O Outono do Patriarca é uma metáfora para o fim das ditaduras na América Latina.
Num sobrado abandonado, um velho general observa sua obsolência em um mundo que já não o venera, considera ou consulta. Tudo o que fazia o homem temido e respeitado é pouco a pouco corroído pelo tempo ou devorado pelos animais a sua volta - são os novos tempos e a nova geração de políticos igualmente interessados no poder.
A interpretação da história exige uma certa dose de conhecimento do século XX, especialmente sobre a América do Sul. A escrita de Garcia Marques é linda, lírica, e pode facilmente entreter alguém sem o conhecimento necessário ou mesmo a vontade de destrinchar a história, lendo o que parece apenas o conto de um velho.
Há muitos críticos em torno dessa obra, Vargas Llosa chegou a dizer que O Outono do Patriarca éra García Márquez fingindo ser García Márquez. Em minha opinião, como alguém de um país onde o coronelismo ainda impera, a trama é dolorosamente familiar.
Recomendo.