A Filha da Fortuna

A Filha da Fortuna Isabel Allende




Resenhas - A Filha da Fortuna


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Leonardo 17/05/2020

Intercontinental
Eu já havia lido anteriormente uma obra de Isabel Allende, "Eva Luna". Foi uma leitura feita sob pressão para uma disciplina da faculdade, o que creio que contribuiu para que eu não gostasse da história (além da história em si). "A Filha da Fortuna" estava há anos aqui em casa, um livro que dei para minha mãe de presente de aniversário. Somados a quarentena; o fato de livros a minha volta tornando-se escassos; e a boa propaganda da minha mãe, resolvi dar uma chance a este. Decisão acertada: o li em cinco dias.

A narrativa de Allende é envolvente e fluida. Fatos históricos se envolvem com a singularidade dos personagens, feitos um tanto extraordinários casam muito bem com a firmeza e lógica dos acontecimentos, mulheres fortes e decididas tomam os rumos de suas vidas sem descaracterizar a sociedade da metade do século XIX e ir além das possibilidades de liberdade feminina possíveis daquele tempo e espaço. Em meio a toda essa concretude mágica, de modo algum parece forçar a barra que uma adolescente, Eliza Sommers, se aventure em cruzar o oceano Pacífico em direção ao hemisfério oposto em busca de um amor e acabe vivenciando algo muito mais transformador.

"- Nada é em vão. E na vida não se chega a lugar nenhum, Eliza; na vida só se faz caminhar."

Acabei me vendo muito na Eliza, em meio a este questionamento sobre o que caracteriza o nosso lar, e nessa sensação onde o caminho correto é aquele em que o desconhecido faz companhia e a zona de conforto não é uma opção. Além disso, o livro apresenta intersecções entre Europa, China, América Latina e Estados Unidos muito interessantes, fazendo com que constantemente fiquemos atordoados mediante constantes choques culturais e de formas de pensar, tamanha a heterogeneidade dos personagens.

"A Filha da Fortuna" é um livro com tanta força que ainda penso que poderia ter sido mais. Poderia ter 600, 700 páginas facilmente, explorar mais a fundo personagens como Rose Sommers, que a partir da metade da leitura senti muita falta. Entretanto, a decisão de um final um tanto como brusco é coerente não apenas com os saltos temporais do livro, mas também com a vida real, já que conclusões ideais não existem.

Recomendo muito a leitura. "A Casa dos Espíritos" que me aguarde.
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Dirce 05/01/2013

Peguei carona na narrativa e embarquei nas venturas e desventuras de Eliza.
Quem já leu algumas das minhas pseudoresenhas que, fiz dos livros da escritora I. Allende, sabe da minha paixão pela narrativa dessa escritora. Em A Filha da Fortuna ela não me desapontou, muito pelo contrário, a narrativa empregada fez com que minha imaginação se tornasse absurdamente atrevida. Não teve por onde: peguei carona na narrativa, me tornei uma argonauta, e embarquei nas aventuras de Eliza Sommers ou será que devo dizer desventuras?
Bem, Eliza, a jovem chilena, cresce sob o cuidados de Miss Rose – sua mãe adotiva , um tanto quanto protetora, diga-se de passagem, e do austero Jeremy Sommers.
Rose e Jeremy não conseguiram impedir que Eliza sucumbisse a avassaladora paixão que ela nutriu pelo jovem Andieta que, apesar de corresponder a essa paixão, deixou a jovem em maus lençóis.
Mas as heroínas dos romances de I. Allende não se curvam. Intrépidas e apaixonadas de forma desmedida, não hesitam frente a obstáculos, ainda que esse obstáculo seja o oceano.
E é o oceano que Eliza tem que enfrentar para conseguir seu intento: chegar ao Eldorado – a Califórnia do século XIX – e lá encontrar o seu amado que a deixou e partiu em busca do ouro “ de tolo” .
Navegar no oceano em uma embarcação precária tomada pela doença só com a ajuda de um Titã, mas não foi Poseidon que ajudou Eliza: foi um mortal de coração generoso – Tao Chi´en , o jovem chinês, que passa a exercer um papel de suma importância na vida de Eliza e de outras personagens.
Quando a narrativa se converge para o que foi e como se deu essa febre do ouro, dá vontade de plagiar Castro Alves e dizer: Magalhães, fecha a porta dos seus mares.
Como quase todos os romances de Allende possui um fundo histórico, foi me dado saber que o que se sucedeu com os índios, negros, jovens chinesas que eram vendidas na condição de escravas foi atroz e vergonhoso.
E o avançar das páginas me envolve apaixonadamente cada vez mais nos dramas e nas tramas das personagens. Digo tramas, porque quando surge a figura de Paulina foi esta a palavra que me veio a mente ,até que chego na página 470 – última página do livro. Como assim? Cadê o final da história?
Passada a indignação, me lembrei de que no livro Retrato em Sépia – livro que li há muitos anos, tinha uma personagem chamada Paulina e para reavivar a memória só me restava fazer uma releitura.
Apesar do final abrupto, digno de 5 estrelas.
Regina 05/01/2013minha estante
Adorei sua resnha Dirce, afinal esse é um dos meus livros favoritos bem como sua continuação Retrato em Sépia, que conta a história de Paulina, neta de Eliza Sommers. Releia, você vai gostar mais ainda dos dois livros! Um abraço!


