O quarto de Giovanni

O quarto de Giovanni James Baldwin




Resenhas - Giovanni


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Book.ster por Pedro Pacifico 18/08/2020

Verificado O quarto de Giovanni, de James Baldwin - Nota 9,5/10
Ambientado em uma Paris boêmia da década de 50, o segundo romance de James Baldwin gira em torno da conflituosa relação entre David, um jovem norte-americano que tem uma namorada vivendo na Espanha, e Giovanni, um italiano que trabalha como garçom em um bar parisiense. ⁣
Se para Giovanni a sua orientação sexual é um ponto bem resolvido, David vive uma intensa experiência homossexual de forma angustiada e repleta de culpa. É uma constante batalha entre os seus próprios sentimentos e a necessidade de continuar levando a vida que tinha antes, ao lado da namorada Hella. ⁣

E o mais interessante do livro é como o autor consegue se aprofundar no psicológico do personagem principal, revelando esse sofrimento de alguém que não consegue se aceitar e como esse conflito pessoal acaba reverberando nas relações à sua volta. São as consequências do medo de amar livremente.⁣

Isso desperta diferentes emoções no leitor em relação a David, que vão desde uma certa raiva pelo seu constante egoísmo até uma compaixão pela intensidade de seus conflitos internos. São muitas emoções reprimidas que encontram no pequeno e simples quarto de Giovanni a possibilidade de serem colocadas para fora.⁣

Na época de sua publicação, em 1956, Baldwin foi criticado por ter deixado de escrever sobre a temática do racismo e passado a retratar uma relação homoafetiva entre dois personagens brancos. Em sua defesa, o autor explicou que a homossexualidade e o racismo eram temas tão espinhosos para aquela época que abordar os dois em um mesmo livro seria um grande obstáculo. Isso, com certeza, revela a coragem de Baldwin em publicar um romance tão profundo sobre a relação conturbada entre David e Giovanni.⁣

Nas 232 páginas lidas, a escrita é fluida e sensível, conseguindo atingir no leitor o forte impacto dos sentimentos vividos pelos personagens. Na verdade, pela profundidade da obra, o que a gente sente falta na obra é a existência de mais páginas para acompanhar esses tão bem desenvolvidos personagens...

site: http://instagram.com/book.ster
Carlos 28/08/2020minha estante
Que resenha! Só me deixou mais ansioso pra ler!




Mayandson 15/02/2020

"Nada é mais insuportável, uma vez obtido, que a liberdade." (p.29)

Uma história que assusta, incomoda. O vazio existencial e o amor entre homens que não são capazes de encarar sua própria sexualidade, renuindo entre aceitação e amor; uma autodepreciação.

Uma captura de uma Paris silenciosa nas ruas e barulhenta dentro dos quartos e bares, lugares em que muitos homens podem libertar seus desejos à flor da pele que não têm coragem de assumir fora dos recantos escuros.

É nesse cenário que conhecemos David, um americano que vive em Paris com sua namorada, Hella. Tragicamente, o destino apresenta David ao jovem Giovanni, um italiano que trabalha como bartender, cuja relação (ou não-relação) é contada através da autodepreciação do David que é incapaz de encarar seus próprios sentimentos.

Vai além de um livro aparentemente sobre um romance LGBTQI+ (título complicado ao autor), O Quarto de Giovanni dialoga com questões sociais de imigrantes, com as relações familiares, o amor, o medo, a vergonha, o julgamento moral, o vazio existencial, o abandono e, ainda que muito nas entrelinhas, o racismo.

"Não. Ajudaria se eu me sentisse culpado. Mas o fim da inocência é também o fim da culpa." (p. 148)
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Pedro 09/08/2020

Envolvente, deprimente, triste e revelador
O romance é escrito por James Baldwin, um autor estadunidense negro e bissexual, e foi publicado em 1956.
Conta a história de um rapaz que viajou com sua namorada a Paris, mas em determinado momento ela vai embora, ele fica sozinho e acaba conhecendo Giovanni. Esse encontro causa inevitáveis confrontos com sua individualidade.

É o segundo livro do autor, e tem temática LGBT+ (o primeiro, que não foi um romance, tratava de racismo). Na introdução, é dito que nesse segundo livro, o autor não conseguiu, por questões intrínsecas, tratar tanto da homossexualidade quanto racismo no mesmo livro, e por isso, todos os personagens são pessoas brancas (mesmo a história ter sido baseada nas experiências pessoais do autor).

