Morte em Veneza

Morte em Veneza Thomas Mann




Resenhas - Morte em Veneza


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Andre 16/09/2009

As mazelas e tristezas de uma paixão
Li este livro por um conselho de um amigo meu que falou muito bem dele. Como não custava nada pegá-lo para ler, acabei lendo-o.

O livro conta a história de um escritor, que está passeando por Veneza. Lá, entre tantas pessoas, encontra um menino que lhe parece muito belo e que ele adora desde a primeira vez que o vê. Com o passar do tempo, percebe que ama este menino e que não pode deixar de ficar perto dele. Nada, nem mesmo a peste, que estavam tentando esconder e que ele soube por intermédio de um funcionário, poderiam separá-lo dele.

O final, abrupto demais, foi algo duro e ao mesmo tempo inesperado. Não vou contar, pois assim tira-se a graça do livro. Quem quiser saber, que leia! Mas que é um final forte, isso o é com certeza!

Indo agora mais para um lado pessoal, gostei muito da linguagem do autor, algo sofisticado. Mesmo assim, consegui entender tudo o que o autor queria passar.

Este é um livro onde os diálogos são raros. Tenho medo de livros assim, mas este me surpreendeu. Em algumas partes, os pensamentos do personagem deixaram-me um pouco sonolento, mas, com o passar do tempo, o livro foi ficando muito interessante e eu comecei de verdade a gostar da história. Acabei gostando do livro, mesmo com poucos diálogos.

O único ponto negativo fica pelo fato das partes em que achei um pouco cansativas. Demorou um pouco para que eu me interessasse pelo livro. Todavia, quando comecei a me interessar, não quis mais parar de ler.
Danielle 13/07/2010minha estante
hahahaha....gostei do desprezo...hahahaha!!!




Renato Medeiros 25/09/2010

O preço do deslumbramento

Publicado em meados do século XX, A Morte em Veneza, um dos mais conhecidos livros do alemão Thomas Mann, traz a trajetória de declínio de um aclamado escritor de Munique atormentado por amar um jovem que, para ele, era a personificação da beleza ideal.

Gustav von Aschenbach viveu toda a sua vida em função da construção de sua extensa obra literária. Desde muito cedo se dedicou inteiramente a esse propósito e privou-se dos mais comuns prazeres da juventude. Porém, na maturidade, tomado por um impulso desafiador, interrompeu o seu exaustivo trabalho e partiu em viagem pela Europa. Ele só não esperava encontrar em Veneza tudo aquilo que sempre procurou e sempre tentou expressar em sua arte: a forma perfeita e as proporções harmônicas do belo. Foi na figura de Tadzio, garoto polonês de apenas 14 anos, que Aschenbach, rendido à beleza do jovem, inicia um processo gradativo de decadência moral, levando-o a total anulação de alguns de seus mais preservados princípios.

Tadzio se encontrava de férias com a sua família em Veneza e estava hospedado no mesmo hotel que Aschenbach. A comunicação entre os dois é frágil ou praticamente inexistente, exceto por alguns olhares trocados. Porém, eles jamais chegam a se falar. Pouco a pouco, Tadzio vai, indiretamente, seduzindo o escritor que, perturbado, se sujeita às mais ridículas cenas.

A fixação de Aschenbach é o principal ponto de articulação da história, narrada apenas do ponto de vista do protagonista. Entretanto, embora se tenha indícios de que Tadzio também se sente atraído pelo escritor, o leitor não sabe o que se passa na mente do garoto, pois toda a agonia e todas as sensações apresentadas na novela são frutos apenas das observações de Aschenbach. Nada se sabe da natureza de Tadzio, a não ser aquilo que é apresentado pelo seu admirador. Por isso, o leitor pode se perguntar se não houve exagero em certas situações vividas no livro, se não há imaginações exacerbadas de um homem apaixonado.

Muito se fala sobre o caráter autobiográfico de A Morte em Veneza, já que aspectos da vida da personagem principal coincidem com os do autor, como o fato de ele também ter sido um escritor famoso, maduro e bem sucedido. Além disso, há boatos de que Tadzio - certamente um rapaz com outro nome, porém também polonês - teria realmente existido e que Thomas Mann o conhecera durante uma viagem feita à Veneza, em 1911, mais ou menos na mesma época em que se passa a história.