Regina 09/01/2013minha estante
Ih Dirce, confundi Paulina com Aurora, esta sim a neta da Eliza Sommers. Foi ótimo ler a sua resenha, relembrei também. Isabel Allende consegue descrever com precisão toda a solidão de viver no interior do Chile na parte onde Aurora se casa. Senti a dor dela comigo!


Dirce 17/01/2013minha estante
Regina,
Aurora também foi uma mulher muito valente." Carregar" um casamento fracassado naqueles tempos, exigia muita valentia.




Ri 26/02/2020

A grande pergunta é: Pq não li Isabel Allende antes? Três dias empolgados de leitura. O que parecia ser mais um romance água com açúcar descortinou a trajetória de uma personagem forte e motivadora. O desabrochar de Eliza Summers/Chileninho/Elias Andieta através de linhas detalhistas, mas não tediosas, faz querer consumir absolutamente tudo de Allende, na esperança que o nível da narrativa dos próximos livros se mantenha. Filha da fortuna não é genial, mas é indiscutivelmente atraente.
Everton Vidal 26/02/2020minha estante
Ainda não há li justamente porque me parecía agua com açúcar. Tua resenha me animou.


Ri 26/02/2020minha estante
Li por conta de um desafio literário. Escolha aleatória e despretensiosa. Agora, muito rico em detalhes. Cores, sabores, cheiros, cultura, minúcias do Chile e da corrida do ouro. Para alguns pode ser enfadonho. Eu adorei!




Lu 11/05/2020

Surpreendente
?Parece que cada um de nós vive procurando uma coisa e encontrando outra?
A narrativa atravessa o Chile, a China e os Estados Unidos com personagens muito marcantes e uma história maravilhosa que surpreende em todos sentidos - de modo que são construídas várias possibilidades na cabeça do leitor e elas vão se desconstruindo conforme a narrativa.

Além disso, principalmente por se passar nos anos 1850, o livro apresenta personagens femininas muito fortes, cujos destinos vão se moldando de formas inusitadas conforme buscam por seus objetivos.
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Literatura_intimista/yt 27/03/2020

Um dos motivos da minha ressaca literária desse ano?. Fiz uma vídeo resenha no canal /literatura_intimista para poder tentar ao menos colocar para fora o que foi a experiência de ler este livro ?. Muito bom! ( Contém gritos)
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Queria Estar Lendo 30/10/2018

Resenha: Filha da Fortuna
Filha da Fortuna é um livro de 2001 da premiada autora Isabel Allende que ganhou uma nova edição este ano pela Editora Bertrand - que nos cedeu um exemplar para resenha - e conta a jornada da jovem Eliza, que abandona o Chile e aventura-se por uma Califórnia enlouquecida pela febre do ouro no séculos XIX em busca de amor.

A história de Filha da Fortuna se inicia em Valparaíso, em 1843 e, por um período de 10 anos acompanhamos o crescimento de Eliza Sommers, uma jovem chilena criada como filha adotiva de um funcionário da Companhia Britânica de Exportações, e sua irmã mais nova.