Apesar de o livro levantar de questões sobre bi/homossexualidade, é um livro publicado na década de 50, então é preciso ler com os olhos da época se quiser aproveitar a história sem incômodos. Isso porque a transfobia, machismo e misoginia são características comuns nos personagens principais, e são discriminações tratadas como naturais.

Em consequência disso, a história não problematiza a homofobia, mas sim imoralidade que é a homossexualidade, e por isso, o protagonista, que é bissexual, constantemente sente ódio de si mesmo por se permitir ter relações homoafetivas.

Terminei a leitura e recomendo o livro pra todo mundo, inclusive pra quem não tem interesse pela temática LGBT+ (mas especialmente para quem tem).

Nota: 4/5
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jaircozta 16/05/2020

nunca é tarde demais para o amor e para nós mesmo
#livro O quarto de Giovanni (Giovanni's Room)
#autor James Baldwin

Estou totalmente apaixonado pela literatura do James Baldwin (1924-1987) e já quero ler toda sua obra.

O livro O Quarto de Giovanni (ou Giovanni na tradução que tenho) é um dos principais clássicos modernos da literatura americana. Publicado inicialmente em 1956, é o segundo romance de Baldwin, possuindo um tom narrativo autobiográfico e ambientado na boêmia Paris dos anos 1950.

Narrando a história está o jovem estadunidense David que encontra-se em Paris esperando notícias da namorada, Hella, que viajou para a Espanha. Paralelamente, David começa a frequentar bares da cidade acompanhado do fracês Jacques e, em uma ocasião, conhece Giovanni, um garçom italiano lindo e encantador por quem, inesperadamente, se apaixona.

A estória, como a boa escrita moderna, vem permeada de fragmentos e recortes de lembranças, movendo a leitura como se estivéssemos em um filme de bela fotografia. Desde o início já sabemos que algo de trágico ocorrerá e conseguimos conhecer as profundezas da alma humana, da abnegação da própria essência sexual em detrimento de cumprir convenções sociais; um texto sensível, versando sobre escolhas, dificuldade de autoaceitação e negação dos próprios sentimentos.

David revela seu íntimo, sem maniqueísmos, falando da própria identidade e com tamanha honestidade que chega a nos emocionar do começo ao fim. É um livro sobre um homem em constante negação do amor que nutre por outro; Giovanni, em contraponto, não só ama David intensamente, como está disposto a levar a relação à mais completa intimidade, mesmo ambos vivendo numa realidade ainda conservadora.

James Baldwin é uma verdadeira inspiração e representação de luta. Um escritor negro, de origem pobre, homossexual assumido, que conseguiu se sobressair numa sociedade completamente arraigada só pode ter ter um altar no meu coração. Sua obra é imprescindível tanto pela poética quanto pelas questões raciais e pela visibilidade queer.

O livro foi relançado em 2018 pela Companhia das Letras, estando disponível em livrarias e no site da editora.
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brndlemos 23/07/2020

Único
Ambientado em uma Paris boêmica, James Baldwin nos apresenta David, um jovem americano à espera de sua namorada Hella, que está em viagem na Espanha. Na cidade francesa, em uma noite de bebedeira, conhece e se apaixona por Giovanni, um barman italiano.

Desde as primeiras páginas sabemos que Giovanni será executado, porém não é revelado o motivo. Assim, o foco da narrativa está nos conflitos internos de David quanto a aceitação (ou não aceitação) de sua sexualidade, na influência que os tabus da sociedade exercem sobre ele, assim como sua relação problemática com Giovanni.

O único crime de "O Quarto de Giovanni" foi ser curto demais. Nessa obra, James Baldwin joga ao leitor, com muita sutileza, diversas críticas. Com mais páginas talvez essas críticas poderiam ter sido melhor desenvolvidas. Ou talvez a intenção do autor era compor riqueza nos detalhes. São alguns traços que me chamaram atenção:

- uma Paris boêmia, mas silenciosa e triste nas ruas paralelas;
- o diálogo entre David e Giovanni sobre esperar para ter certeza dos sentimentos e David aguardando pelo retorno de Hella na esperança de então decidir o que sente;
- o modo como David descreve os americanos cheirarem a sabonete e a descrição do quarto, das relações sexuais e do próprio corpo como sujos, revelando a dificuldade de aceitar como se sente;
- as situações degradantes às quais os rapazes se submetiam para ter o que comer e garantir sua sobrevivência econômica, e aqui o paralelo que faço é com a realidade atual da comunidade trans brasileira

A escrita é extremamente sensível e delicada. Baldwin consegue traduzir em palavras uma gama de sentimentos complexos, que todos nós sentimos em algum momento da vida. Me senti incomodada em vários momentos, como se eu fosse uma intrusa na mente de David, bisbilhotando seus pensamentos mais íntimos.