A linguagem de Thomas Mann é tradicional e aparentemente não traz grandes influências das correntes modernistas da época. O texto é cheio de pequenas cenas que, de princípio, parecem estar desvinculadas da história principal e apresentam certo ar profético, mas que no fim ganham sentido para o bom observador. Exemplo disso pode ser percebido quando o gondoleiro clandestino some sem receber o seu dinheiro e sustenta a expressão: "você pagará", porém sem mencionar em qual moeda se fará esse pagamento; ou quando o velho rejuvenescido sofre críticas de Aschenbach durante a viagem à Veneza.

A Morte em Veneza é uma obra curta, completa e fascinante. E mesmo que seu desfecho deixe a desejar, talvez por ter se tornado um pouco óbvio, é capaz de causar sensações, no mínimo, interessantes e curiosas no leitor, o que faz a sua leitura valer a pena.
Eduardo 23/11/2010minha estante
excelente resenha. essa sacada do velho rejuvenescido se choca com a cena de Aschenbach, feliz, sendo maquiado pelo barbeiro do hotel.
E essa do "você pagará", bem observado. terminei de ler hoje, e voltei a esta parte. ambíguo... de um lado é banal, de outro, profética. boa observação.




Jack 28/06/2020

Excelente
A história é muito sensível e inteligente, discutindo o mito da beleza e da nossa finitude, remete aos gregos e é no mínimo intrigante a forma como ele percebe suas incapacidades e sua impotência; ver o belo sem desejar corrompê-lo.
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Hofschneider 26/05/2020

final atual
o livro começa com uma narrativa em terceira pessoa que sabe tudo sobre o personagem principal, um escritor famoso e cansado que quer viajar, tudo isso com uma narrativa meio mágica sobre arte. a viagem é para Veneza e lá ele se apaixona perdidamente e platonicamente por um garoto polonês que também é turista.
a história tem várias referencias a mitologia e a arte. o final é de se identificar no contexto em que estamos vivendo hoje em dia.
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Heloisa 14/05/2020

amor, devoção e platonismo
Apesar de ter uma narrativa prolixa que beira o lirismo, o autor conseguiu passar a complexidade e a verdade do Gustav nessa obra e sentimos suas emoções a cada pagina. O livro é caracterizado por dicotomias como belo/feio e jovem/velho, porem, o que mais me chamou atenção foi a obsessão e personificação do Belo na figura do Tadzio e a paixão platônica do Gustav em um jovem polonês. Uma obra inteligente e com pequenos detalhes escondidos.
@riggifabio 14/05/2020minha estante
Só vi o filme, achei incrível


Heloisa 14/05/2020minha estante
Ainda não vi o filme, mas ja está na lista


@riggifabio 14/05/2020minha estante
A trilha sonora é maravilhosa tb




Adriana Scarpin 17/03/2020

Nós podemos ter vários livros favoritos dignos de 5 estrelas, mas raramente encontramos uma novela redondamente perfeita em forma e conteúdo como essa.
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Carla 06/12/2020

Um homem e a sua solidão
Primeiro contato com a escrita do autor e confesso que não foi uma experiência muito agradável. A escrita demasiado rebuscada em uma história bastante abstrata que fala dos sentimentos de um recluso escritor para um jovem de 14 anos. O amor é platônico, não sexual, mas podemos comparar esse amor ao flerte com a juventude já há muito passada do protagonista.
Nao senti empatia alguma pelo protagonista da obra, um sujeito nada modesto, nada simpático, nada humilde. Talvez o fetiche da intelectualidade tenha sido atribuída ao personagem por costumes da época, mas achei enfadonha a forma como ele julga os a sua volta.
A parte mais interessante da história para mim foram as ações de Veneza em combater (ou esconder) a chegada da peste que em muito se parecem com as ações dos governos na pandemia que vivemos.
É uma obra que pode suscitar discussões interessantes, mas a mim não tocou.
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Li 07/02/2011

O Belo
O poeta Paul Valery afirma que belo é tudo o que desespera. Teria isso acontecido com o nobre escritor Aschenbach que transformara o jovem Tadzio em obra-prima da natureza? Então, amigos, se a beleza não fosse uma questão subjetiva, não deveriam todos estar tão enlouquecidos quanto ele em torno do moço? Não sei de nada, mas há muito que reflito sobre a diferença entre amor, paixão e seus ditos sintomas, tais como fascinação e desespero. O que acometeu à Gustav Aschenbach é o que nos acomete, acometeu ou nos acometerá um dia.
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Ana 12/05/2020