Criada entre os salões de festas dos Sommers e a cozinha da velha índia Mama Frésia, Eliza cresceu em dois distintos mundos, unindo a etiqueta e moral dos Ingleses, com as superstições e os aromas dos chilenos. Sem saber ao certo sobre o seu passado, Eliza cresceu acreditando que seria como Miss Rose, sua mãe adotiva, mas aos 16 anos, quando se apaixona pelo idealista Joaquín Andieta tudo muda.

Joaquín é um jovem bastardo com ideais liberais que apenas estão começando a se difundir pela Europa, e Eliza apaixona-se perdidamente por ele. Mas quando descobre-se ouro na Califórnia, a febre se espalha por todo o mundo e não demora a atingir Joaquín, que parte em busca de riquezas para poder casar-se com Eliza e prover uma vida melhor para a sua mãe.

E é assim que, meses depois, Eliza embarca clandestinamente para a Califórnia, uma terra de imensas possibilidades, liberdade sem limites e também sem lei alguma.

"Aquilo que esquecemos é como se nunca houvesse acontecido."

Ao mesmo tempo em que Filha da Fortuna foi tudo que eu esperava que fosse, ela foi completamente diferente. Você consegue ter uma ideia muito clara da história pela sinopse, que não promete nada que não chegue a cumprir, mas como é comum em histórias do tipo, o foco é sempre a jornada e não o ponto final.

Tem muito tempo que eu tenho interesse em ler algum livro da Isabel Allende e quando tive a oportunidade de pegar Filha da Fortuna não hesitei. Quando peguei o livro percebi que ele tinha aquela qualidade de livros como E o Vento Levou, que trazem essa longa jornada de crescimento pessoal das personagens, além de um conhecimento histórico acertado e ricas descrições do Chile e da Califórnia.

Meu maior problema, no entanto, foi a narrativa. Não achei ruim, mas o ritmo foi bastante lento. Filha da Fortuna é o tipo de livro onde a narrativa traz pouquíssimos diálogos e as coisas nos são mais contadas do que mostradas. É o tipo de coisa que quando você termina, curti, mas faz uma leitura mais lenta e demorada, e por isso eu tive dificuldade em me concentrar em mais do que um capítulo por dia.

No mais, me apeguei bastante a Eliza e a visão de mundo dela, como uma mulher da sua época ela estava bastante conformada com a sua situação e com a expectativa de servir o homem com quem se casasse - inclusive, após conhecer Joaquim, passa a ansiar por isso. Mas a partir do momento em que entra no navio em direção a Califórnia sua vida muda completamente. A liberdade é algo com o qual Eliza nunca sonhou e uma vez que a encontra, fica maravilhada.

"As crenças alheias são superstições, mr. Todd. As nossas se chamam religião."

Outros personagens que me cativaram bastante foi a trupe de Joe Quebra-Osso, com quem Eliza se envolve em suas buscas por Joaquim. Personagens transgressivas, fortes e que trouxeram muita cor para a história. Me envolvi com eles e, de certa forma, fiquei triste quando chegou a hora de encerrar o capítulos deles.

Com os irmãos Sommers eu fiquei bastante indiferente, a que mais despertou curiosidade foi a Miss Rose com o seu passado misterioso, mas não consegui me apegar a nenhum deles ou investir emocionalmente. Diferentemente da Mama Frésia. Embora ela fosse uma espécie do arquétipo da negra sábia, ela era calorosa e uma verdadeira figura materna para a Eliza, gostei da lealdade dela para com a menina e de tudo que ela fez para proteger Eliza.

Os demais personagens, como Tao e Joaquín e Jacob Todd andam por um lugar entre a indiferença e a raiva mesmo. Eu tenho grande dificuldade com livros históricos porque me irrito sempre com os homens. Se a gente já encontra homem machista e babaca em romance contemporâneo, em romances histórico é basicamente obrigatório.

"Nada é em vão. E na vida não se chega a lugar nenhum, Eliza; na vida, só se faz caminhar."

E embora eu entenda a construção das personagens como foi feita, embora Isabel Allende tenha desenvolvido seus passados e suas motivações muito bem - deixando-os nessa intransponível área cinza, como as outras personagens, o que lhes dá muita humanidade - eu só conseguia rolar os olhos para eles.

Antes de finalizar eu só queria chamar a atenção para essa capa da reedição da Bertrand. Ela segue a linha de A Casa dos Espíritos e também de Muito Além do Inverno, que traz esse quê de fotografias antigas, misturado com nostalgia, misticismo e tons desbotados. Eu sou apaixonada por todas elas e, atualmente, é a capa mais bonita que tenho nas estante.

