A Selva -

    Ferreira de Castro

    Guimarães Editores
    1956
    222 páginas
    7h 24m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Alberto, o personagem principal, viu – se na Amazónia como exilado político na sequência da revolta fracassada de Monsanto em 1919, dos monárquicos contra o nascente regime republicano em Portugal. Ao chegar ao Brasil, acolheu – se à protecção de um tio que já lá estava. A breve trecho, este cansou – se de o sustentar e o moço foi forçado a ir trabalhar como seringueiro. A adaptação foi difícil. Moço de estudos, sentia – se superior aos que o rodeavam, e esperava ser tratado com alguma consideração. Evidentemente que tal não aconteceu. Passou anos muito penosos. Para além do trabalho em si, havia risco de vida devido a possíveis ataques de índios, que consideravam os exploradores como intrusos das suas terras ancestrais, e não lhes perdoavam. Um golpe de sorte retirou – o do trabalho de campo, para o escritório. O trabalho era mais leve e de acordo com aquilo que sabia; mas continuava a sentir – se prisioneiro, e só desejava sair dali. Entretanto, recebeu notícias de amnistia política, pelo que poderia retornar a Portugal. Sendo impossível juntar dinheiro para o regresso, tanto mais que continuava com dívidas, pediu ajuda à mãe que lha enviou. O romance termina com a fuga de alguns seringueiros, a sua captura e entrega ao “dono” por outros seringueiros; o castigo cruel imposto pelo “dono” e executado por um dos seus homens de mão. O final é dramático.

    Edições (4)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover

    Similares (13)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (12)Ver mais
    Pedro LDC Viegas picture
    Pedro LDC Viegas27/09/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Final abrupto

    Em A Selva, o escritor português Ferreira de Castro conta um pouco da vida dos seringueiros no período do declínio do mercado da borracha brasileira, em 1930. A floresta e o rio, descomunais, são presenças que se impõem, e por isso o autor descreve a natureza amazônica com o detalhe de quem descreve um personagem importante. Basicamente, a história relata a aventura que o protagonista teve de enfrentar às margens do rio Madeira num acampamento de seringueiros. Vindo de Portugal por motivos políticos e morando de favor na casa do tio, certo dia ouviu o que não gostou e seu orgulho ferido o obrigou a enfrentar o destino na selva. O livro mostra o convívio de vários tipos humanos naquele meio: o proprietário, o caboclo satisfeito com seu quase nada, e o seringueiro cearense, prisioneiro de uma armadilha ao tentar melhorar sua realidade. O livro foi uma denúncia para o mundo, pois o autor escreveu o livro após uma estadia de um ano nos seringais amazônicos, constatando em primeira mão a realidade. Outro aspecto do enredo é a onipresença esmagadora da floresta. Uma sensação de angústia claustrofóbica diante da massa vegetal, da natureza que tudo domina. A única falha que encontrei foi para o final, que julguei ser muito repentino. Mas a vida também é cheia de finais súbitos, se pensarmos bem. Cinco estrelas.

    17 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 84
    • 5 estrelas26%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas2%