Uma e outra vez a história tende a nos revelar pessoas que seguindo um determinado tipo de equação mental, tenta impor sua autoridade sobre outros usando como artifício premissa como: "somos nós, estamos aqui, porque todos nós, pois fomos escolhidos, estamos certos de quê, entre outras...". Sempre isso se desembarca numa cascata de eventos que finda por resultar numa espécie de Totalitarismo. Em Ferrabrás não foi diferente. Este livro é — dentre tantas outras coisas — um registro histórico do surgimento do Totalitarismo em sua forma micro-social. Os fundamentos permanecem intactos. O amálgama com o religare permanece desassociável. As promessas de uma espécie de "comunismo seletivo" (apenas entre os seus) parece ser essencial para que haja o movimento totalitário. E o horror, o rastro de sangue e de crueldade são sempre os marcadores de páginas destas manifestações na história da humanidade. Ambrósio deixa-nos uma reflexão importante:
"De quê, com tudo, é capaz uma mulher, quando se acha entendida em desenfrear as paixões do mundo masculino e em imprimir, além disso, ao crime o caráter do culto divino?!
Tinha-o entendido Jacobina. Conseguira-o, baseando-se na palavra da Sagrada Escritura. O livro, que a Divina Providência deu de presente à Humanidade, para na vida terrena servir a esta qual mina de ouro de ensinamentos práticos, constituindo-se numa fonte de consolação celeste no sofrimento e num guia seguro na senda à pátria eterna, tinha-se feito em sua mão uma espada de dois gumes que, em primeiro plana, vertera em ruína daqueles que por ela se tinham deixado alucinar e, depois, na destruição dela própria.
Mas ,infelizmente, agora tudo isso termina, e conceda Deus que nunca mais um golpe idêntico faça extremecer a paz...".
Mal sabia ele que os acontecimentos em Ferrabrás mais pareciam um laboratório do Diabo. E que a humanidade iria repetir, em proporções ainda mais diabólicas, o fundamentalismo totalitário experimentado em Ferrabrás.
A história do Ferrabrás é pouquíssima comentada hoje em dia. Esquecer de tomar as devidas vacinas pode acarretar no retorno, ainda mais letal, da enfermidade — "Recordar é Viver".