Por fim, Filha da Fortuna não é um livro para ler-se rapidamente, não é algo que se lê em um dia. É uma aventura, uma longa jornada sobre o ser humano, que deve ter seus capítulos degustados com calma, apreciados em todos os seus nuances e intrincados personagens.

site: http://www.queriaestarlendo.com.br/2018/10/resenha-filha-da-fortuna.html
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Alexandra Marcilia 08/02/2020

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Incrível
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Nice 25/10/2010

Li esse livro há muitos anos e nunca o esqueci, deveria ser até levado para as telas do cinema de tão marcante que é. Cheio de aventuras, alegrias, tristezas e muita paixão.
Edilene 22/03/2012minha estante
concordo,daria um belo filme.




spoiler visualizar
Dirce 05/01/2013minha estante
Oi Edilene!
Gostei da sua resenha: sucinta, mas esclarecedora. E não contém spoiler não.
Eu já tinha lido Retrato em Sépia tempo atrás, mas me vi obrigada a fazer uma releitura.
E a releitura, como não podia deixar de ser, foi muito prazerosa.




Polly | @blogmadrugadaliteraria 24/05/2019

Filha da Fortuna: história, cultura e romance (#079)
Tenho que falar que a escrita da Isabel Allende me conquistou. Me apaixonei perdidamente e agora preciso ler todos os livros que ela escreveu (e que ainda venha a escrever, tomara!). Sua prosa é intimista e completamente feminina (fora aquele toque de latinidade, que só nós, sul-americanos, sabemos dar). Não tem como não se identificar com inúmeros sentimentos e vivências de Eliza ou de tia Rose ou da espirituosa Paulina del Valle. Não tem como negar, é uma mulher nos contando a história de outras mulheres.

A Filha da Fortuna nos conta a história da jovem chilena Eliza que, quando criança, foi abandonada na porta dos Sommers e acabou sendo adotada por aquela família incomum. Rose, Jeremy e John Sommers são três irmãos ingleses tão diferentes um do outro, que é quase impossível de acreditar que tenham o mesmo sangue. Assim, Eliza cresce em meio ao alheamento da tia Rose, ao distanciamento emocional do sisudo tio Jeremy e à ausência física constante de tio John.

Eliza se apaixona perdidamente pelo idealista Joaquim Andieta, um rapaz pobre, filho de mãe solteira, honesto (ou quase) e cheio de pensamentos liberais. Joaquim, apesar de apaixonado por Eliza, o é ainda mais pelos seus ideais. E, quando surge a louca corrida pelo ouro na Américas, ele nem pestaneja, abandona tudo e vai atrás do seu lugar ao sol. Eliza fica para trás, abandonada e grávida, com uma dor de amor para curar. Mas, Eliza não se conformará com seu destino. Vai dar o seu jeito e, com a ajuda do seu novo e fiel amigo chinês Tao Chi’en, cruzará os mares e enfrentará perigos para encontrar o seu amor perdido na Califórnia.

A Filha da Fortuna é recheado de política, história e cultura. Aprendemos um pouco sobre as culturas chilena, inglesa, norte-americana e chinesa, e o quanto todas elas, cada uma a seu modo, são sufocantes para as mulheres. O livro relata ainda sobre desigualdade e sobre racismo, já que, na América, qualquer um que não seja branco é perseguido. Latinos, chineses, índios e negros estão sempre à margem da sociedade. A Filha da Fortuna é uma história cheia de reviravoltas e aventuras, e de muitos romances também, que acontecem sem nem mesmo a gente esperar (apesar de torcer por eles).

O final desse livro pode ser problemático para algumas pessoas, já que ele deixa em aberto o destino das personagens. É meio que um “Você Decide”. Eu, particularmente, gosto de finais assim, então foi tudo bem para mim. Mas, se você não gosta, A Filha da Fortuna tem uma sequência que é Retrato em Sépia, que amarra alguns desses nós desatados deixados no primeiro livro (pelo menos até onde eu li, né? Sim, eu não aguentei e já comecei o segundo livro), apesar de que a história de Eliza não é mais o assunto central deste segundo volume.

