George Steiner, crítico que Roberto Bolaño admirava, propôs como emblema da imbricação entre cultura e barbárie a imagem do funcionário nazista que, durante o dia, trabalha num campo de extermínio e, à noite, recolhe-se aos seus aposentos para ler Goethe ou escutar Bach. Bolaño, que sabia que o nazismo, embora derrotado em 1945, talvez jamais desaparecesse do mundo, publicou em 1996 um livro no qual transpunha da Europa a seu continente natal a constatação de Steiner: A literatura nazista na América era o seu título. No último capítulo, resumia, em poucas páginas, a história do infame Ramírez Hoffman, poeta de vanguarda e torturador a serviço do governo de Pinochet. Na novela Estrela distante, do mesmo ano, retomou, com fôlego mais amplo, a figura de Hoffman, que então se chama Carlos Wieder – em alemão, "outra vez": modo de nomear a persistência do nazismo como eterno retorno ou compulsão à repetição, "mal absoluto" (isto é, recorrente, perpétuo, infernal) sempre a nos ameaçar.
Estrela Distante (Coleção Folha Literatura Ibero-Americana #14) -
Roberto Bolaño
Folha de S.Paulo
2012
144 páginas
4h 48m
ISBN-13: 9788579490606
Português Brasileiro
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