre soviéticos e americanos. Mas, e aqueles que moravam em Saigon? Um dos momentos mais tristes da história do Vietnã é a entrada das forças vietcongues em Saigon decretando a derrota dos americanos em uma longa e infrutífera guerra. A questão não é quem estava certo ou errado. A história de Bui, apesar de sofrida, acabou ocasionando um final feliz em outro continente. Mas, para cada final feliz existem dez outros casos infelizes. Não é que o regime francês fosse melhor que o socialista. É simplesmente que quem vivia sob o regime francês passou a ser considerado cidadão de segundo escalão. E, o regime vietcongue acabou adotando aquilo que havia de pior no stalinismo: a espionagem e a paranoia.

Uma velha máxima da Mãe História é que ela é contada pelos vencedores. E é bom de vez em quando ver um lado da história que não foi contado. Ao mesmo tempo as dificuldades e obstáculos que Má e Bô passaram são terríveis. Vendo o quanto eles são articulados e cheios de recursos, percebemos o quanto a vida deles poderia ter sido diferente em outro contexto. A gente fica naquele exercício eterno do "E se...". Ao mesmo tempo é maravilhoso ver o quanto o espírito dos dois não foi quebrado mesmo diante de recusas, de abandonos, de relegações e de sacrifícios. Faz a trajetória dos dois ganharem contornos épicos. Afinal, era o melhor que eles podiam fazer pelos filhos, em um trocadilho com o título da HQ.

A conclusão que eu chego é que essa era uma história que precisava ser contada. E Thu Bui a conta de uma maneira artística e elegante. Não falei ainda da arte, né? Ela segue um padrão de linhas claras que lembra a arte europeia. Mas, Bui emprega algumas cores além do preto e branco, o que dá uma personalidade única ao quadrinho. Se a missão era emocionar, Bui conseguiu fazer isso aos montes. Só tenho a recomendar essa história e eu acredito que deva entrar para as minhas melhores leituras do ano. Tem o potencial e aquele poder narrativo para isso.

site: www.ficcoeshumanas.com.br
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@andressamreis 28/07/2020

O melhor que podíamos fazer - Thi Bui

Escolhi o pior momento para ler esta Graphic Novel: durante a minha segunda gravidez! Já estava receiosa pela chegada de mais um filho e acompanhar toda a odisseia da família de refugiados de Thi, do Vietnã aos Estados Unidos, foi tenso, demorei muitos dias para ler!

Thi Bui é vietnamita em uma família com 6 filhos, possuíam um bom nível social de vida, até que a guerra os invadiu e mudou tudo!

Imagine o que é fugir, com filhos pequenos, deixando tudo pra trás, e o que é pior, bombas caindo atrás de você!

Essa Graphic é tão devastadora!

Seja pelo instinto de sobrevivência de Thi, seus pais e irmãos, seja pelas cicatrizes emocionais que marcaram cada um indelevelmente.

Assim, quando Thi torna-se mãe pela primeira vez é tomada por um instinto de reconciliar-se com seus pais e para isto ela faz todo um resgate da história dos dois, tentando compreender e lançar luz sobre alguns comportamentos durante a sua educação na infância e adolescência. O tempo na narrativa não é linear, a todo momento ela vai e volta para recuperar a história dos seus genitores.
E isto nos toca profundamente! Essa cura acerca do relacionamento com seus pais é muito sensível e doloroso. Tudo tem um porquê!

Leia! Se quiser saber sobre refugiados, se quiser conhecer mais de perto a Guerra do Vietnã e principalmente sobre Ser Família!

Uma frase me marcou.
? "Agora família é algo que criei e não apenas algo em que nasci".

Essa leitura me deu forças para ter um parto em meio a pandemia. Quando tive medo, pensava na mãe de Thi fugindo da guerra com barrigão e parindo em um campo de refugiados! A força da mãe dela foi meu refúgio!
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Amanda Teles - Livro, Café e Poesia 20/07/2020

Você já parou pra pensar que às vezes para entender o outro, seu jeito ou atitude em determinada situação, visitar seu passado é necessário?