Enfim, A Filha da Fortuna já ficou entre os meus favoritos da vida e já desconfio que Isabel Allende também será uma das minhas escritoras favoritas. Fica para vocês essa dica maravilhosa!

site: https://madrugadaliterarialerevida.blogspot.com/2019/05/filha-da-fortuna-historia-cultura-e-amor.html
Alexander Rossatto 24/05/2019minha estante
Interessante! Irei adquirir! Adorei a resenha!!!


Polly | @blogmadrugadaliteraria 24/05/2019minha estante
Eu amei! Vale a pena ler!


Alexander Rossatto 24/05/2019minha estante
Já encomendei!


Polly | @blogmadrugadaliteraria 24/05/2019minha estante
:DDDDDD
Depois me conta se gostou!


Alexander Rossatto 24/05/2019minha estante
Pode deixar!!! :D




Luna 21/11/2014

Fantástico
Li em 48 horas, mas tive ressaca literária por vários dias! Sem brincadeira, não conseguia tirar essa magnífica estória da cabeça.
Virei fã de Isabel Allende depois desse livro (o primeiro dela que li). Tenho quase todos os seus livros e recomendo todos, sem dúvida!! Esse foi especial porque foi o primeiro.
É uma estória grandiosa, repleta de personagens marcantes. Como Eliza, a protagonista chilena que parte para a Califórnia no porão de um navio, em busca do seu amado, que resolveu se juntar a milhares de outros homens ambiciosos a fim de fazer fortuna na procura por ouro.
Lagrutta 10/08/2016minha estante
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Luiza 08/05/2019

Filha da Fortuna
A peruana Isabel Allende foi uma das autoras que comecei a ler por curiosidade e acabei por pegar qualquer coisa dela que me caísse nas mãos. Não necessariamente por gostar de todas as suas histórias, mas por apreciar a excelência de sua narrativa.

A Filha da Fortuna conta a história de Eliza Sommers, um bebezinho de traços nativos abandonada na porta de uma família inglesa que vive no Chile do século XIX. Criada entre a elegância da educação inglesa dada por sua mãe adotiva e o terreiro dos empregados da cozinheira chilena de sua casa, ela absorve o que os dois mundos a oferecem. Apesar dos planos de sua mãe adotiva de casá-la com um bom inglês, Eliza se apaixona por Joaquim Andieta, um empregado de seu pai adotivo e nem de longe um candidato que agradasse à sua família.

Quando a febre do ouro começa na Califórnia em 1849, boa parte da população masculina do Chile não hesita em içar velas correr atrás da fortuna, inclusive Joaquim, que foi capaz de roubar seu próprio empregador para conseguir o capital que o levaria ao valioso pó dourado. Eliza, porém, não está a fim de esperar pela volta do amado e faz um arranjo para embarcar clandestinamente para a Califórnia.

A viagem, e o que se seguem a ela na busca por Joaquim acabam por transformar Eliza de uma jovem inocente em uma mulher excepcional, que aprendeu a adaptar-se e a sobreviver em meio a uma terra repleta de homens e de todos os tipos de mistérios e contradições da natureza humana sem que perdesse o senso de decência ensinada pela educação inglesa.

A progressão narrativa de A Filha da Fortuna é composta de modo a construir, de maneira muito rica, o clima social, político e cultural tanto do Chile, após sua independência, quanto da Califórnia, durante a corrida do ouro.

O livro é uma boa leitura. Talvez não excelente quando se leva em conta somente o fio básico da história, mas sim pela maneira com que Isabel Allende construiu sua narrativa (o que, alias, foi o que a destacou como um dos ícones da literatura latino-americana).

site: http://www.lerparadivertir.com/2018/12/filha-da-fortuna-isabel-allende.html
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Alexandre Kovacs / Mundo de K 09/10/2018

Isabel Allende - Filha da fortuna
Editora Bertrand - 378 Páginas - Capa: Angelo Allevato Bottino - Tradução de Mario Pontes - Lançamento: 10/09/2018.

Temos que aceitar o fato de que nem sempre o leitor está interessado em livros complexos e com técnicas literárias sofisticadas, tais como: múltiplas vozes narrativas, oscilações no tempo e no espaço, uso de metaficção, personagens com densidade psicológica e tantos outros recursos, experimentais ou não, que os críticos costumam associar à qualidade do texto. Na verdade, muitas vezes o leitor está buscando apenas um romance para ler nas férias, visando unicamente o entretenimento, se for este o caso recomendo Filha da fortuna de Isabel Allende, lançado originalmente em 1999 e relançado agora em 12ª edição pela Editora Bertrand.