Platonismo puro.
Gustav von Aschenbach, um escritor cheio de prestígio, famoso em sua terra natal, que tem inclusive um título de nobreza, nunca se deu a excessos, sempre se manteve dentro da sobriedade; mas de repente, do alto de seus cinquenta anos de idade resolve viajar, como quem toma uma decisão importante para a própria saúde. Acaba indo parar em Veneza, em um hotel chique, onde também se hospeda a família de Tadzio, lindo jovem polonês por quem ele se apaixona perdida e platonicamente, pois no rapaz ele vê realizado o ideal de beleza clássica tão perseguida em suas obras. A maneira a qual Thomas Mann descreve a paixão de Gustav por Tadzio é bem delicada, exaltando todo o platonismo da situação. Ora, Tadzio tem 14 anos, e se esse amor de fato se realizasse, o protagonista Gustav estaria em péssimos lençóis, e viria abaixo todo o seu prestígio.
Não consegui ver de fato pedofilia nesse romance; não há sexo aqui, Gustav se contenta apenas em admirar seu amado, como quem idolatra um deus pagão. Pode ser que eu esteja enganada, mas a situação de Gustav é a situação de muitas pessoas que querem amar alguém impossível e acabam se autodestruindo pelo desejo. Gustav, no auge da sua paixão, passa a seguir todos os passos do ídolo do seu coração, indo inclusive parar em ruas suspeitas e empestadas de Veneza; para piorar, a cidade está sofrendo de epidemia de cólera, e muitos dos turistas do hotel onde Gustav e a família de Tadzio se hospedaram estão indo embora; o escritor teme que Tadzio parta e teme nunca mais ver o amado, por isso sempre que pode, vai vê-lo. É um belo romance, muito delicado, embora seja polêmico sim. Só me arrependo de não ter lido esse livro antes.
A quarentena serviu pra alguma coisa. Recomendo.
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Joy 28/07/2015

É bizarro isso que vou dizer, mas me identifiquei imensamente com esse livro. Só quem já teve uma paixão platônica distante, contente em somente admirar, e com medo de "macular" o objeto de seus desejos sabe como é esse sentimento. A obra acaba sendo um bom reflexo do observador, que passa a vida distante do mundo e centrado em si, e de como uma influencia externa pode abalar a vida.
Gostei demais. Devorei numa noite.
Amanda 29/07/2015minha estante
Foi exatamente o que senti. Até fiquei meio na bad. Haudhahd




Lais.Moreira 15/06/2020

Primeiro livro do autor que leio. Gostei muito da escrita dele e consegui mergulhar completamente na história.
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Durval 08/12/2011

A alma do artista
Este é um pequeno grande livro.

Aschenbach é um escritor de grande prestígio que construiu sua obra através do esforço constante mas com pouca inspiração. ele se sente bloqueado, falta algo em sua vida. A visão de um estranho misterioso na porta de um cemitério desperta nele o impulso de tirar uns dias de férias.

O livro encerra toda uma teoria da criação literária e artística em geral, bem como de sua recepção pelo público. Durante a viagem, Aschenbach vai despertando para sua verdadeira condição e acaba mudando seu destino para Veneza, onde encontra a imagem da beleza ideal em um jovem, pelo qual se apaixona. Ele passa então a observar o rapaz e a segui-lo, mas não tem coragem de se aproximar dele.

No final, aparece uma referência ao diálogo Fedro, de Platão, que trata do amor, da retórica e da poesia. Aschenbach descobre uma nova maneira de escrever, de expressar-se, mas o fim já está chegando. Veneza é tomada pelo cólera, os turistas partem mas Aschebach fica para encontrar seu destino.

Uma curiosidade a respeito desse romance é que o personagem Tadzio, o belo rapaz, foi inspirado numa pessoa real, um jovem nobre polonês que Thomas Mann encontrou numa viagem a Veneza, exatamente no Hotel des Bains, onde se passa a história.

O belíssimo filme "A morte em Veneza" é baseado no livro e apresenta, com grande fidelidade e detalhe, várias cenas do livro. Visconti faz de Aschenbach um músico e associa-o a Gustav Mahler, cuja música (Adagietto da 5ª sinfonia) complementa magicamente a extraordinária beleza plástica das cenas.

Recomendo sem restrições o livro e o filme.
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Demétrio 24/04/2020

Uma história de amor platônico
Obra interessante que mostra um o complexo universo da solidão.
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Rogério Simas 25/06/2020

Lírico desfecho
Uma novela sobre os últimos dias de um homem. De forma sucinta descreve alguém que teve uma brilhante carreira e apreciou o belo em seus momentos finais.
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