O Retrato

O Retrato Nikolai Gógol




Resenhas - O Retrato


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Katz 01/12/2010

Para reflexões
Sem dúvida um livro escrito nas entrelinhas, dotado de diversas reflexões codificadas, o que oferece ao leitor uma experiência rica.
O retrato pode representar uma infinidade de coisas, as quais me dariam imensa satisfação de discutir, mas em suma, excetuando o aspecto maniqueísta de interpretar, representa uma espécie de resultado concretizado de nossas ações. A mistura de sentimentos revoltos e negativos de quem o pintou, com a perversidade de quem foi tema podem simbolizar esse resultado, analisando o modo como o retrato afetou a vida de quem o adquiriu.
Não quero dar spoilers, vale a pena ler.

Aproveito e faço o convite a quem deseja discutir melhor sobre esse livro, uma vez que a infinidade de interpretações gera um excelente exercício reflexivo.
Kelevra 10/01/2017minha estante
Por fim,
num derradeiro acesso, sua vida se foi, e não deixou nada além de um cadáver
assustador para ver visto. Ninguém encontrou nada de sua imensa riqueza. Mas
quando descobriram inúmeras obras de arte soberbas, cujo valor ultrapassava
muitos milhões, retalhadas em farrapos, compreenderam que monstruoso
emprego havia feito dela.




Mara Vanessa Torres 26/04/2020

O Retrato de Gogol

Nicolai Vassilievitch Gogol, aclamado escritor russo nascido na Ucrânia, publicou aos vinte e seis anos uma coletânea de contos e ensaios intitulada Arabescos (1835), volume em que figura o conto O Retrato. A narrativa do conto traz o ciclo de pesadelo-sonho-pesadelo vivido pelo jovem pintor Tchartkov, culminando com a vigorosa queda que o leva à loucura.

Artista iniciante, Tchartkov se vê assolado por inúmeras dívidas e pelo desejo incontrolável que opõe ego e talento, ambição e desprendimento, dinheiro e paciência. Ao passar por uma galeria, ele acaba adquirindo um quadro escondido nos fundos da loja por achar a pintura dotada de extrema vivacidade. Investindo seus últimos trocados nessa compra, Tchartkov se vê sem dinheiro e começa a ser perseguido pelo proprietário do apartamento em que mora.

Às voltas com a ameaça iminente de despejo, o jovem pintor tranca-se dentro de seu ateliê e começa a perceber que os olhos pintados do retrato se moviam. Tal fato o atormenta e retira o sono, a ponto de provocar temores febris. Nessas idas e vindas de delírios reais, Tchartkov imagina ter em mãos uma grande quantidade de ducados. Após uma noite de sono convulsiva, o pintor é surpreendido pelo proprietário do apartamento e por um comissário de quarteirão, responsável pelo cumprimento da ordem de pagamento ou despejo. Nesse momento, o jovem nota com espanto que os ducados encontrados em suas alucinações realmente existem e, a partir desse momento, toda a sua vida muda, operando uma completa subversão de valores. “Tudo aquilo que ele havia contemplado até então com olhos de inveja, tudo aquilo que havia admirado de longe, com água na boca, estava agora a seu alcance”.

Tchartkov passa a substituir o talento que vinha aprimorando por passeios, festas e toda sorte de esbanjamentos. Começa a produzir retratos em série e abandonar a produção consciente, a reflexão e a dedicação à arte. Os anos transcorreram sem qualquer mudança evolutiva no comportamento do ex-artista, até que um dia, ao ser solicitado a dar seu parecer em relação ao trabalho de um novo pintor, Tchartkov afunda em seu abismo particular. Uma verdadeira obra de arte, feita com dedicação, perseverança, sacrifício, abdicação e talento desponta nas galerias russas, para o espanto geral e declínio completo de Tchartkov. Vencido e consumido pela inveja, o protagonista de Gogol se entrega à loucura regada por estados de alucinação e deterioração física, levando-o à morte.

Por uma coincidência ou pilhéria do destino, Nicolai Gogol morreu como Tchartkov, seu personagem fictício: mergulhado em profundos arrependimentos e diagnosticado pelos médicos como insano. Como revela Vladimir Nabokov em seu livro Nicolai Gógol: uma biografia:

“O par de médicos diabolicamente enérgicos que insistiam em tratar Gógol como se ele fosse um simples lunático, para o espanto de seus colegas mais inteligentes mas menos dinâmicos, tencionavam derrotar a insanidade do paciente antes de tentar recuperar qualquer sinal de saúde física que ele ainda tivesse”.