Filha da fortuna é um romance histórico ambientado na primeira metade do século XIX com uma trama novelesca cheia de reviravoltas, aventuras em quatro continentes e paixões de tirar o fôlego, tudo isso com personagens carismáticos e uma narrativa veloz e muito visual, ingredientes que garantiram uma excelente vendagem para o livro, tanto é que já está na 12ª edição brasileira. O sucesso de público é um fato muito comum com os livros da escritora Isabel Allende, de nacionalidade chilena e norte-americana, que iniciou sua carreira com o romance A casa dos espíritos em 1982, adaptado com grande sucesso para o cinema em 1993.

Um grande mistério envolve o passado de Eliza Sommers que foi abandonada ainda bebê na porta de uma família inglesa na cidade de Valparaíso no Chile em 1810. Ela foi criada e educada como se fosse da família pelos irmãos Rose e Jeremy Sommers, principalmente pela solteirona Miss Rose, como era chamada por todos, e que não tinha a menor intenção de se casar, pois pensava que "o bom do casamento é enviuvar". O terceiro irmão, John Sommers, passava o maior tempo no mar, atuando como comandante de veleiros e transportando as mercadorias negociadas pela Companhia Britânica de Importação e Exportação no Chile. Eliza, aos dezesseis anos, se apaixona por Joaquin Andieta, um dos empregados do tio adotivo, mesmo sabendo que a relação teria um futuro incerto devido ao desnível social entre eles.

"Ao longo de seu caminho, perguntaria mil vezes a si mesma se tivera a oportunidade de fugir daquela paixão arrasadora que lhe torceria a vida, ou se naqueles breves instantes poderia ter dado meia-volta e salvar-se, mas, cada vez que fazia essa pergunta, concluía que seu destino estava traçado desde o começo dos tempos. E, quando o sábio Tao Chi'en a introduziu na poética possibilidade da reencarnação, convenceu-se de que o mesmo drama se repetia em cada uma de suas vidas: se houvesse nascido mil vezes antes e tivesse de nascer outras mil vezes no futuro, sempre viria ao mundo com a missão de amar aquele homem, e sempre da mesma maneira. Para ela, não havia escapatória." (Pág. 80)

Em 1849 tem início a corrida do ouro em San Francisco, Califórnia. Estima-se que 300.000 pessoas se deslocaram para a região na época, provenientes do exterior e do leste dos Estados Unidos, um fato histórico que impulsionou o desenvolvimento do país e a conquista do oeste. A ambição de se tornar um milionário em pouco tempo seduziu também muitos aventureiros em todo o mundo, originando o fenômeno da "febre do ouro", inclusive o jovem Joaquin Andieta no Chile, que percebeu a possibilidade de uma rápida ascensão social, o que permitiria o seu casamento com Eliza. Logo, apesar das dificuldades e riscos da empreitada, ele parte para os Estados Unidos, não sem antes desfalcar, em um ato de desespero, a companhia da família Sommers onde trabalhava, como forma de custear a viagem.

"A corrida do ouro era o único assunto das conversas na Europa e nos Estados Unidos, e a notícia já havia chegado até mesmo às longínquas fronteiras da Ásia. Seu navio estava repleto de passageiros que se destinavam à Califórnia; a maioria deles não tinha a menor ideia do que vinha a ser mineração, e muitos jamais tinham visto ouro nem mesmo no dente de alguém. Não havia um modo confortável e rápido de chegar a San Francisco – a travessia durava meses e as condições eram as mais precárias, o capitão explicou – mas, por terra, através do continente americano, desafiando-se a imensidade do território e a agressividade dos indígenas, a viagem demorava ainda mais, e eram menores as probabilidades de alguém chegar lá com vida." (Pág. 128)

Para completar o tom novelesco, após a partida de Joaquin, Eliza descobre que está grávida e embarca clandestinamente, com a ajuda de um chinês chamado Tao Chi'en que havia trabalhado embarcado para o seu tio John Sommers. Ele tomará conta de Eliza no porão de um veleiro, durante a difícil viagem para a Califórnia e acabarão se tornando grandes amigos em San Francisco, na época um vilarejo selvagem onde as únicas mulheres eram as prostitutas. Eliza logo descobre que o seu objetivo de encontrar Joaquin entre os mineiros será muito difícil de atingir, ela terá que amadurecer para sobreviver neste cenário de ambição e violência.

