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    The Transmigration of Timothy Archer (Valis #3) -

    Philip K. Dick

    Vintage
    1991
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9780679734444
    4
    5 avaliações
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    The Transmigration of Timothy Archer, the final novel in the trilogy that also includes Valis and The Divine Invasion, is an anguished, learned, and very moving investigation of the paradoxes of belief. It is the story of Timothy Archer, an urbane Episcopal bishop haunted by the suicides of his son and mistress--and driven by them into a bizarre quest for the identity of Christ.

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    Bruno Alves da Silva picture
    Bruno Alves da Silva14/04/2014Resenhou um livro
    3 (Bom)

    The Transmigration of Timothy Archer

    O último livro da “trilogia VALIS” não era originalmente o planejado. Infelizmente, Philip K. Dick faleceu de um derrame antes de dar continuidade ao seu rascunho do que planejava ser o último volume do trio, <i>The Owl in Daylight</i>. Entretanto, seu último livro escrito - <b>The Transmigration of Timothy Archer</b> – possuía uma certa ligação simbólica e temática com os dois anteriores, a despeito de não ser exatamente conectado. Enquanto <i>VALIS</i> e <i>The Divine Invasion</i> não possuíam personagens em comum, o tema e elementos divididos tinhham uma conexão muito mais forte, o que acaba prejudicando este último caso ele venha a ser visto como parte de uma série. Mas <b>Transmigration</b> acaba sendo um livro que se segura muito bem sozinho, e é de uma lucidez enorme se comparado aos seus antecessores. Este livro não é ficção científica, tampouco ficção especulativa; não há quaisquer elementos que não possam ser considerados parte da nossa realidade sensível. Uma América distópica, tão popular na obra completa de Dick, aqui é apenas os Estados Unidos no ano da morte de John Lennon. O livro é em sua maior parte composto de reflexões e conversas entre a protagonista Angel Archer e seus parentes e colegas próximos; seu marido Jeff, seu sogro o bispo Timothy Archer e a amante deste, Kirsten. Timothy, baseado no bispo episcopal da Califórnia Jim Pike (que PKD conheceu pessoalmente durante a sua vida), é um homem ilustrado e progressista que começa a ter uma crise de fé após a descoberta (fictícia) de documentos pré-cristãos que possuem a Logia de Cristo, seus ensinamentos, dois séculos antes da época. Daí que Cristo não seria o messias, mas apenas um professor de ensinamentos anteriores a ele. Daí, crise de fé. E daí inúmeras referências à literatura, filosofia, teologia, música clássica, academicismo, e mais. Angel Archer e seu marido são como “estudantes profissionais”, de mente universitária e neste meio habitam, permanecendo neste meio científico e abstrato. É interessante observar suas interações com o filho de Kirsten, Bill, que devido a sua esquizofrenia é incapaz da faculdade de abstração. <i>The trouble with being educated is that it takes a long time; it uses up the better part of your life and when you are finished what you know is that you would have benefited more by going into banking. [...] There I go: Berkeley intellectual, viewing everything in terms of culture, of opera, of novel, oratorio and poem. Not to mention play.</i> A voz da narradora é percpetivelmente crítica e irônica. Dick parece ter escolhido construir Angel Archer para provar a si mesmo e aos outros que conseguia construir uma narradora mulher convincente (uma coisa que os críticos sempre teriam atacado em sua obra). Angel é crível e humana, com suas dúvidas, arrependimentos, inteligência e proposições. Não é muito diferente das demais vozes narrativas usadas por Dick, mas talvez esta seja parte da ideia. Fez dela um personagem como os seus. <i>In California you buy enlightenment the way you buy peas at the supermarket, by size and by weight. I’d like four pounds of enlightenment, I said to myself. No, better make that ten pounds. I’m really running short.</i> O livro é denso, mas a voz é agradável de se ler. Como <i>VALIS</i>, parte da carga filosófica de Dick deixa a leitura mais devagar, assim como a falta de acontecimentos e suspense. Sabemos o desfecho do começo, e não há o gancho que torne a leitura algo compulsório; <b>Transmigration</b> não é um “page-turner”. Não é mesmo ficção especulativa – todo o elemento metafísico-sobrenatural depende da interpretação do leitor sobre os acontecimentos e personagens. Haverá uma experiência religiosa, como alguns aceditam, ou vigora o ceticismo e não há nada além de wishful thinking e alucinações? Mesmo os elementos mais fantasiosos (videntes, transmigração, ascensão de consciência) permeiam esta borda entre o natural e o sobrenatural, algo como o “fantástico” de Todorov. Como apropriado para assuntos religiosos e esotéricos, não podemos afirmar com certeza. A despeito de tudo isso, continua a ser uma leitura instigante e lúcida. Talvez seja o mais reconhecidamente “literário” da trilogia VALIS e, por ser o último escrito, publicado postumamente, deixou a alguns críticos e amigos a impressão de alívio: “ufa; Dick não morreu maluco”. Mas fica a jamais solucionável dúvida do que seria, afinal, o desfecho planejado para <i>The Owl in Daylight</i>, no que a “trilogia” (por falta de um termo melhor) resultaria. E, até mesmo, se Dick pararia no terceiro livro. A leitura, não só deste mas dos três livros, dá um bom mas contraditório insight de quem e como teria sido Philip K. Dick. Com a sua prematura morte, ficamos com os documentos, as autobiografias, as entrevistas e, claro, seus livros. Mas sua mente é um mistério fascinante, seu conhecimento (assim como o do próprio Timothy Archer) parece ilimitado e anedótico, e sua pessoa, uma figura única.