Thi Bui conta nesta memória gráfica a luta da sua família na busca por uma vida melhor, fugindo de seu país em guerra e imigrando para um mundo novo. As dores e traumas sofridas por uma criança em meio a tudo isso, fugindo com toda sua família e os sacrifícios para construção de uma vida segura, são retratadas aqui. Bui, ao se tornar mãe e refazer, mentalmente, o caminho que levou sua família aonde estão, descobre o amor, nunca expressado em palavras, e sacrifícios feitos pelo seus pais.

Uma vez assisti uma palestra do filósofo Mário Sergio Cortella onde ele fala que: capricho é fazer o melhor, nas condições que se tem, enquanto ainda não tem condições melhores pra fazer. E ao ler esta HQ me veio muito essa sensação da busca do melhor, de doação ao outro, de amor sem troca, amor por amor.
As relações entre pais e filhos, em algumas fases de nossas vidas (principalmente na adolescência e início da vida adulta) tendem a ser complicadas, e a chave gira quando a gente passa por essas fases e em algum momento de nossas vidas conseguimos nos enxergar em nossos pais e assim entender algumas das atitudes deles, mesmo sem concordar.

Essa Hq maravilhosa fala sobre a força que uma família tem sobre nosso desenvolvimento e fortalecimento de identidade, sobre perdão, sobre resiliência, sobre se ver no outro, sobre fazer o melhor.
E você, já fez o melhor que poderia fazer?



Segue lá no Instagram @livrocafeepoesia
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Vi 13/07/2020

De forma clara: se você não compreende as críticas ao imperialismo estadunidense; acha o movimento hippie dos anos 70 revolucionário; entende xenofobia como piada, esse livro é importante.
Guerras, desastres, imperialismo e colonizações e como isso tudo impactou gerações e culturas. Como pensar que isso não tem sequer qualquer influência na atualidade? A intimidade da autora é exposta. E somos convidados a pensar a vida e suas injúrias como cicatrizes para além de nossa própria existência. Talvez haja um laço forte, como ferro, e delicado como pena que, incessantemente, coloca-nos ao passado não como uma prisão, e sim como precedente indispensável para nossa própria existência.
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Rod 29/06/2020

Bom
Durante quase toda a narrativa se concentra no sofrimento por qual a protagonista passa, mas isso torna a história bem sensível.
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Alle Fay 24/06/2020

Boa leitura
Um livro muito bom que faz com que o leitor se identifique com algumas situações. E ele nos faz refletir sobre a situação de várias famílias que resolvem reconstruir a vida em outro país...
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Fábbio - @omeninoquele 10/06/2020

Perfeito!
#OMeninoResenhando
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❝Costumava pensar que a história misturou a vida dos meus pais com a poeira de uma explosão catastrófica. Que penetrou a pele deles e tornou parte de seu sangue.❞
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Thi Bui está prestes a se tornar mãe e construir uma família, quando a dúvida chega pra ela: será que ela seria suficientemente boa pra ter uma família? Será que ela saberia se portar como mãe, assim como sua mãe fora pra ela? Ela percebe então que é mais fácil ter sido filha e estar nesse papel de mãe é um pouco assustador e desafiador, mesmo que ela saiba que as condições são bem diferentes agora.
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E é a partir daí que Bui conta a trajetória de sua família desde o começo, quando moravam no Vietnã, e depois que ocorre muitos problemas políticos e o país que era dividido em dois, caí na década de 1970, e eles passam a se refugiar de país a país em busca de um novo lar, um lugar para viverem suas vidas de forma segura.
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As incertezas da guerra e a constante fuga que eles faziam, meio que moldaram eles a serem mais duros e esperarem de tudo. Foi assim, que narrando a história de sua família, em meio a um caos político sem precedentes, que conhecemos os pais de Thi Bui, e constatamos que os seus passados foram muito duros e cheio de perdas, mas eles sempre tentaram se manter fortes para os filhos, e era daí, que agora Thi Bui iria se agarrar pra ser a mãe de família que tinha que ser.
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A história da família de Thi Bui, pode não ser igual a de todas outras de famílias de refugiados, mas ela nos serve de inspiração para todos que desejam um futuro melhor, num lugar com mais compreensão e mais oportunidades de viverem em paz.
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Livros que envolvem refugiados sempre são muito emocionantes pra mim, ainda mais quando trazem um retalho de um contexto histórico global, como foi a Guerra do Vietnã pois sabemos que muitas vidas inocentes foram ceifadas nessas brigas por domínio e poder, muitas vezes infundadas. Mas que mesmo doloridas são necessárias para saber-mos qual caminho não tomar no presente. São esses momentos difíceis na história do mundo que servem pra moldar as pessoas a serem mais resilientes e fortes, igual a família de Thi Bui.
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É uma história belíssima e emocionante, de uma família forte, mas cheia de cicatrizes que só desejava um lugar pra se estabelecer e viver a vida, mesmo com a dor de ter de sair de sua pátria amada. Os traços da HQ são belíssimos e nos remetem muito a esse momento de nostalgia do passado vivido pela família e relembrado agora por Thi Bui. Enfim, eu recomendo demais!
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#OMelhorQuePodiamosFazer #ThiBui #EditoraNemo

