- Obra Capital do Expressionismo. Romance que formou uma geração, este livro de Herman Hesse, alta expressão das çetras germânicas e Premio Nobel de literatura, foi i, ato de libertação da juventude do primeiro após-guerra. Obra atual e palpitante para a mocidade de nossos dias turbulentos e opressivos, que enfrenta de novo a reação e busca os rumos libertadores do socialismo. Análise em profundidade de uma infacia e de uma adolececia, Demian, sendo a história de uma revolta e de uma aparente derrota, é, antes de tudo, a história de uma libertação pelo encontro com Eva - símbolo da vida e da liberdade.
Demian -
Hermann Hesse
A história de cada um
É outro livro difícil de se fazer resenha. São tantas passagens marcantes que você precisa parar para reler e refletir, que mal sei por onde começar. Pode se dizer que este é o Lobo da Estepe na juventude. A filosofia do autor, de se fechar em si mesmo e buscar o próprio caminho, fugindo da mediocridade, continua presente, mas através de uma abordagem diferente. A infância narrada gira em torno do descobrimento da dualidade de mundos, do ideal e do real. Nada além do que qualquer um já percebeu em sua própria infância. Kromer, o bullier da história, representa o mundo sombrio e as consequências de experimentá-lo. Os pais de Sinclair são como nossos pais, representantes do mundo ideal. Acreditam que nos afastando do contato com o mundo sombrio estão nos protegendo, quando na verdade, é o caminho da experimentação que nos leva ao amadurecimento e desenvolve nossa consciência do que é bom ou mau para nós. Eis que surge Demian, um garoto que é uma espécie de bom senso na gente. Representa, talvez, nossa versão idealizada, aquele que conhece os dois mundos e já possui uma capacidade desenvolvida de discernimento. Nesse ponto, com a ajuda de Demian, Kromer já deixa de ser uma ameaça, o que pode ser uma alegoria da razão superando os medos irracionais do desconhecido assustador. Já na adolescência, outras figuras surgem para auxiliá-lo em seu amadurecimento. Pistorius é o personagem que mais achei interessante, cheio de aforismos que te fazem parar para refletir. Faz mais ou menos o papel de Demian na infância, ao guiá-lo num momento em que se achava perdido. Só que mais uma vez a idéia de ser mestre de si mesmo é ressaltada, quando Sinclair descobre que Pistorius têm suas limitações e não pode simplesmente ensinar o seu caminho. É preciso continuar caminhando com suas próprias pernas. Sinclair conhece Eva, a mãe de Demian. Assim como em "Lobo da Estepe", é a figura feminina idealizada, madura e experiente, que o ajuda no seu desenvolvimento final, como aquele que tem a marca de Caim. A referência a Caim é apenas uma das inúmeras passagens bíblicas do livro, o que não ocorre por acaso. O livro não é apenas uma jornada de auto-conhecimento, mas uma crítica social à moral judaico-cristã, que padronizaria comportamentos e não te induziria à reflexão. Assim como em Sidarta Hesse trouxe sua própria interpretação do Budismo, ao rejeitá-lo como uma doutrina ensinada por mestres e aceitá-lo apenas como auxiliar do auto-conhecimento, o personagem Demian utiliza o mesmo raciocínio ao analisar referências bíblicas e personagens de outras mitologias. Já escrevi bastante e ainda há muito o que ser comentado, como as influências de Jung e Nietzsche na obra, as interpretações oníricas, etc. Não tem jeito, só lendo e formando sua opinião. Eu acho que tem muito o que agregar a uma pessoa, deveria ser um livro para jovens, que naturalmente estão confusos e em formação de suas personalidades. Porém, a perspectiva ética, como sempre nas obras do autor, é deixada para segundo plano. Não ignorada, mas o suficiente para confundir uma pessoa que ainda não desenvolveu seu próprio código de conduta. Não amadureceu o suficiente para entender que o que o autor disse sobre questionar a moral vigente não é simplesmente passar por cima do próximo e fazer o que bem entender.
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