A Filha do Capitão -

    Aleksander Pushkin

    Perspectiva
    1981
    173 páginas
    5h 46m
    ISBN-10: 8527304619
    Português Brasileiro

    Painel da vida do povo russo no século XVIII e da grande revolta popular que, nesta época, no longínquo Volga, quase abalou o trono imperial de Catarina a Grande, A Filha do Capitão é uma obra em que a força de um escritor de gênio faz da evocação de fatos e lances históricos uma vivida atualidade ficcional, capaz de reatualizar-se, em qualquer tempo e em qualquer língua, na imaginação do leitor. Mas, no contexto desta presentificação épica, o que se faz presente é muito mais do que invocação fantasiosa, pois o que se coloca com os acontecimentos, e em função deles, é o corpo inteiro de uma nação com seus processos fundamentais, vistos, realisticamente, na realidade de um momento histórico. Por isso mesmo, esta criação de Púchkin, estro seminal da individualização nacional da literatura russa, pôde constituir-se em um texto exemplar de um gênero de produção ficcional dos mais expostos aos falsos brilhos e aos romantismos melodramáticos ou rançosos, como é, muitas vezes, o romance histórico. Trazendo-a para o português numa tradução direta e realizada com todo cuidado e aparelhamento críticos necessários, Helena S. Nazario nos permite uma leitura tão pouco mediatizada numa tradução que transpõe não só a letra como o espírito do original. Mas o seu trabalho foi além, e no agudo estudo com que acompanha esta versão, desvenda jogos essenciais da escritura puchkiniana em A Filha do Capitão e a presença no texto de um verdadeiro espírito hegeliano da História, uma lei dialética a orquestrar e dirigir o movimento e o sentido de seu universo-objeto.

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    Régis Maz picture
    Régis Maz16/05/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Enfim, minha resenha de A Filha do Capitão

    Ler literatura russa nunca é perda de tempo, ainda mais se tratando de um dos primeiros romances históricos do país. A Filha do Capitão, de Aleksandr Pushkin, trata de lealdade, honra e amor, tudo isso em meio a uma revolta camponesa que abala as estruturas do império. A escrita de Pushkin é direta e sóbria, mas também tem um toque de sensibilidade, especialmente ao retratar os dilemas morais do protagonista. Apesar dos nomes dificílimos, a história é dinâmica e rápida de ler. Embora não esteja entre os romances russos que mais gostei, achei a leitura muito interessante. Estava curiosa por esse livro há algum tempo, e ao perder o sono e acabar acordando muito cedo, resolvi começar, e acabei lendo de uma vez. Há, no entanto, trechos que causam desconforto, e com razão. Um exemplo é a fala que naturaliza a violência contra judeus como uma espécie de passatempo militar. Mesmo considerando o contexto histórico da narrativa, esse tipo de comentário é revoltante e reforça o quanto certos preconceitos estavam entranhados na cultura da época. É um momento que interrompe a leveza do texto e nos obriga a lembrar que nem toda herança literária vem isenta de crítica. Apesar disso, foi uma boa leitura, e fiquei feliz em finalmente tirar este livro da minha longa lista de leituras pendentes.

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