O que leva uma pessoa a acabar com a própria vida? Como evitar? Outras matérias de capa: o enigma de Suzane; Os homens menos famosos do mundo; O que é sinestesia?
Superinteressante N° 184 (Janeiro de 2003) - Suicídio
Abril
Janeiro de 2003
A edição tem duas das melhores reportagens da Super, pelo menos para mim, com abordagem rica em informações, sem ser tendenciosa a conceitos preconizados com superficialidade (como demonização ou karma), estimulando a criticidade em assuntos complexos, graves, impactantes e, infelizmente, muito presentes em nossa realidade, exigindo de cada um de nós percepção com coerência. O primeiro foi sobre o "Suicídio" É notória a percepção da sociedade apegada ao materialismo, tendeciosa a reduzir as emoções e razão existencial à esse entorno, sem outras perspectivas. O texto disserta sobre isso e sobre o fatalismo na insatisfação. Também evidencia que estas (as insatisfações) integram comumente a jornada de cada um, mas na busca de realização passam a ser encaradas com impossibilidade nesse mundo e assim estendidas ao além, seja para o encontro ou alívio. Tudo muito óbvio, mas a reportagem não se resume nisso, instigando superação, aprendizagens e fortalecimento com a dor, algo que é sublimado no pensamento suicida. Também foi interessante a desmistificação de estímulos genéticos, dissertando sobre vulnerabilidade emocional. Leitura interessante a que, como cristão, somo a obra redentora de Jesus, para o presente, para este mundo, em que nos chama para ter vida e vida em abundância, bem como para lançar sobre ele todas nossas ansiedades e fardo, a que tem o alívio em disposições inovadoras, em descoberta existencial diferenciada nas boas-novas do Evangelho. O outro destaque foi para "Como ela pode?", sobre o comportamento e motivações de jovens como Suzane Richthofen para crimes hediondo. Obviamente a psicopatia foi dissertada em seus aspectos comuns, mas a parte que achei mas interessante foi a percepção de satisfaçao material urgente, a qualquer preço, em resposta a vazio existencial e contexto em que a impunidade se mostra de muitas maneiras, com as pessoas exercitando-a como algo comum com pais, professores, autoridades e sociedades sem receios. O texto tem argumentos parecidos aos da reportagem anterior... Existe questão patológica de visão desestruturada da realidade, de forma individual e coletiva, predispondo os crimes. Mais ou menos os termos na reportagem... Esta lembrou-me "Crime e castigo", de Dostoiévski, em que o jovem Raskolnikov, em motivos parecidos, se achava justificado para a ação hedionda. Vale a conferida. Feliz Páscoa nas bençãos de Jesus!
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