Minha opinião: indispensável a leitura de "Os Sertões". É culto, mas não é modelo de estilo, pois Euclides viveu a Belle Époque, e escrevia tal qual Olavo Bilac desfiava os seus sonetos. Mas o livro é de gênio.
Nos deu de bandeja, há mais de cem anos, a realidade do sertão, do sertanejo, e da omissão do Estado. Prenunciou e denunciou a triste realidade, ao que parece, perene: o nosso atraso como civilização. A ausência da cidadania, o descaso do poder Público e etc.
Tenho a impressão que Euclides começou o livro tentando detonar Antônio Conselheiro e a Revolta de Canudos, mas terminou emocionado pela coragem e a persistência dos revoltosos e escreveu um grande épico.
Importante observar que Robert Lowell, poeta americano de excelente cepa, só leu a tradução, mas chancelou definitivamente a obra do grande escritor brasileiro. Lowell considerava o épico de Euclides superior a "Guerra e Paz", de Tolstoi. Não é pouco.