site: https://www.instagram.com/p/CBRQPpljOwS/
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Cathi 08/06/2020

Ensinamentos e histórias marcantes
A partir do olhar de uma criança, acompanhamos os desafios de uma grande mudança da família de Thi Bui. Focando principalmente na luta da busca por um futuro melhor após a queda do Vietnã do Sul, na década de 1970 se conectando também com a Segunda Guerra. ⁠Através dos relatos gráficos de suas lembranças da infância, a autora explora a tentativa de sobrevivência e migração.

Conhecemos a história da mãe e do pai, antes mesmo de Thi Bui ter nascido, o que nos leva a entender comportamentos atuais de ambos e a admiração que a autora tem pela mãe. Tudo isso muito bem costurado com acontecimentos históricos e com o momento atual de sua vida, que é o nascimento de seu filho.

É um tipo de obra que em alguns momentos aquece muito o coração, gera empatia, ansiedade mas ao mesmo tempo é muito dolorosa. Todas as dificuldade da família são narradas com sinceridade, ou seja, acompanhamos injustiças, imposições e oposições de muitos que tentaram lutar contra uma guerra que gerou inúmeros mortos, feridos e impactou diretamente a vida de famílias, inclusive essa.

A autora conseguiu expressar através de ilustrações sutis, não só os sentimentos de cada personagem, mas também o meio político, cultural e social enquanto explora suas origens nas conversas com a mãe e o pai. Não preciso dizer o quanto é uma obra valiosa, necessária e verdadeira. Sem dúvidas, Thi Bui é uma figura que devemos admirar por ter a coragem de compartilhar um retrato tão intimo da dificuldade de se viver em um regime autoritário e a adaptação de se viver em um novo país, com uma nova cultura e costumes.

site: https://www.instagram.com/p/CAlU5WfjJnI/?hl=pt-br
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Gramatura Alta 29/05/2020

http://gramaturaalta.com.br/2020/05/29/o-melhor-que-podiamos-fazer/
O envolvimento militar americano direto na Guerra do Vietnã foi encerrado formalmente em 15 de agosto de 1973. Não demorou muito tempo e na primavera de 1975, os norte-vietnamitas iniciaram uma grande ofensiva para anexar o Sul de uma vez por todas. Em abril de 1975, Saigon foi conquistada pelos comunistas, marcando o fim da guerra, com o Norte e o Sul do Vietnã sendo formalmente unificados no ano seguinte. Foi nesse cenário que a família de Thi Bui, a autora de O MELHOR QUE PODÍAMOS FAZER, fugiu do Vietnã e se refugiou nos Estados Unidos.

Em 2005, Bui teve seu primeiro filho, e com a maternidade, nasceu um desejo de compreender seus pais, suas origens, os fatos que ajudaram a moldar o caráter e as decisões dos dois. Para isso, Bui precisou voltar ao passado, através dos relatos das memórias que eles tinham desde a infância. Esse projeto foi inicialmente iniciado como um livro, mas ele não representava verdadeiramente o sentimento que Bui queria transmitir. Assim, ela decidiu transformar tudo em uma HQ, onde poderia desenhar os locais e as emoções de cada pessoa de sua família, além das dela própria.