Aqui, James Baldwin trata sobre aceitação, culpa, conflitos psicológicos, costumes sociais, dependência emocional, responsabilidade afetiva e bissexualidade.
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Gabriel 09/05/2020

Amar como um processo burocrático de expatriação
O Quarto de Giovanni surgiu em sua época a contragosto de toda expectativa que se construía em cima de James Baldwin como um expoente da literatura negra do subúrbio americano. Não para menos, afinal rejeitando todo código nominal com o qual etiqueram ele Baldwin escreveu este romance sobre um branco financiado pelo pai na europa. Onde uma história dessas teria lugar em sua biografia? Aos interesses múltiplos cultivados sobre ele este ato parecia uma depravação à luta racial com o bônus de uma narrativa sobre atos depravados e imorais ocorridos entre homens dentro de quartos.

A fineza dessa narrativa é o quanto ela consegue estabelecer comentários nítidos de acordo com o que não está presente. As ausências pincelam neste livro todo o tecido político que o autor costura, refletindo sobre monogamia, sexismos e masculinidade tóxica. O quarto que dá nome à obra é apertado, caótico e danificado, mas é nele que David - o protagonista - encontra um escapismo para a passagem do tempo, mergulhando num mar mais profundo que o atlântico que atravessou dos EUA até a França em uma busca superficial por propósito. Esse conforto que reside tanto no ambiente quanto no amante que passa a namorar, Giovanni, é de uma claustrofobia crescente, paradoxalmente. Isso pois quanto mais se entrega aos desejos secretos do seu corpo, mais rejeita-os. Uma equação catastrófica que só poderia resultar numa pessoa dúbia que dorme todas as noites com um rapaz que o fascina e causa desprezo, entregando seu corpo, mas nunca um afeto verdadeiro.

A forma como esse livro apresente, já nos anos 50, conflitos na comunidade LGBT mesmo hoje em 2020, é quase que espantosa. O desgosto com o qual David observa gays mais velhos, como uma coisa vulgar alienada de qualquer valor intrínseco à masculinidade por terem se afirmado - e deixado isso claro em seu andar, meneios e vozes - como bichas. A provocação constante e predatória deles é o que, ironicamente, contribui para o recalque do protagonista, ainda mais quando a noite desses guetos se tornam uma competição velada e lamentosa sobre quem conseguirá dormir com quem e assim preencher seu tempo. David arrecada inimizades pelo simples fato de conquistar um rapaz já cobiçado. Toda essa hostilidade entre iguais já sugere um internalizado ódio e culpabilização dentre eles na própria condição homossexual - palavra que, curiosamente, Baldwin não admitia nem para seus personagens, nem para si. Só surgia no texto como ofensa entre terceiros. Vale a pena se debruçar mai sobre essa discussão em outros espaços, porque nós insistimos em tortuosos processos de etiqueta para enfrentarmos o mundo moderno.

O livro pouco aborda os louros do amor entre David e Giovanni, se interessando mais pelas consequências e perspectivas psicológicas desse encontro fadado a um desfecho tumultuoso, pois David em Paris estava aguardando o retorno de sua noiva Hella. A única personagem feminina participante desta história carrega um lugar muito interessante na narrativa pois em seus diálogos parece sempre amargar sua condição como mulher e tudo que está implícito socialmente para seu desempenho nos conformes, mas deseja David e reconhece que este amor só pode resultar na redução de suas possibilidades humanas, encerrando como uma dona de casa dócil. É assim que os outros personagens veem o papel da mulher também, inclusive David que rejeita assumir esta função ultrajante quando em relacionamento com Giovanni, pois está a todo custo querendo reivindicar sua masculinidade apesar do parceiro sexual.

