É interessante perceber como grandes autores sempre têm algo a dizer e o francês Honoré de Balzac está facilmente incluso nesse seleto grupo.
Esta novela, que integra (a grandiosa) "A comédia humana", é uma pequena obra-prima. Em "O coronel Chabert" somos convidados ao questionamento do valor da ausência e da força da presença daqueles que estimamos. São conceitos bem filosóficos, porém tratados aqui com a maestria dos ficcionistas e, como é marca conhecida do autor, sua habitual ironia e deboche aos costumes franceses de sua época.
A verdade é que é difícil não simpatizar com as figuras dessa pequeníssima edição que tenho, lançada na coleção "Grandes amores" da Cia. das Letras. Do pitoresco e atento advogado Derville e seus ajudantes atrapalhados e burocráticos, passando pela personalidade ambígua e interessante da condessa Ferraud, para terminar no perdido, iludido e inocente coronel Chabert do título.
Balzac mostra uma rara habilidade para prender a atenção em menos de 80 páginas. Ele escancara medos e dúvidas a respeito do que constituí uma identidade, fazendo com que nos questionemos sobre o real valor das pessoas de nossas vidas. E como se fosse pouco, o autor é um ácido observador social, mostrando que as preocupações humanas realmente são uma comédia. Esse francês é mais um da galeria dos necessários a conhecer e segue inspirando gerações de novos romancistas, a exemplo do espanhol Javier Marías, que voltaria a explorar o tema em sua máxima potência psicológica. Mas isso é outra conversa.