O traço de seus desenhos é simples, mas muito competente no que deseja transmitir. Embora faça tudo no preto sobre branco, ela adicionou apenas a cor vermelha espalhada pelos quadrinhos, muitas vezes sem um objetivo estético, mas como uma nuvem que sempre rodeia toda a sua vida. É difícil compreender o que Bui deseja passar. Normalmente o vermelho representa sangue, perigo, mas não sei se esse é o objetivo. Com base em toda a história passada no Vietnã, o vermelho pode significar uma dezenas de coisas diferentes, ou mesmo todas elas. Acho que seu significado será diferente para cada leitor.

O MELHOR QUE PODÍAMOS FAZER é uma HQ totalmente autobiográfica e bastante pessoal. Não existe espaço para qualquer traço de ficção, e a narrativa feita por Bui é totalmente de pesquisa sobre seus pais e tudo o que aconteceu até aquele momento em que ela virou mãe. A relação dela com os pais não é fácil, cheia de pequenas mágoas, muito por causa da insistência dos dois em manter uma cultura rígida e intransigente quanto a estrangeiros, e isso se torna muito complicado quando eles vivem em um país estrangeiro.

Bui e sua família ao chegarem nos EUA não tiveram apenas que superar os traumas de tudo o que enfrentaram, mas também se adaptarem a um povo completamente diferente, e mais, em uma época que também foi traumática socialmente e politicamente para os americanos, por causa de guerra e de todo o conflito que ela gerou dentro do país. Bui saiu de um inferno para cair em um local onde muitas pessoas os viam como inimigos, ou com suspeitas.

A leitura de O MELHOR QUE PODÍAMOS FAZER não é fácil. A vida que os pais de Bui enfrentaram antes de se tornarem adultos, e após, é algo difícil de compreender, de aceitar, que causa desconforto. São situações que que beiram o absurdo, desde abandono, sequestros, fugas, pobreza extrema, guerra, mortes, corpos pelas ruas, viagens no meio de batalhas armadas, entre muitas, muitas outras situações que são difíceis de absorver. É uma leitura que abala o psicológico, que exaure as forças.

O MELHOR QUE PODÍAMOS FAZER não é apenas uma busca de Bui por quem são realmente os pais, ou mesmo por quem ela é, mas uma forma de equilíbrio psicológico e emocional, uma forma que ela encontrou de conseguir ter uma visão de qual tipo de mãe ela seria para seu filho recém nascido. Nos EUA, Bui estudou Artes e Direito e pensou em se tornar uma advogada de direitos civis, mas, em vez disso, virou professora de escola pública na Califórnia. Esta é sua primeira HQ, e ela serve de aprendizado para se conhecer como é possível suplantar sacrifícios terríveis para conseguir salvar uma família.

site: http://gramaturaalta.com.br/2020/05/29/o-melhor-que-podiamos-fazer/
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Ana 28/05/2020

O Melhor Que Podíamos Fazer é uma autobiografia em forma de quadrinhos da autora e ilustradora Thi Bui. Aqui, ela explora sua história e de sua família antes, durante e depois da Guerra do Vietnã, um grande conflito armado que perdurou por vários anos, de 01 de novembro de 1955 até 30 de abril de 1975, data que culminou com a queda de Saigon. Essa foi a segunda das Guerras da Indochina, oficialmente travada entre o Vietnã do Norte e o Vietnã do Sul, lar da família de Thi Bui. O norte era apoiado pela União Soviética, China e outros aliados comunistas, enquanto o sul era defendido pelos Estados Unidos, Coreia do Sul e várias outras nações anticomunistas.

A narrativa é feita pela autora e possui uma construção muito interessante, principalmente porque ela mescla suas próprias memórias às memórias dos pais. Então, conhecemos tudo o que acontece com eles através de vários olhos, inclusive em uma época que Thi Bui ainda nem tinha nascido (o nascimento dela e de todos os irmãos foi muito complicado, pois passaram muitos anos em meio à pobreza extrema num país que beirava o caos). A vida deles sempre foi difícil, mas, com a queda do Vietnã do Sul, foram obrigados a procurar asilo em outro país. E foi assim que chegaram aos Estados Unidos, lugar de cultura totalmente diferente da que conheciam.

