O conto do Pigmalião moderno, mas com certa crítica social e algumas adaptações não tão bem vindas.
Bernard Shaw foi um escritor de teatro celebrado pela acidez de um texto que ainda assim conseguia atingir o gosto do público. My Fair Lady é um tapa com luva de pelicas na sociedade inglesa que insistia (como ainda insiste) em normas de comportamento extremamente rígidas - determinando assim beleza e fino trato.
As ações de Henry Higgins em relação a Eliza Doolittle podem ser inicialmente descritas como democratizantes, mas vale lembrar que a mesma só é considerada digna de admiração, amor, quando se torna o protótipo do que o personagem, e assim a sociedade, consideravam ideal.
Enquanto a obra original carregava o peso ético de criador-e-criatura, não se vê tal análise profundamente explorada na obra de Shaw. Seu peso termina sendo mesmo a estética de uma picada de agulha.
Recomendo aos que gostam romances-com-final-feliz.