Durante toda a narrativa de O Retrato, o conflito experimentado pela personagem demonstra de que forma o tema da loucura é representado na obra, concedendo-lhe o lugar da exclusão, da punição, da marginalidade. Tais elementos fortalecem a ideia dos limites instituídos pela cultura ocidental, em que a exclusão e a proibição fazem parte de uma estrutura fundamental, como lembra Roberto Machado na obra “Foucault, a filosofia e a literatura”. Ao destacar a queda do homem pela loucura, Nicolai Gogol, cristão ortodoxo, associa o destino da personagem pecadora de O Retrato ao despenhadeiro da insanidade. Assim como a personagem Dorian Gray, criada pelo escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde, o protagonista de Gogol deixa-se consumir pela febril mistura de ego, idolatria e ambição, cujo único lugar reservado a tais “impulsos diabólicos” seria a perda total do precioso bem da sanidade, das decisões voluntárias e da vontade própria ou, para usar uma expressão inspirada na obra História da Loucura, do filósofo e estudioso francês Michel Foucault, condenando-o a um “espaço de murmúrios”.

site: https://biblioo.cartacapital.com.br/o-retrato-de-gogol/
Praticando Biblioterapia 26/04/2020minha estante
Que top


Mitch | Não sou crítico literário 26/04/2020minha estante
Gogol é maravilhoso. O Capote também é muito bom.




Eduardo 10/01/2013

A descoberta de um Gênio.
Quando você apenas ouve a respeito de um grande escritor e não o lê, não pode dizer que conhece ou reconhece sua genialidade ou sua capacidade de criar. Este é meu caso com Nikolai Gogol, escritor Ucraniano, naturalizado Russo, autor de contos, novelas e romances ditos, fantásticos.

Este autor me é indicado a anos por amigos, vejo seu nome correr em revistas, jornais e até produções cinematográficas, mas nunca tive a paciência de parar e dar atenção ao menos a um dos contos dele. Quando me surgiu oportunamente um conto chamado "O Retrato", aproveitei a situação favorável e comprei-o na esperança de uma boa leitura de entretenimento.

Ouso dizer, que, quase, nunca tive uma escolha tão acertada em adquirir um conto. A narrativa de Gogol é maravilhosa, ele - como poucos - é capaz de prendê-lo o texto inteiro, sua narrativa, é não só envolvente, nota-se claramente que o autor sentiu cada frase que escreveu, de tão profundas que elas são. o escritor leva-o a se colocar em todas as situações emocionais que a personagem vive ao longo da narrativa, - Medo, alegria, raiva, tristeza, dentre tantos outras apresentadas - de maneira única e as vezes assustadora.

O conto, narra a estória de Tchartkov. Um jovem pintor de muito talento, paupérrimo, que adquiri um retrato numa loja de quadros. Compra-o, pois notou que se tratava de uma obra prima jogada as traças. O narrador disserta a respeito do olhar que a figura demonstrava no retrato cuja expressão denotava uma reação endemoniada e que esta parecia observá-lo. Era como se alguém tivesse arrancado olhos humanos e posto na pintura. Tchartkov tem um suposto "sonho", em que esta figura sai do quadro e senta-se ao seu lado revelando um pacote com ouro. Na manha seguinte, descobre que existe realmente um pequeno embrulho na parte traseira do quadro contento uma soma significativa em ouro. Fato este que mudará sua vida completamente, - riquezas, uma vida de grande artista etc. - mas isso tudo levará a um desfecho inesperado e surpreendente, mesmo para os dias atuais.

Alguns podem ter a impressão de um clichê nuns momentos, mas deve ser observado que o conto foi publicado na primeira metade do século IXX, o que demonstra a genialidade do escritor em criar algo novo e singular para a sociedade de leitores da época. Alguns momentos, aparentemente sobrenaturais da personagem, me arrepiaram de tão intensos.

Vale muito a pena conferir esta obra prima da literatura Russa e quiçá, mundial!
Gessi 05/04/2015minha estante
Senti o mesmo que você. Nunca tinha lido Gogól e comecei pelo Retrato... resultado? Mais uma que se rende aos pés desse gênio! Quero ler tudo dele!



