Li a edição da Constable de 2011
Livro com capítulos não incluídos em sua mais famosa obra, "To have or to be?".
O livro começa muito bem, definindo o conceito de o que é "ser" um ser humano, ou a arte de ser. em tradução livre: "A questão crucial hoje é, como eu vejo, se conseguimos reconstituir o conceito clássico de liberação interna e externa (da mente) com o conceito da razão em seus dois aspectos, como aplicada na natureza (ciência) e ao homem (autoconsciência)." p. 8
Na primeira parte do livro Fromm descorre sobre algumas barreiras que impedem o homem de atingir autoconsciência através de sua natural produtividade, como nos capítulos "No Effort, No Pain", onde critica a cultura de menor esforço possível em todas as esferas de nossa sociedade, principalmente para estudar. De novo, em tradução livre: "Relacionada com a doutrina de não-esforço está a de "sem-dor" (no-pain). Essa, também, tem uma qualidade fóbica: evitar sob quaisquer circunstâncias dor e sofrimento, fisicamente e, particularmente, mentalmente. A era do progresso moderno diz levar o homem a uma terra prometida onde não há dor." p. 26
Também critica o medo em excesso (ou fobia) do autoritarismo, que ele chama de antiautoritarismo: "O medo do autoritarismo serve para racionalizar um tipo de loucura, um desejo de escapar da realidade. A realidade impõe suas leis no homem, leis que ele só pode escapar em sonhos ou em estados de transe - ou na insanidade." p. 29
Fromm traz conceitos budistas, faz paralelos com Tai Chi Chuan e se baseia bastante em Freud em boa parte do livro, que trata de psicoanálise (principalmente auto-análise). Também traz influência de Marx em seu pensamento sociológico.
Na última parte do livro, Fromm se arrisca sem sucesso ao defender ideias comunistas para o bem-estar de uma sociedade. Bem superficialmente tenta defender o pensamento marxista da coletivização dos meios de produção, respeitando as posses individuais das pessoas, como se isso fosse possível. Deixa muito a desejar pois não traz nenhuma relação lógica em suas afirmações nessa última parte do livro.
Recomendo, após ler o livro de Fromm, assistir ao documentário Cuba e o Cameraman, disponível na Netflix, e focar na história dos irmãos Borrego, pois se conversam muito bem, quase que diretamente com o tema proposto pelo título do livro "The Art of Being" e com o modelo de natureza humana de Spinoza, também defendido pelo autor.