Estas vontades são ambíguas e contraditórias, levando os personagens constantemente a descordarem de si mesmos ou se condenarem pelas próprias ações. Seus reflexos, objetivamente, parecem verdade e mentira ao mesmo tempo, mas indecisos entre a prisão de um e a condenação de outro passam a existir em um estado letárgico e nebuloso, incapazes de tomar medidas práticas para seguir adiante. É um livro profundamente triste que deve a todo custo servir de combustível para nos vestirmos da coragem de tomar escolhas sobre quem nós somos, por mais definitivas que sejam suas consequências.
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Livia Lucas 19/07/2020

James Baldwin possui um domínio admirável sobre as palavras. Uma narrativa fluída, bem conduzida do início ao fim, com uma escrita convidativa, detentora de uma beleza e simplicidade que deixa o leitor extremamente encantado. Além do mais, a construção dos personagens é muito bem feita, os diálogos são intensos, o leitor acaba ficando imerso aos conflitos dos personagens, sentindo uma mistura de sentimentos: ora raiva, ora comiseração.
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O pano de fundo é uma Paris Boêmia dos anos 50, em que o álcool, sexo e as drogas ganham um espaço elementar na composição do cenário. O livro é narrado por David, que é um jovem americano vivendo, temporariamente, na capital francesa, enquanto sua noiva viaja pela Espanha. Numa das noites boêmicas parisienses ? que lhe é muito comum ? ele conhece e se apaixona por um garçom muito belo chamado Giovanni. Ambos vivem um amor intenso, porém efêmero, que é conduzido pelos parâmetros de uma tradição conservadora.
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Ao ser despejado, David decide morar com Giovanni no seu minúsculo quarto de empregada. E é no pequeno quarto de Giovanni que ele se entrega a esse amor "proíbido" e imaculado por outro homem, escondendo-o de uma sociedade preconceituosa. É no aposento de Giovanni que ele encontra a liberdade para amar verdadeiramente, sem as rédeas daquela época. Porém, ele vive com seus conflitos internos e, fora dali, ele foge desse sentimento que é enxergado por ele como vergonhoso. É uma história trágica, que mostra a veracidade das relações humanas, o quanto o amor pode ser doloroso.
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Mônica 30/06/2020

O quarto de Giovanni
Uma história dolorida.

O quarto de Giovanni é um dos grandes livros da literatura do século XX. Lançado em 1956, o segundo rolamce de James Baldwin traz a história de David e Giovanni.

David é um americano que decide ir morar em Paris. Lá ele conhece o italiano Giovanni, um belo barman. Despejado, David vai morar no quarto de empregada que Giovanni aluga. Daí o nome da obra.

Logo na primeira noite que se conhecem os dois iniciam um romance. O problema é que David não se aceita e não quer assumir, não quer se entregar de verdade ao amor que sente. Detalhe, ele possui uma possível noiva, Hella, que está na Espanha decidindo se quer se casar com ele.

O romance se inicia já mostrando que Giovanni está condenado à morte pela guilhotina e que o grande culpado por isso é David. Nos resta ler a história, narrada por David no dia da morte de Giovanni.

Além da homossexualidade o livro também aborda bastante o machismo. Hella é uma mulher forte e a frente de seu tempo, mas que se submeteria a uma vida ditada pelo homem por amor. David aceita bem a noiva, mas Giovanni é extremamente machista e misógino.

O livro é muito triste, mas vale muito a pena. Fiquei com água nos olhos pelo destino de Giovanni e com ódio de David. A escrita de Baldwin é incrível e nos faz devorar as páginas enquanto desejamos poder entrar na história e dar a ela um final diferente.
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Nathan 04/09/2010

Giovanni
Estou estarrecido frente ao livro, nem sei o que dizer. GIOVANNI - realmente vem a se aproximar mais da realidade homossexual. Envolvendo um conflito entre o amor de um homem e de uma linda mulher. A morte dele me deixou perplexo. Acabei o livro e não tinha palavras para dizer. Mas a dúvida fez com que David perdesse a sua amada e o seu verdadeiro amor, Giovanni. Apresentando-se de maneira confusa, o diálogo entre os dois rapazes é cheio de metáforas e insinuações que muitas vezes não têm respostas. As vezes a libertação de Giovanni - de seu corpo imundo, como tratou muitas vezes no livro - venha estar com sua morte. Assim foi, mas o imaginar de David como seria esse triste acontecimento, vem de forma torduosa e sofredora. O recado da morte mesmo que rasgado, sempre voltará e deixará resquícios. O coração se tornará apertado e as palavras custarão a sair, a culpa da perda de uma vida. As vezes nem por isso, mas pelo simples fato de atender a convenções e não amar de verdade a quem merecia ou necessitava de atenção. Muitas vezes se confundindo com um amor, este idealizado e conformado pelo fato de que nunca será alcançado, mas a dor de uma vez causará mais sofrimento e dor. Há marcas que nunca passam, certamente o lamentar de David nunca passará. Difícil é sofrer por algo que não poderá adquirir para si, pois, a confusão de um momento se tornará a dificuldade do pós prazer.
Taisa 08/09/2015minha estante
Obrigada pelo spoiler.


