A tarde da sua ausência -

    Carlos Heitor Cony

    Alfaguara
    2010
    188 páginas
    6h 16m
    ISBN-13: 9788579620294
    Português Brasileiro

    Henrique recebe pelo computador uma foto em preto e branco, tirada nos anos 1960, da numerosa família Machado Alves, na varanda de seu casarão em Ipanema. Álvaro, o patriarca, está "no cimo da pirâmide formada por todos, amontoados nos degraus da pequena escada que levava à varanda". Na imagem, há uma única ausência: Vera, uma menina insinuante, filha mais nova de Álvaro e ex-cunhada de Henrique. "Teria treze anos na época. Ela tirara a foto. Ao enquadrá-la, não centralizara o grupo. No canto esquerdo aparecia metade da rede que cortava a varanda em diagonal." A partir dessa imagem, Carlos Heitor Cony reconstitui com maestria a lenta desintegração de uma família carioca. E, entre deslocamentos no tempo, compõe uma história de choques e desencontros entre Henrique e a enigmática Vera.

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    Anna Julia Maurity26/08/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Você já tentou esconder uma árvore? É fácil. Basta coloca-la na floresta." De um lado Vera Machado Alves, primeiro criança, depois adolescente, e mais tarde adulta, mas nunca velha, nunca ultrapassada, sempre indecifrável, desejada. De lindas pernas, á olhos aguados refletindo o mar, poderia ser mais singular, mais misteriosa, até mesmo mais amada, se não carregasse o sobrenome de Machado Alves, a número familia, uma das mais ricas do Rio de Janeiro, desde o século XX. Do outro Henrique, de sobrenome qualquer, insignificante, por alguns até chamando de parasita, casado com Dalva, irmã de Vera, vivendo sob o mesmo teto sob a direção do patriarca Álvaro Machado Alves, no qual mantinha uma incomum, e até um pouco pitoresca, de amor, com aquele sogro que o sustentava. Suas vidas poderiam ter passado insignificantemente, teriam, parado de se ver, se não fossem pelas reuniões, recheada de apostas e roletas aos sábados, e as pequenas vezes que se encontravam na grande mansão em Ipanema. Mas uma tarde fez suas vidas mudarem, e a direção na qual se revelou, mudou para sempre, suas visões, suas fugas, seus sentimentos. A tarde na rede, revelou-se a descoberta não só do prazer, mas além, mostrou a verdade sobre querer se afugentar, de todos, de tudo, de si mesmo. Vera, personagem principal, mas sempre retratada distante, misteriosa e introspectiva. A mais do que a ovelha negra da família, a raposa que por instinto, não segue bando, anda sozinha e vive onde quer, por quanto quiser. Henrique, medíocre, mas cauteloso, e conformista. Nunca perdera nada, pois nunca possuíra. Não brincava, mas também não se machucava, assim melhor definiria o cunhado, o genro, que no final das contas, de tanto ódio pelos Machados Alves, se via sempre no meio de todos eles, ou melhor dela. Romance reflexivo, que demostra a fragilidade das relações humanas e principalmente a relação do homem com o dinheiro.

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