Fui totalmente envolvida pelos relatos de Thi Bui. As histórias dos pais dela, principalmente do pai, Bô, me marcaram completamente. Durante a leitura, a sensação que eu tinha é que eu estava lá — daí vocês conseguem imaginar o quão intimista esse quadrinho é. Porém, o mais incrível de tudo é a forma como a autora mostra o impacto dos acontecimentos históricos na história de sua própria família, em várias gerações. Obviamente o período da guerra é o mais difícil e sensível de toda a narrativa.

Também é incrível como a temática abordada em O Melhor Que Podíamos Fazer é relevante para os dias atuais. O fato da família ser obrigada a se refugiar em outro país por causa de conflitos políticos lembra muito a história de inúmeros refugiados de hoje. Além da questão política, muitos se veem forçados a deixar seus verdadeiros lares por motivos religiosos, violações de direitos humanos e até mesmo outras questões econômicas. São obrigados a largar toda uma história para trás por um direito básico, o de sobrevivência.

De fato, a obra de Thi Bui desperta inúmeras reflexões. Todo o contexto exige do leitor muita sensibilidade. As ilustrações são angustiantes na mesma proporção em que são lindas, bem como os diálogos, que são marcantes, mas extremamente tristes. Os relatos de como eles passaram a viver em uma sociedade repleta de preconceitos com os refugiados são particularmente dolorosos... Fiquei emocionada também ao perceber a empatia da autora em relação aos próprios pais, porque foi a partir da escrita desse livro que ela começou a entender que eles são o que são por causa das marcas que carregam.

Às vezes é uma tarefa muito complicada falar sobre livros como O Melhor Que Podíamos Fazer... Parece que a gente fala, fala, fala e não fala nada... Sinto que todos os parágrafos desse texto são compostos por palavras vazias que não conseguem mostrar de fato o que eu senti, o quanto essa narrativa é sincera e transcendente, o quanto transmite esperança apesar dos pesares. Ou talvez consigam... Na verdade, espero que vocês possam tirar minhas dúvidas quanto a isso.

site: http://www.roendolivros.com.br/
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Nathalia Ellen | @pixelbooks 28/05/2020

Resenha - O melhor que podíamos fazer
“O melhor que podíamos fazer” conta a história de uma família que busca por um futuro melhor para isso encaram a imigração e discutem os impactos que o descolamento pode acarretar para a vida de uma criança. A autora do livro conta o que a sua família precisou enfrentar durante a sua fuga após a queda do Vietnã do Sul, em 1970, e as dificuldades resultantes da mesma.

Eu adorei essa Graphic Novel em todos os seus aspectos, o traço é lindo e a história é ainda mais marcante, pois engloba a transformação e a evolução vivenciada na vida de Thi, tendo início no parto do seu bebê, fato que demonstra a reflexibilidade e o tom retrospectivo possuído pela GN. Assim, a abordagem é delicada, sensível e profunda, na medida em que explica a forma como os seus pais agiram durante toda a sua vida e os motivos que os fizeram ser dessa maneira.

Eu senti tanta verdade e sinceridade durante essa leitura, que não consigo expressar, apenas dizer que foi um sentimento genuíno, puro e natural. Ver Thi Bui se colocando no lugar da sua mãe ao analisar tudo o que a mesma enfrentou na criação dos seus filhos, me pegou em cheio, principalmente, por ter realizado essa leitura tão próximo ao dias das mães, me fez admirar ainda mais a minha e todas as mulheres guerreiras que desempenham tão bem esse papel de suma importância nas nossas vidas.

Uma Graphic Novel perfeita pra ser lida durante o isolamento social, na verdade, para ser lida em qualquer momento da vida, mas que se encaixa com momentos difíceis, pois apresenta em sua narrativa detalhes dolorosos e sofridos, porém aborda também a superação e a esperança. Um indicado que nos ajuda a refletir sobre as desigualdades e preceitos presentes no mundo, bem como nos problemas que muitas pessoas precisam enfrentar para sobreviver. Forte, impactante e maravilhoso! Leiam!

