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    Alegorias da leitura - Linguagem figurativa em Rousseau, Nietzsche, Rilke e Proust

    Paul de Man

    Imago
    1996
    344 páginas
    11h 28m
    ISBN-10: 8531205239
    Português Brasileiro
    5
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    Henrique Carvalho picture
    Henrique Carvalho23/10/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Alegorias da Leitura" é o livro mais denso e complexo de teoria e crítica literária que conheço. Por essa razão, é também uma obra muito rica. E talvez também por tudo isso seja uma das menos compreendidas do século XX. Esta é a obra na qual de Man desenvolve, aplica e expande sua própria teoria sobre o funcionamento da linguagem em sua dimensão retórica, e para entender essa obra é necessário ter clareza sobre essa teoria. Desenvolvida no primeiro capítulo, ela é fundada em uma releitura dos três polos do trivium clássico, gramática, lógica e retórica. Como de Man explica no primeiro capítulo, "Semiologia e Retórica", embora gramática e lógica possam formar um par sem contradição, sua relação com a retórica não é tão simples. Não é frutífero fazer como a crítica até então fazia de passar de um lado para o outro sem observar as tensões entre a retórica e os dois outros polos. Tomemos o exemplo tradicional da "pergunta retórica". Ela é formulada gramatical e logicamente como uma pergunta, mas retoricamente como uma resposta. Para de Man, essa autonegação da linguagem é algo que ocorre em todos os textos. A tensão entre o sentido retórico e o literal dos enunciados é constitutiva da linguagem. A retórica, portanto, não é uma dimensão em harmonia com a gramática e a lógica, mas algo que suspende a ambas. O que não quer dizer que onde haja um haja outro: eles convivem em contradição. Ou, como ele formula, toda sentença bem formulada engendra confusões que ela própria não pode resolver, que para serem resolvidas precisam de suplementos (verbais ou outros), que por sua vez geram mais tensões. A crítica que faz uma leitura retoricamente atenta (o que o autor chama de Leitura Retórica) não deve procurar resolver a tensão ou escolher um lado, mas expôr as contradições e trabalhar o texto sobre elas. Esse é um instrumental de leitura muito poderoso. Ao demonstrar a instabilidade dos textos, sempre em contradição consigo próprios, de Man oferece a seu leitor e a quem aceitar seu desafio de entender a linguagem dessa forma um aparelho que permita sempre desafiar a toda forma de representação que se pretenda única e final. A leitura retórica não é uma forma de crítica que privilegia a confusão e a indeterminação, como querem seus detratores, mas sim uma que privilegia a multiplicidade e desafia as leituras que se querem únicas e idênticas a si. Sem dúvida dentro de um livro tão difícil e menos lido do que deveria, há um dos tesouros mais importantes de nossa época.

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    Paul de Man

    Paul de Man (6 de dezembro de 1919, Antuérpia, Bélgica - 21 de dezembro de 1983, New Haven, EUA) foi um teórico belga-estadunidense da literatura e da retórica. Amigo de Jacques Derrida, é considerado importante na difusão da desconstrução nos EUA. Defendia uma crítica atenta aos procedimentos figurativos dos textos e principalmente às contradições latentes nessas figurações. Seu trabalho examina a problemática da leitura no interior do texto, observando como ele simultaneamente afirma e nega suas premissas e integridade. Poucos anos após seu falecimento, veio a público que de Man havia publicado, durante a guerra, dezenas de artigos para um periódico colaboracionista em sua terra natal. Apesar de muitos serem comentários inocentes de apresentações artísticas, destacam-se um de teor antissemita e outro favorável aos invasores alemães. Isso alimentou uma revisão radical de seu trabalho e de sua imagem. Sabe-se também que, antes da invasão alemã à Bélgica, ele havia trabalhado em uma publicação estudantil democrática e antifascista, o Cahiers du Libre Examen, forçosamente interrompido pelos nazistas. As discussões em torno de seu legado, biografia e publicações de juventude duram até hoje, por vezes obscurecendo seu trabalho de maturidade. Após a guerra, de Man imigrou para os EUA, onde obteve sua pós-graduação, nos anos 1950, pela Universidade Harvard em Literatura Comparada com uma tese sobre Mallarmé, Yeats e Stefan George. Nos anos 1960, lecionou nas Universidades de Cornell, Johns Hopkins e Zurique. Dos anos 1970 e até seu falecimento em 1983, foi chefe dos departamentos de Francês, Literatura Comparada e Humanidades da Yale, onde se destaca como figura central da Escola de Yale de Crítica Literária ao lado de figuras como Jacques Derrida, J. Hillis Miller, Geoffrey Hartman e Harold Bloom. Além disso, também orientou teses como a de Gayatri Spivak e Barbara Johnson.

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    Flandres, Bélgica

    Paul de Man