Quase Memória (Biblioteca Folha #30) - Quase Romance

    Carlos Heitor Cony

    Folha de São Paulo
    2003
    223 páginas
    7h 26m
    ISBN-10: 8574025135
    Português Brasileiro

    O quase-romance de Carlos Heitor Cony transporta o leitor para um outro mundo, "um mundo que acabou", nas palavras de seu autor. O mundo de seu pai, jornalista como ele, mas de um tempo perdido; do Rio capital federal, do compadrio despudorado, não da violência. Do dia-a-dia indulgente. Na elegia ao pai que é Quase Memória, o protagonista Ernesto Cony Filho é o corpo e o espírito da época. Sonha alto, dorme prometendo grandes feitos "amanhã". E o que faz é atolar-se nos próprios sonhos, desfazer-se deles, criar outros e outros. É uma figura quixotesca, patética, no relato quase cruel do filho, mas por isso mesmo fascinante. Se foi assim ou não, o quanto há de "memória" na fantasia que é Quase Memória são perguntas que interessam pouco, na leitura emocionante deste livro. Com o seguir das páginas, quase não há mais Cony pai, tampouco Cony filho. É o leitor que se vê conduzido, tomado pela nostalgia. Foi o primeiro romance ou "quase" de Carlos Heitor Cony em mais de duas décadas. Para quem o tem como uma companhia cotidiana, em suas crônicas de jornal e rádio, Quase Memória é como um mergulho profundo, que o torna ainda mais próximo - e revela o quanto é singular. ==== https://biblioteca.folha.com.br/ https://biblioteca.folha.com.br/1/imprensa/2003052501.html

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    Clio08/01/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Esse é o terceiro livro de Cony que leio, e o melhor até agora. Não que a escrita dos outros fosse ruim, mas simplesmente porque fiquei com a impressão que nesse volume em particular o autor conseguiu se livrar de quaisquer amarras que antes o prendiam. Quase Memória: Quase Romance é um título bem perspicaz pois mistura um tanto de biografia e ficção que tornam essa uma leitura singular. Lembra um pouco o realismo mágico de Marquez ou o regionalismo de Verissimo, mas com o seu próprio sabor. Nesse livro, dá para sentir a saudade e admiração que Cony sente pelo pai, uma figura um tanto mitológica que povoa a cultura brasileira como o pai-de-famílias e inventor-de-gambiarras. É a figura galante e falastrona que todo mundo conhece. Aquele parente que está sempre metido em alguma nova empreitada. Recomendo.

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