Quase memória :quase romance -

    Carlos Heitor Cony

    Companhia das Letras
    1995
    213 páginas
    7h 6m
    ISBN-10: 857164487x
    Português Brasileiro

    Tendo o Rio de Janeiro das décadas de 40 e 50 como cenário, a história começa quando o autor recebe um embrulho sem remetente na recepção de um hotel cujo restaurante costuma frequentar. A primeira reação é achar que se trata do original de um livro, como muitos que costumam parar em suas mãos. Mas logo os detalhes o surpreendem: a letra no envelope é a do pai morto há dez anos, assim como o nó no barbante e a cor da tinta da caneta. Inconfundíveis. Aquele objeto inesperado desencadeia em Carlos Heitor Cony lembranças do pai (Ernesto, jornalista, como o filho viria a ser) e dos tempos de menino. Ao ativar a memória do autor, o misterioso envelope traz de volta sensações e sentimentos experimentados com o pai, como o cheiro de manga, a capacidade de sonhar, de viver a vida com entusiasmo, a alegria pura da infância, que transforma o ato paterno de soltar balões em algo de proporções heróicas. Com grande sensibilidade e contundência, Cony revisita também os sentimentos contraditórios da relação entre pais e filhos: aqueles momentos em que se alternam vergonha e orgulho, medo e respeito. Lançado originalmente em 1995, Quase memória marcou a volta de Carlos Heitor Cony à ficção de forma consagradora, depois de mais de vinte anos afastado da literatura. Ponto alto na produção literária brasileira das últimas décadas, este romance explora o território entre a ficção e a memória a partir das reminiscências do autor sobre o pai morto. Nele, Cony mapeia minuciosamente a relação pai e filho: os sentimentos contraditórios, as alegrias e tristezas que não se esquecem, o afeto incondicional e, acima de tudo, a cumplicidade.

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    Clio08/01/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Esse é o terceiro livro de Cony que leio, e o melhor até agora. Não que a escrita dos outros fosse ruim, mas simplesmente porque fiquei com a impressão que nesse volume em particular o autor conseguiu se livrar de quaisquer amarras que antes o prendiam. Quase Memória: Quase Romance é um título bem perspicaz pois mistura um tanto de biografia e ficção que tornam essa uma leitura singular. Lembra um pouco o realismo mágico de Marquez ou o regionalismo de Verissimo, mas com o seu próprio sabor. Nesse livro, dá para sentir a saudade e admiração que Cony sente pelo pai, uma figura um tanto mitológica que povoa a cultura brasileira como o pai-de-famílias e inventor-de-gambiarras. É a figura galante e falastrona que todo mundo conhece. Aquele parente que está sempre metido em alguma nova empreitada. Recomendo.

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