Sem Olhos em Gaza (Grandes Romancistas Abril Cultural) -

    Aldous Huxley

    Abril
    1985
    431 páginas
    14h 22m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    O título deste romance deriva de um verso de John Milton (1608-1674) - um poeta cego - que na tragédia Samson Agonistes descreve a personagem bíblica Sansão como \\\"sem olhos em Gaza, no moinho com os escravos\\\". Huxley escolhe esse verso como epígrafe e título de seu romance numa alusão ao tema da obra, que é um retrato sem contemplações da espécie humana, aterrador e fascinante pela vaidade e pela alienação transparentes em sua conduta e valores. O cenário eleito por Huxley para este contundente estudo da cegueira do homo sapiens é a alta sociedade inglesa, entre o início do século XX e a década de 1930, onde se mesclam aristocratas decadentes, novos-ricos, intelectuais pretensiosos em meio a arrivistas e boêmios. Contra esse pano de fundo movimenta-se a personagem central, Anthony Beavis, um privilegiado a quem as circunstâncias permitiram gozar de autonomia de pensamento, afluência econômica e ausência de laços afetivos. Sem qualquer esforço moral, Beavis consegue atingir a independência de julgamento de um filósofo e a capacidade de renúncia de um santo. Contudo, essa é uma liberdade fácil, que Huxley reprova. Sua intenção é mostrar que não é de forma alguma a verdadeira liberdade, e que a indiferença filosófica e o desprendimento de seu herói nada têm a ver com os do legítimo pensador ou do homem de bem.

    Edições (4)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover

    Similares (4)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (11)Ver mais
    Karin de Guise picture
    Karin de Guise18/04/2026Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Lucidez em tempos de ruína

    Huxley, Huxley, Huxley. Seu nome tornou-se sinônimo de uma literatura exigente, inteligente e inquieta. Seus livros nem sempre são fáceis, mas raramente passam incólumes pelo leitor. Sempre deixam alguma marca. “Sem olhos em Gaza” é um romance desconfortável por diversas razões. Publicado em meados da década de 1930, em plena ascensão dos regimes totalitários, acompanha personagens da aristocracia inglesa mergulhados em vazio moral, cinismo e decadência. De certo modo, também retrata uma geração perdida — como em O Grande Gatsby — que busca divertir-se freneticamente para escapar do desespero e da falta de sentido. Demorei a me envolver com a narrativa, em parte porque a história não é contada em ordem cronológica. No entanto, essa aparente dificuldade revela-se uma de suas maiores qualidades. Em um capítulo encontramos Anthony maduro, cínico e arrogante; no seguinte, vemos o jovem idealista que ele foi. Entre um momento e outro, abre-se a pergunta central do romance: o que aconteceu? Acompanhamos sua caminhada em direção ao desastre com a impotente vontade de adverti-lo. Huxley constrói seus personagens com precisão quase impiedosa. O declínio dessas vidas — e de toda uma época às vésperas da guerra — torna-se ponto de partida para reflexões sobre liberdade, bondade, espiritualidade e pacifismo. Mais do que narrar uma ruína pessoal, o romance interroga os limites morais de uma civilização. É um livro para ser lido e relido. Na primeira leitura, seguimos os acontecimentos; na segunda, compreendemos melhor suas causas e consequências. Poucos romances expõem com tanta lucidez a falência de uma época e a difícil busca de redenção individual.

    11 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 129
    • 5 estrelas31%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas28%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas2%