#NathEscreve

site: https://www.instagram.com/p/CAGYXqBA87E/
Leitura e . 28/05/2020minha estante
Boom diaaa!!
Vim te convidar pra me seguir no Insta para acompanhar minhas leituras. Vou deixar aqui o link do sorteio que vai rolar domingo tbm!
??
Será muito bem vindX...

@leituraeponto

Obrigado... ?


https://www.instagram.com/p/CAAvDOwHX4g/?igshid=eeqazfb5cqxl




@desaniversarios 25/05/2020

Uma viagem pelo interior do ser humano
A história é autobiográfica, ou seja, contada pela própria autora do gibi: Thi Bui. Gosto de narrativas em primeira pessoa, porém, O Melhor que Podíamos Fazer traz muitos personagens com nomes bem diferentes dos que estamos acostumados. Acabei ficando um pouco confusa nesse ponto. Além disso, a trama vai e volta no tempo muitas vezes, e mesmo com o apoio das ilustrações, fiquei perdida em certos momentos. Diversas vezes precisei voltar e descobrir de quem Thi Bui estava falando. Era do Bô? Era do pai do Bô? Ou do avô de Bô? Talvez fosse o tio?

Infelizmente isso acabou tirando um pouco da magia da leitura para mim. E foi nesse ponto que a graphic novel perdeu duas estrelinhas.

Mas tenho muuuuuitas coisas positivas para contar sobre O Melhor que Podíamos Fazer! Continua aí que já te conto mais sobre esse gibi.

Ler essa história em quadrinhos foi fazer uma viagem no tempo e por lugares que nunca visitei! Além de vivenciar um momento histórico muito importante (e que não é retratado de todos os lados), conheci personagens que sofreram muito e acabaram levando os calos da vida como uma armadura. E mesmo quando o amor se mostrou presente, eles não souberam lidar da maneira que deveria.

Thi Bui e seus irmãos precisaram aprender a viver em um lar sem carinho e demonstrações de afeto. Mas isso não foi culpa dos seus pais, isso foi culpa das circunstâncias e de tudo que viveram.

É uma história real, tocante e muito verdadeira. Uma família que passou a vida inteira fugindo e protegendo-se do mal. A autora escreve algo nas últimas páginas que me tocou muito:

“Nessa noite entendi para o que meus pais tinham me preparado a vida inteira. Foi essa – e não uma tradição vietnamita qualquer – a minha herança cultural: a inexplicável necessidade e a extraordinária habilidade de fugir na hora do perigo.”

O gibi é totalmente ilustrado em aquarela de tons terrosos. Essa técnica me deixou muito nostálgica e ao mesmo tempo me lembro lama. Como se a história da autora estivesse misturada na lama e no barro que foi o passado dos seus pais e avós.

Bô e Má podem não ter sido os melhores pais, mas foram os melhores nas circunstâncias que se encontravam.

É uma história pesada, intensa e verdadeira. Não espere um final romantizado. Aqui a verdade é nua e crua, mas, de certa forma, nos traz um conforto. Mostra que nem tudo é perfeito, mas as coisas acontecem da maneira que deveriam acontecer e precisamos aprender e lidar com elas assim.

site: https://desaniversarios.com.br/2020/05/25/o-melhor-que-podiamos-fazer/
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Karla Lima 13/05/2020

@seguelendo
Eu definitivamente não estava preparada para o impacto dessa leitura. A autora documenta a história de sua família durante a Guerra e a fuga após a queda do Vietnã do Sul.

Apesar da brutal realidade, a história é contada de forma delicada, pincelada com as reflexões de uma mulher madura que olha para o próprio passado. Bui compartilha conosco as experiências que viveu, bem como a formação, e as dores, dos seus pais.

O traço é forte, mas de alguma forma consegue nos transmitir toda sensibilidade que a história merece. As cores, quase ausentes, são quentes e com total predominância do laranja. Não sei se foi proposital, mas os tons escolhidos me fizeram ficar ainda mais imersa na história, como se realmente estivesse desbravando páginas antigas da história de Bui.

Não tenho palavras para descrever como eu amei. Tudo o que posso fazer nesse momento é dizer para você que me acompanha aqui no Instagram: confie em mim, e leia essa história!