Eduardo 15/12/2015minha estante
Se puder Gessi, leia o "Capote" também, é tão bom quanto.




Lari 06/07/2013

essa ideia de quadros que possuem algum tipo de existência fantástica, uma vida própria, sempre vai ser aterrorizante. além da história ótima, adoro o jeito que o Gogol, e os escritores russos em geral, escrevem. tive a oportunidade de ler esse livro através da ideia genial que é o Book Crossing, recomendo muito!

"Se um veículo espirra lama sobre um homem paramentado com roupas de festa, logo a multidão o rodeia, mostra-lhe o dedo, comenta sua negligência. Entretanto, essa mesma multidão não observa as numerosas manchas em outros passantes vestidos com roupas ordinárias, pois sobre estas vestimentas escuras as manchas não são visíveis."
Davi 12/09/2014minha estante
O trecho que você citou foi justamente o que mais ficou na minha cabeça após a leitura :)




Monique @librioteca 16/06/2020

Em O retrato, Gogol é um artista que consegue pintar com as palavras...
Meu primeiro contato com Gogol foi com o conto 'O capote', que me surpreendeu e entrou para os meus favoritos. Agora, em 'O retrato', Gogol me fascina mais uma vez.

Para mim a genialidade da escrita do autor não está nos diálogos filosóficos, mas na descrição e caracterização psicológica que ele faz dos seus personagens. É no fundo das paixões e dos impulsos da moral humana que ele desenvolve suas histórias, e nas atitudes dos seus personagens que ele satiriza a sociedade e faz a ponte entre o imaginado e o real. É incrível!! Vale à pena ler esse conto curtinho e genial!!!
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Carolina 03/06/2020

Simplesmente incrível, depois de ter lido Diário de um louco do mesmo autor, sinto que acertei em cheio nessa leitura.
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Pedro 03/10/2020

Fantasia x Realidade
O conto se inicia de uma forma tranquila, onde as sucessões dos acontecimentos fazem rolar uma bola de neve que culmina em um desfecho que me surpreendeu.
O protagonista ao se deparar com uma nova classe social de onde não fazia parte, logo se rende aos prazeres do luxo, tornando-se alguém que jamais imaginou ser.
O mistério por trás do retrato e a explicação da influência da obra no desenrolar do conto foi uma combinação certeira ao retratar o cotidiano com toques de fantasia, de forma a misturar o real com o irreal.
A escrita habilidosa de Gogol molda no leitor um pensamento em relação ao conto, para no fim explicar todo o segredo por trás da história.
Leitura rápida e envolvente.
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Crispim 02/09/2014

"O mundo te seduz e eu tenho medo disso."
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HARRY BOSCH 25/09/2014

Nikolai Gogol
O que mais me chama atenção na literatura Russa é o desenvolvimento psicologico dos personagens.Em o retrato o autor traz reflexões sobre as dualidades;
O Bem e o Mal,a riqueza e a pobreza,Deus e o demônio.....
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Edu 30/12/2020

Bom
Bem imersivo à sociedade e ao contexto das cidades da época. Os acontecimentos ao redor da vida do pintor e as reflexões do caminho que ele traça são muito interessantes.
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Luana 03/10/2020

Algumas partes foram meio desnecessárias, em minha opinião, mas bem interessante, na mesma vibe do Poe.
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Rafael.Martins 10/02/2018

Ah Gogol! A cada história que leio dele mais me encanto pelo sua escrita.

O Retrato é uma história sublime, cheia de passagens engraçadas, fantásticas e intrigantes como é próprio do estilo do autor.

Ambas as partes da história são intrigantes e compõem o todo. Elas podem ser lidas de maneira independente, mas se lidas em conjunto o panorama fica completo.