"Nem sempre se chamara Tao Chi'en. De fato, não tivera nome nenhum até os onze anos, pois seus pais eram pobres demais para ocupar-se de semelhantes detalhes: chamava-se simplesmente o Quarto Filho. Havia nascido nove anos antes de Elisa, em uma aldeia da província de Kuangtung, a um dia e meio de distância da cidade de Cantão. Vinha de uma família de curandeiros. Durante incontáveis gerações, os homens de seu sangue haviam passado de pais para filhos os conhecimentos sobre plantas medicinais, a arte de extrair maus humores, a magia para espantar demônios e a habilidade para regular a energia 'qi'. No ano em que o Quarto Filho nasceu a família estava em grande miséria, tendo perdido parte da terra para os agiotas e os donos da jogatina." (Pág. 147)

O livro tem um final um pouco abrupto e deixa algumas pontas soltas, talvez devido ao fato da autora ter lançado um outro romance em continuação, chamado de Retrato em Sépia, sendo a protagonista, Aurora del Valle, a neta de Eliza Sommers. De qualquer forma, Isabel Allende não decepcionará os seus leitores mais fiéis com este Filha da fortuna, onde repete a mesma fórmula de sucesso que fez com que seus livros fossem traduzidos em 35 idiomas, transformando-a na escritora mais lida da América Latina em todo o mundo.
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Mariana Dal Chico 27/12/2018

“A Filha da Fortuna” foi meu primeiro contato com a autora Isabel Allende, o título foi relançado pela @bertrandbrasil esse ano com nova capa.
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A autora nos leva para três lugares diferentes do globo terrestre, Chile, China e Califórnia. A história começa em Valparaíso onde conhecemos Eliza e sua família, que é cheia de segredos e deixou Londres para prosperar no Chile. Já Tao Chi’en nasceu na China, o mais novo de 4 irmãos e teve uma vida bem diferente de Eliza. A vida dos dois acabam sendo unidas em decorrência da febre do ouro iniciada pela promessa de enriquecimento fácil na Califórnia.
O ambiente descrito é fascinante, não importa em qual local do globo, a autora deixa o leitor com vontade de conhecer os lugares, mesmo aqueles que não são muito agradáveis.
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A narrativa da autora é muito envolvente, ela prefere usar descrições e ações à grandes diálogos, quando o autor prefere mostrar a dizer, me agrada muito, mas em alguns momentos, pode deixar o ritmo de leitura um pouco mais lento.
As descrições são tão bem escritas, que fui transportada para dentro do livro, acompanhei Eliza e Tao em todos os momentos, senti frio, sede e os cheiros, que para Eliza são tão importantes.
Os personagens surpreendem com a força que demonstram ao enfrentarem todas adversidades impostas em seu caminho.
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Os temas abordados são bem desenvolvidos, aqui encontramos: violência, cobiça, quebra de padrão imposto pela sociedade, drama familiar, amizade, paixão e redescoberta do amor.
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O final pode desagradar alguns, é do tipo que deixa o leitor decidir o que virá a seguir. Eu gostei porque ele não é completamente aberto.
Vi que no livro “Retrato em Sépia” os personagens de “A filha da fortuna” se encontram com “A Casa dos espíritos", esse último já está na estante aguardando minha leitura e “Retrato em Sépia” acabou de entrar para a lista de desejados.
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Gostei demais da leitura e recomendo para quem gosta de dramas familiares com muita aventura e sem situações que provoquem o choro, mas que deixam o coração apertado.
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Instagram @maridalchico

site: https://www.instagram.com/p/Brh0nRDg1lb/
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Maria 30/06/2020

A história se passa em uma época bem difícil com pouca liberdade e muito preconceito, em que os personagens lutam pra realizar suas vontades. É o meu segundo livro da autora, ele é mais descritivo com menos diálogos por isso foi uma leitura mais lenta. Porém Isabel Allende não me decepcionou, simplesmente maravilhosa!
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