Obrigada, @editoranemo, por me enviar essa obra e me proporcionar essa experiência. Foi incrível.
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Gabriel Dias - @Done.em 11/05/2020

O Melhor Que Podíamos Fazer
Utilizando o relato gráfico Thi Bui faz a construção de toda sua história, em uma narrativa multicultural, que explora a fuga de sua família após a queda do Vietnã do Sul e sua conexão com a Segunda Guerra Mundial, destacando os processos migratórios, e a busca pela qualidade de vida, e principalmente a sobrevivência.
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“Será que nossos pais alguma vez nos olharam e se sentiram meio... desapontados? Expectativas tão grandes, e tantas possibilidades de quebra-las”.
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A Narrativa em grande parte é comandada por Thi, onde descreve, após entrevistas e pesquisa da memória familiar, todos os integrantes, em uma construção que vai desde a sua gravidez, a de sua mãe, por ela e seus irmãos, chegando a fatos históricos em um cenário de sobrevivência, guerra e muita luta, trazendo questões de pertencimento de sua família, quanto a sua em Nova York, na mesma medida elaborando uma construção afetiva, muito pessoal.

Gosto de como a obra foi concebida, mostra destreza da autora que transcende a pesquisa e o simples relato, Thi vai fundo construindo uma paisagem única, seja na descrição e no traçado da Graphic Novel, a forma que a ela costura os relatos com os acontecimentos históricos e como tudo isso impactou na vida de sua família, em vários níveis de geração, é o que melhor há, uma obra pessoal, sensível e muito profunda, que explora todas as camadas da origem.

Além de trazer os aspectos de vida, sua e de seus irmãos, traz o relato pela conexão, como seu pai e sua mãe cresceram e como foram se conhecer, colocando acima de tudo uma empatia única, onde mostra que estar perto não necessariamente é estar conectado, onde os sentimentos de amor e carinho são colocados a prova.
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Uma obra dolorosa, mas justa, que traz sinceridade a cada traçado, a cada construção de cenário e até na sua organização, Thi Bui constrói na mesma intensidade que descontrói, tirando camada por camada, até entender nada mais nada menos que a origem, seja ela sentimental quanto física.

“Toda vítima numa guerra é o avô ou a avó, a mãe ou o pai, o irmão ou a irmã, o filho ou a filha, amado ou amada de alguém”.

site: https://www.instagram.com/p/CAEQppVjemK/
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Pipoca Nerd 19/12/2019

Resenha: O melhor que podíamos fazer – Thi Bui
Salve salve, pipoqueiros!

Lançada pela Editora Nemo e escrita por Thi Bui, O melhor que podíamos fazer nos introduz a um tema bem atual: Os imigrante, seus elos com as cidades onde nasceram e a buscar por um lugar melhor.

Em sua primeira Graphic Novel autobiográfica, Thi Bui consegue nos transportar para o passado e nos mostra as origens de sua família Vietnamita. Essa Graphic vai nos mostrar que proximidade e estar perto, não são a mesma coisa.

Acompanhamosa fuga de uma família após a queda do Vietña do Sul rumo a um lugar seguro.

Com ilustrações lindíssimas e com diálogos extremamente fortes, ela nos transmite as angústias passadas pelos conflitos da época e nos mostra como que esses acontecimentos se manifestaram na vida adulta de todos os parentes.
Descrita tanto pela própria autora quanto a mãe e o pai, Você começa a entende-los quando chega mais ou menos na metade do livro, quando conta sobre as lembranças dos antepassados citados na história.
Não será nenhum Spoiler falar que no final desse enredo eles se refugiam nos EUA, mas o interessante mesmo são os confrontos históricos passados pelos avós e pais da autora. Em um momento tão delicado e ao mesmo tempo tão grosseiro, podemos ver a perspectiva de quem vivia ao Norte e ao Sul do Vietña. Duas realidades bem diferentes.

Além de transmitir a jornada dessa família, ela fala principalmente sobre compreensão e empatia. Muitas das vezes julgamos as pessoas sem conhecer o real motivo por trás de suas atitudes.

Até a próxima !

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