Mayara 05/10/2015minha estante
Sério, ou escreve em caps lock no começo da sua resenha que ela contém spoiler ou apaga esse trecho, é muita sacanagem!! Eu estava interessada em lê-lo, agora não tem mais graça.


Maria Martins 12/01/2016minha estante
Sério que você colocou spoiler?


Luiz.Avelino 14/02/2016minha estante
Os spoiler colocados em nada prejudica a leitura. É uma obra que vai muito além da estorinha da trama ou do final. è livro para se ler várias vezes.


Gabriel 08/06/2017minha estante
Não vejo problemas em colocar trechos da obras ou explicar determinadas passagens para exemplificar o que se diz, afinal isto aqui é um espaço aberto e cada um escreve o que quer. E, sinto muito em dizer, mas uma boa resenha, se for realmente resenha, deve ter opinião crítica e descritiva do livro com exemplos que corroborem o que se diz. E nada, nada mesmo, tira a sedução de ler uma obra como esta, mesmo sabendo de alguns detalhes.


jaircozta 15/01/2019minha estante
apague este spoiler, seu escroto. você é uma sacana! vou ler a obra, independe de qualquer prévia, mas você é, pra mim, uma pessoa ridícula. isso aí nem resenha é.


Ariane 04/04/2019minha estante
otário


Lara 26/01/2020minha estante
amigo, vc poderia colocar alerta de spoiler




djoni moraes 13/07/2020

Quem ocupa o quarto de Giovanni?
Comecei esta leitura numa noite, entre outras leituras que estava fazendo, e não pude parar até terminá-la. No entanto, mesmo que instigado, por dizer assim, não posso dizer que foi fácil. O relacionamento de David com as figuras masculinas (inclusive com ele mesmo) dentro da obra me fez lembrar de meu eu jovem (guardadas as proporções, é claro), tão perdido no mundo e desesperado para fugir de um segredo que me maculava. A história é trágica, assim como grande parte das histórias LGBTQ+ retratadas na literatura. Vale a pena conhecer o livro e a vida do autor!
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Ingrid 29/08/2020

O quarto de Giovanni.
Estou a muito tempo pensando no que escrever e acho que não vai sair muitas coisas mas vamos ao que interessa.
O livro é bem rápido de ler, demorei 4 dias para ler mas tenho certeza de que leitores mais ávidos conseguem terminar em um dia, o que me incomodou foi o fato de ter algumas frases em francês que eu tinha que ficar traduzindo, porém ao ler eu tive uma enxurrada de sentimentos mistos, tinha horas que eu estava com uma pena enorme do David e outras que eu estava com uma raiva enorme do seu egoísmo, mas o que fez com que isso acontecesse foi a fomar como o autor conseguiu se aprofundar nos pensamentos e sentimentos do personagem, isso me surpreendeu. Se eu fosse resumir esse livro em uma frase seria "Pessoas indecisas machucam pessoas incríveis."
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leila.goncalves 25/08/2018

O Medo De Amar
Entre 1950 e 1970, James Baldwin (1924-1987) reestruturou a literatura afro-americana e virou referência para uma série de ativistas, intelectuais e autores negros dentro e fora dos Estados Unidos, como Chinua Achebe, Zadie Smith e Toni Morrison, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura.

Singularmente, um de seus romances mais importantes trata-se de uma exceção quando comparado aos demais. Publicado em 1956, ?O Quarto de Giovanni? não versa sobre o racismo e a defesa dos direitos civis dos negros, trata de uma relação homoafetiva entre dois homens brancos, tendo como cenário uma Paris mais aberta e tolerante do que a rígida sociedade norte-americana da época.

A princípio mal recebido e recusado pela editora Knopf sob a alegação de repulsivo e infeliz, o livro adquiriu prestígio com o correr dos anos, em especial, pela maneira honesta que aborda o atordoamento psicológico e as inquietações sexo-afetivas do protagonista, David, um autoexilado que ainda teme frustrar as expectativas do pai sobre sua aparente heterossexualidade.

