O Mal Estar na Cultura -

    Sigmund Freud

    L&PM
    2010
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788525419972
    Português Brasileiro

    Perguntando-se sobre os critérios – ao seu ver equivocados – usados pelos seres humanos para eleger os valores da vida que lhes são caros e assim traçar caminhos na busca pela felicidade, Sigmund Freud (1856-1939) inicia uma reflexão sobre a origem da necessidade do sentimento religioso no homem. Recuperando ideias de seus textos anteriores, ele compõe “O mal-estar na cultura” (escrito em 1929 e publicado em 1930), um dos mais perturbadores ensaios jamais escritos no que diz respeito ao desenvolvimento cultural da humanidade. Ao investigar por que o ser humano é tão pouco dotado para ser e permanecer feliz, Freud revela que um dos principais e invencíveis obstáculos à felicidade é a constituição psíquica do homem. Ele examina de perto – lançando mão de ferramentas psicanalíticas – o processo de desenvolvimento cultural necessário para que as pessoas possam viver em sociedade. A conclusão é a de que não só a civilização, mas a própria cultura humana implicam uma diminuição na felicidade dos indivíduos, tendo como subproduto um alienável e generalizado sentimento de culpa.

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    Otávio Palmeira18/01/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    “Ao mesmo tempo, a partir desse exemplo podemos suspeitar que as duas espécies de instintos (Eros e Morte) raramente – talvez nunca – surgem isoladas uma da outra.” Sempre achei a psicologia um dos mais encantadores campos de saber da humanidade. Estudar e entender o que nos faz agir e pensar e como isso reflete em nosso comportamento social é o caminho para entender nosso passado, nosso presente e como poderá ser nosso futuro. E é impossível falarmos da psicologia sem citarmos Sigmund Freud. Escrito em 1929, quando o mundo estava prestes a enfrentar uma de suas principais crises econômicas, O Mal-estar na civilização é muito mais do que um texto sobre as formações da psicologia. Em cerca de 90 páginas, Freud expõe conceitos sobre a sociologia e a antropologia, sempre embasado em seus estudos psicanalíticos e sua percepção sobre a sociedade da época. Da eterna busca pela felicidade (e até como de fato a entendemos) até às críticas contra a religião e o modelo educacional da época, O Mal-estar na civilização é uma pesada e densa dose de conceitos que precisam ser lidos e entendidos com calma. Por ser um livro teórico, é nítido que não se nota uma preocupação com a estética ou com a fluidez do texto por parte do autor, mas tudo bem, ainda assim, com uma leitura atenta, é possível absorver e entender o que é falado ali. Assusta, mas depois de um tempo passa a fazer mais sentido. Eu, obviamente, não tenho a capacitação necessária para analisar tecnicamente uma obra do pai da psicanálise, mas ainda que tenha sido uma leitura densa, dessas que “fritam os neurônios”, é impossível sair dela sem uma bagagem importante que auxilia na compreensão do mundo que vivemos hoje. Sejam nas explicações dos instintos (Eros e Morte) ou dos conceitos de Eu, Super-Eu e ID, Freud entrega informações fundamentais e que pavimentaram estudos ainda mais profundos sobre a humanidade. Mais do que isso, faz lembrar a lição de “Conhece-te a ti mesmo” estampada no Templo de Apolo em Delfos e como nós precisamos nos entender para começarmos a compreender o universo que nos cerca.

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