Medeia -

    Eurípides

    Editora 34
    2010
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788573264494
    Português Brasileiro

    Tendo por base um antigo mito grego, a Medeia de Eurípides (c. 480-406 a.C.) narra a vingança da altiva Medeia contra Jasão, depois que este — após ter conquistado o Velo de Ouro com sua ajuda — a rejeita para desposar a filha do rei de Corinto. Encenada pela primeira vez em 431 a.C., no concurso teatral das Grandes Dionísias em Atenas, a peça obteve apenas o terceiro e último lugar. Tal resultado refletia não uma suposta inferioridade da tragédia, mas a incompreensão do público diante de um autor que constantemente subverteu forma e conteúdo tradicionais da poesia trágica. A posteridade, no entanto, soube enxergar nesse elemento subversivo um forte aspecto de modernidade: ao deslocar o foco do coletivo para o individual, introduzindo aí os motivos da psicologia humana e dando relevo inédito às personagens femininas, a obra de Eurípides se tornaria um dos pilares da dramaturgia moderna — e a figura de Medeia, uma das mais marcantes de toda a literatura. O famoso texto de Eurípides - que inspirou numerosas obras, em diferentes épocas, de Sêneca a Pier Paolo Pasolini, passando por Chaucer, Corneille, Jean Anouilh, Heiner Müller, Lars von Trier, Christa Wolf e, entre nós, Chico Buarque e Paulo Pontes, com a peça Gota d'água (1975) — chega agora ao leitor brasileiro em edição bilíngue na apurada tradução de Trajano Vieira, que procurou captar todos os ritmos, as nuances e os traços de modernidade estilística do original.

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    Régis Maz03/09/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Personificação da Vingança...

    Medéia após ser traída e abandonada por  seu marido Jasão, que se casa com Glauce, filha do rei de Corinto, Creonte. Decide se vingar de ambos, e para isso arquiteta uma terrível vingança. Nessa tragédia Eurípides trata do amor de uma mulher, que após ser traída, se transforma em puro desejo de vingança, essa, levada as últimas consequências para fazer com que o traidor sinta toda a dor que lhe foi impingida. Medéia é a personificação da vingança e de certa forma Jasão mereceu tal sorte. Ela abandonou Cólquida, sua terra, e incitada por Jasão: causou a morte de  seu irmão, Pelias, traiu seu pai, Aietes, (ajudando Jasão a roubar o Velocino de ouro) e após lhe jurar fidelidade eterna no templo de Hecate, Jasão a abandona e permite que seja exilada pelo Rei de Corinto. Ela com certeza teve seus motivos para se vingar.  "Sim, lamento o crime que vou praticar, porém maior do que minha vontade é o poder do ódio, causa de enormes males para nós, mortais!" Não concordo com tudo que Medéia fez, mas a devastação de sua alma fica clara durante a leitura e seus atos (exceto um), são completamente justificados pelo teor de sua ira. Essa peça é intensa e brutal, me fez sentir asco em vários momentos pelos atos praticados tanto por Jasão, quanto por Medéia, mas também me causou pena pelo destino dessa mulher, que abriu mão de tanta coisa pelo marido e, que foi paga com a mais desleal das traições. A leitura é rápida e empolgante, a tradução é ótima e torna a leitura prazerosa. É uma peça trágica que com certeza,  adoraria ver encenada. Recomendo.

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