Assim como outras narrativas de Baldwin, ela possui traços autobiográficos. Foi dedicada a Lucien, ou melhor, Lucien Happersberger, um pintor suíço com quem o escritor viveu um tórrido romance até ser trocado pela artista negra Diana Sands. Um desfecho que lhe marcou profundamente, mas acabou se transformando numa longa e sólida amizade.

Resumidamente, esta é a história de uma tragédia anunciada logo nas primeiras páginas: Um barman italiano, Giovanni, é acusado de um crime e condenado a morte. O jovem andava desesperado desde que David rompera o caso que vinham mantendo para se casar com Hellas, a namorada oficial que não ama, mas é capaz de preencher as expectativas de esposa e mãe ideal.

Por sinal, desespero e solidão permeiam todo o texto, nenhuma personagem está isenta e o desfecho exibe uma bela metáfora acerca das consequências de nossas escolhas e da responsabilidade que temos sobre elas. Enfim, este é um livro relevante quando o assunto é diversidade sexual e igualdade de gênero, todavia, de acordo com Baldwin, ele trata ?sobre o que acontece quando você tem tanto medo que acaba não conseguindo amar ninguém?. Por sinal, quem está à procura de uma leitura de forte conteúdo erótico e apelo sexual, vai se decepcionar. Para os dias de hoje, o texto exibe polidez e sutileza, ao escancarar a porta de ?O Quarto de Giovanni?.

Nota: Com nova tradução de Paulo Henriques Britto, a Companhia das Letras teve o cuidado de lançar uma nova edição com inúmeros extras: introdução de Colm Tóbín, um artigo de Hélio Menezes e outro, de Marcelo Macedo. Todos indispensáveis mas com spoilers, se for o caso, deixe para ler no final.
Daniel 24/01/2019minha estante
Eu reli agora, com esta reedição linda da Cia das Letras. Fiquei muito mais comovido agora do que quando li mais jovem, anos atrás.Que livro extraordinário!




Tiago 01/10/2018

Sufocando sentimentos
Apesar de relativamente curto, demorei um pouco para conseguir terminar. "O Quarto de Giovanni". Não por conta de algum defeito no livro (achei a prosa belíssima e os personagens marcantes), mas sim pelos sentimentos que ele me provocou. Uma sensação de mal estar, de sufocamento.

O fato de a obra já anunciar a tragédia logo em seu início me faz ficar receoso com o que estava por vir. É difícil se identificar com David, mas ao mesmo tempo impossível não compreender seus dilemas e sua luta interior. Giovanni é mais aberto e receptivo, mas também o é um personagem complexo e muito machucado pela vida. Jacques e Guillaume são figuras extremamente solitárias e orbitam a relação de David e Giovanni em um misto de inveja e desespero por afeto e atenção, querendo de alguma forma surrupiar um pouco da juventude e do amor de ambos.

É um livro sobre autoaceitação e escolhas. Coragem e covardia. Amor e desilusão. Sobre negação e tentativas de cercear nossos sentimentos mais íntimos e profundos.Uma grande obra.
Mark_Lübe 16/11/2018minha estante
Terminei de ler o livro hoje, e agora compreendo o que você escreveu em sua resenha sobre a sensação de mal estar e sufocamento. Realmente é uma história angustiante e ao mesmo tempo apaixonante, onde mesmo tendo uma prévia do final, eu estava torcendo que o amor fosse prevalecer. Um forte abraço.


Tiago 19/11/2018minha estante
Um grande livro, feliz que tenha lido e apreciado. Um abraço!




Marcos 14/04/2020

Por trás do muro
Giovanni revela a angústia represada pela sexualidade. Todos os tijolos assentados pela normalidade social que amedronta e suprime o indivíduo. Ser homem é ficar atrás de um muro. Não é sobre homossexualidade somente mas os padrões, os papéis prontos a priori para os quais nos moldamos e esse suicídio voluntário do indivíduo é naturalizado... "A falta de amor que mata multidões", parafraseando a fala de um personagem.
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Matheus 03/08/2020

Reflexões
Foi um livro que me fez refletir muito a respeito do meu papel como homem gay na sociedade. Encontrei dilemas e tabus que persistem ainda nos dias de hoje.
A princípio a narrativa não havia me prendido muito. Os comportamentos extremamente misóginos dos personagens são difíceis de engolir. A partir do terceiro capítulo da segundo parte senti que o livro se tornou mais dinâmico e me fez suar frio. O capítulo final é extremamente triste. Fiquei mal.
Sinto que é uma obra que vai crescer em mim a medida que eu a digerir.
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