The provincial town of Cranford is a community of delightful simplicity and innocence. Yet its values were already old-fashioned and under threat from the inevitable forces of change when the mid-Victorian Mrs. Gaskell described them with ironic affection and a sharp eye for the ridiculous. Cranford explores the dying way of life of the 'Amazons' - unwarlike maiden ladies and widows of a certain age. They practise elegant economies; their days are passed in visits, cards and genteel gossip. But alongside the comedy is the pathos of restricted lives borne with courage. Cranford is one of Mrs. Gaskell's most successful novels, largely because it is such an affectionate portrait of the society she understood so well.
Cranford -
Elizabeth Gaskell
Peguei esse livro emprestado com a Lu Campelo (por sinal, obrigada, Lu!) com, sei lá porque cargas d’água, a firme convicção de que o leria em inglês. Já até tinha visto que a Raquel de Queiroz traduzira muitos anos atrás a Gaskell, mas essa lembrança não me veio à mente nem de longe a princípio. Foi assim que quase caí da cadeira ao abrir a capa e descobrir que estava em português. E um português delicioso, cheio de palavras de expressões de ‘antanho’, conferindo ao texto muita personalidade. Claro que isso não adiantaria de nada se o texto da Gaskell, em si, não fosse também tão gostoso. E ele é, embora a princípio eu tenha estranhado um pouco... Meu problema foi que meus primeiros contatos com a obra dessa autora se deram através das adaptações para a TV feitas pela BBC, séries essas que receberam um tratamento análogo às inspiradas em Austen, de tal forma que fiquei com a impressão de que Elizabeth Gaskell fazia o mesmo estilo que Jane Austen. Eu estava, claro, completamente errada, e foi por isso que no início do livro fiquei sem saber se estava ou não gostando – tendo esperado o estilo mais seco, menos descritivo e bem mais sutil de Austen, a riqueza de detalhes e o tom por vezes terno por vezes rasgadamente cômico da Gaskell me confundiram. Aí respirei fundo, esvaziei a cabeça do que eu acreditara antes saber e recomecei a ler. Não sei ainda se a autora mantém o mesmo estilo em todos os seus livros (Norte e Sul me olha ali da estante e ele será o próximo a ser devorado), mas ao menos em Cranford, fiquei perdidamente apaixonada pela rica tapeçaria de personagens que ela borda num romance quase que absolutamente sem nenhum romance. Cranford é um pequeno vilarejo completamente dominado por mulheres – e são essas mulheres e suas vidas prosaicas e tranqüilas que são o centro da história. Não existem heróis nem mocinhas, mas senhoras simples, divertidas em suas visões por vezes ultrapassadas da sociedade e que nos cativam intensamente com seus pequenos problemas, suas pequenas manias, seus pequenos gestos de bondade. É, enfim, um romance de miudezas, auto-centrado e auto-suficiente, quase anedótico em muitas partes – como o episódio da renda que o gato comeu ( e as peripécias para faze-lo ‘descomer’ de tal forma que a renda pudesse ser posteriormente usada e ‘você nem diz que ela já passou pelo estômago de um gato!’) ou da vaca usando pijamas – e em outras melancolicamente delicado – como o triste caso de amor do Mr. Holbrook e Miss Matty ou a história do ‘pobre Peter’. O livro é composto de capítulos curtos, que em geral parecem episódios soltos dessas senhoras de Cranford, podendo ser lidos até fora de ordem, como contos independentes. Todo narrado em primeira pessoa (e é apenas uma vez, já quase no final do livro, que descobrimos o nome dessa narradora), ele cria um senso de intimidade, de cumplicidade com o leitor que é também, por si, bastante interessante. A série que citei no início mistura ao texto original desse livro outros contos da autora que continuam a visitar o querido vilarejo – e creio que essa amálgama tenha feito a série ganhar bastante em termos de ritmo e drama. Judi Dench está absolutamente sensacional como Miss Matty e – nunca pensei que diria isso dela, uma vez que estou acostumada em vê-la em papéis bem fortes – te dá uma vontade enorme de abraçá-la e pedir para sentar no colo. (resenha originalmente publicada em www.owlsroof.blogspot.com)
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