Ansioso por mais e mais livros e histórias de Gogol.
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Julio.Argibay 28/07/2020

?Ele vê, ele vê com olhos humanos!?
O jovem pintor Tchartkov está passeando no Mercado Chtchukin, quando entra numa loja para procurar por alguma obra interessante, encontra um quadro que o impressiona, pois os olhos da figura pintada eram muito diabólicos. Ele pechincha e leva o quadro para casa (eita, isso vai dá ruim). Sua residência/ateliê é um lugar humilde, cheio de poeira, com móveis velhos e gastos. Depois dessa aquisição e também do arrependimento de ter comprado, o pintor passa a ter pesadelos com a pintura, diga-se de passagem, bem reais. Nesse ínterim, o locatário, Ivan Ivanovitch, aparece para cobrar o aluguel do apartamento, mas o jovem não tem dinheiro algum para pagar a seu senhorio. Só que acontece algo interessante... como que por encanto, de uma saliência do quadro, caem uma boa quantia de moedas de ouro. Esse dinheiro dá pra pagar o aluguel e muito mais. A partir desse momento, o jovem muda de ideia e de convicções já estabelecidas por ele e começa a trabalhar pintando retratos da moda, o anverso do que ele acreditava antes, resumindo ele se torna um retratista comercial, sem maiores preocupações com a arte (artista nutela). Ele se prestava a esse papel de tal forma, que que cada vez mais ele ganhava dinheiro e ficava famoso. Essa atitude perdurou, até que uma certa feita Tchartkov foi convidado a analisar uma obra que o deixou fora de si, pois a pintura era incrivelmente bela, sofisticada e elaborada com muita técnica. Ele ficou com raiva e morto de inveja. Tentou a todo custo elaborar um trabalho de igual impacto, mas não foi capaz. Qual foi a solução encontrada pelo artista? (A pior possível, isso eu vos garanto). A partir desse momento, as atitudes do artista levaram-no a sua decadência, a perda da saúde e de seu juízo. Na segunda parte do conto vamos conhecer um pouco o personagem retratado na obra... o rosto citado é de um antigo agiota, um sujeito enorme, com olhos endiabrados, a pele morena e vestido com roupas asiáticas. Ele não possuía família, sua mulher caiu fora. Em um certo momento, ele decide procurar um pintor na cidade com o objetivo que ele o retratasse. O artista tentou executar seu trabalho, mas a tarefa ia além das forças dele, os olhos do agiota o deixava exausto, física e mentalmente. Mesmo assim, o quadro foi entregue, inacabado, é verdade. Pouco tempo depois, o agiota faleceu, mas seus olhos endiabrados ficaram para a posteridade causando o infortúnio de seus posteriores proprietários. É como se as qualidades imorais do agiota fossem repassadas pelo quadro a seus donos. O pintor depois de alguns infortúnios foi para um monastério e se recuperou, mas parte da família, não teve a mesma sorte. Seu filho foi visitá-lo e depois esse mesmo jovem encontra a obra num leilão, mas ao contar essa estória para clientes do leilão presentes próximo a ele, acontece algo surpreendente. Mas uma coisa é certa a pintura segue causando seus estragos: provocando a inveja, o ódio, a cobiça, a crueldade de humilhar e oprimir a seu próximo, destruindo as pessoas e as relações que elas construíram ao longo do tempo.
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Roberta 07/08/2013

É uma história de terror.
Esse livro é fantástico. Não tem o que falar, é fantástico.
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Jefferson Vianna 05/12/2017

Uma verdadeira obra prima!
Sabe aquela leitura que te prende do início ao fim e que não te deixa dormir enquanto não finaliza? Foi exatamente isso que aconteceu quando iniciei a leitura de “O Retrato” do escritor Nikolai Gogol! Um livro envolvente, repleto de enigmas e mistérios capazes de prender o leitor. Trata-se de um livro que narra à carreira e a vida de um pintor, que na busca incessante de inspiração para alimentar a sua vaidade, encontra numa loja recém inaugurada um quadro que até então se encontrava desprezado em um canto qualquer, sendo o retrato de uma figura pitoresca e até mesmo demoníaca que o conduzirá a diversas experiências, sejam elas lúcidas ou não. Tendo no bolso apenas o dinheiro suficiente para a aquisição da obra, não pensa duas vezes e leva-o consigo, transformando para sempre de forma positiva e negativa o rumo de sua história como pintor... O desfecho é surpreendente e até mesmo inesperado, digno de um grande escritor! Confesso que me senti observado em alguns momentos, tal o meu envolvimento com a obra e isso me assustou um pouco. Às vezes tenho a impressão de que “O mundo te seduz e eu tenho medo disso” e é exatamente essa a sensação que fica após esta leitura singular! Um verdadeiro clássico da literatura russa!
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