Memórias Encontradas Numa Banheira - Coleção FC nº 1

    Stanislaw Lem

    Caminho
    1984
    191 páginas
    6h 22m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Uma praga de origem cósmica detona todos os papéis de nosso planeta. Os que existem e os que são construídos. Todos os documentos, registros, livros e fontes de conhecimento e comunicação da humanidade baseados no papel são perdidos. Entramos em colapso e no futuro distante, paleógrafos acham um manuscrito dentro de uma banheira em uma fortaleza subterrânea. E passam a decifrar o significado deste manuscrito, as memórias propriamente ditas, que passam a ser narradas em primeira pessoa, pelo sujeito que se transformará no peregrino do absurdo, do insensato, do desatino sem fim, de um ir e vir em corredores, salas, escritórios, portas e elevadores à procura das instruções de sua missão, seja ela qual for. Lem faz um libelo contra a onipotencia do Estado totalitário. Sim, totalitário e e não autoritário, pois em sua fortaleza subterrânea de inspiração político-religiosa todos são servidores cegos de uma ordem de reconstrução do mundo, só que esta ordem propriamente dita, dilui-se no próprio absurdo de regras, ordens e procedimentos já sem sentido, porque não questionados, apenas seguidos numa corrente sem fim de ordens, contra-ordens, ditames e não-ditames, onde a forma vale mais que o conteúdo, sem que se perca de vista o peso da ideologia fundadora, mesmo que ela, em si, não faça mais sentido para ninguém individualmente

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover

    Similares (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (5)Ver mais
    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa picture
    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa21/03/2010Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Uma das obras menos interessantes e mais datadas de um dos maiores autores de ficção científica do século XX. Trata-se de um enredo distópico de sabor kafkiano, entre burocratas e fiscais ideológicos que vivem em uma fortaleza totalmente isolada do mundo exterior, vigiando-se uns aos outros por suposta deslealdade ao regime. Supostamente, é o Alto Comando dos EUA que sobreviveu por muitos anos em uma instalação subterrânea depois de ter perdido a guerra, em um mundo no qual o comunismo foi vitorioso. O texto seriam as memórias de um agente secreto, encontradas por um arqueólogo muito depois que essa "civilização subterrânea" desapareceu. Mas a leitura é para ser invertida: trata-se de uma crítica furiosa à paranoia e fuga da realidade que se via no sistema soviético na era Brezhnev (o livro é de 1973).

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    3.3 / 28
    • 5 estrelas14%
    • 4 estrelas21%
    • 3 estrelas39%
    • 2 estrelas21%
    • 1 estrelas4%