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    Philip Kindred Dick profile picture

    Philip Kindred Dick

    Philip Kindred Dick, também conhecido pelas iniciais PKD, foi um escritor americano de ficção científica que alterou profundamente este gênero literário. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica e tornando-se um ícone da contracultura. Sua obra é marcada por fantasmagóricas histórias de paranóia e primam pela originalidade. Explorou em muitas das suas histórias temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não heróis galácticos comumente associados a obras do gênero. Sua obra mais conhecida em vida foi <i>O Homem no Castelo Alto</i> (1961), vencedor do Prêmio Hugo de ficção científica. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica. Filho de um funcionário do governo federal, a sua irmã gémea morreu quase à nascença. Os seus pais divorciaram-se quando Philip contava quatro anos de idade. Acompanhou a mãe na sua mudança para a Califórnia, onde estudou, ingressando na Escola Secundária de Berkeley, onde permaneceu até 1945. Matriculou-se então na Universidade da Califórnia, onde estudou Filosofia e Alemão, abandonando o curso para trabalhar como disc-jockey numa emissora de rádio, mantendo, ao mesmo tempo, uma loja discográfica. Começou a escrever nesta época, publicando o seu primeiro conto de ficção científica na revista Planet Stories. Chegou a terminar alguns romances de índole autobiográfica, mas não conseguiu encontrar quem os editasse. Decidiu portanto dedicar-se inteiramente à ficção científica, convicto de que este género poderia melhor abarcar as suas especulações filosóficas. A sua primeira obra publicada foi Solar Lottery de 1955. A ação da obra decorria no século XXIII, num tempo em que a democracia como forma de eleição foi substituída por uma sistema de loteria que decide as funções dos indivíduos na sociedade. No entanto, vem-se a descobrir que a sorte está viciada. Após o aparecimento de obras como Eye In The Sky de 1956, Dr Futurity de 1960 e Vulcan's Hammer de 1960, Philip K. Dick conseguiu ser reconhecido como escritor, sobretudo com a publicação de The Man In The High Castle (O Homem do Castelo Alto) de 1962. O romance recriava um mundo em que a Alemanha e o Japão haviam vencido a Segunda Guerra Mundial. Por ter mantido relações com o Partido Comunista norte-americano, o escritor foi alvo de cuidadosas investigações por parte do FBI e dos serviços secretos da Força Aérea dos EUA. A visão quase paranóica da realidade que Dick demonstrou em muitos dos seus trabalhos não seria portanto de todo infundada. Inspirando-se em ideias do Budismo, Cabalismo, Gnosticismo e outras doutrinas herméticas, e combinando-as com certos aspectos das novas crenças na parapsicologia, extraterrestres e percepção extra-sensorial, o autor criou mundos alternativos nos quais acabou eventualmente por julgar viver. Consumindo drogas em excesso, alegou ter sido contactado em 1974 por uma inteligência alienígena. PKD explorou em muitas das suas obras temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não os normais heróis galácticos de outras obras do gênero. Precursor do gênero cyberpunk, o seu livro Do Androids Dream of Electric Sheep? (Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?) inspirou o filme Blade Runner que, já perto da sua morte por um AVC (Acidente Vascular Cerebral), serviu como introdução a Hollywood e levou a que outras obras suas fossem adaptadas ao cinema. Os filmes Minority Report: A Nova Lei, O Vingador do Futuro, Screamers: Assassinos Cibernéticos, O Pagamento, Impostor, O Vidente, Os Agentes do Destino e O Homem Duplo, também são baseados em novelas ou contos de Dick.

    162 Livros
    939 Seguidores
    Califórnia, Estados Unidos

    Philip Kindred Dick