Enfim, minha resenha de A Filha do Capitão
Ler literatura russa nunca é perda de tempo, ainda mais se tratando de um dos primeiros romances históricos do país. A Filha do Capitão, de Aleksandr Pushkin, trata de lealdade, honra e amor, tudo isso em meio a uma revolta camponesa que abala as estruturas do império. A escrita de Pushkin é direta e sóbria, mas também tem um toque de sensibilidade, especialmente ao retratar os dilemas morais do protagonista. Apesar dos nomes dificílimos, a história é dinâmica e rápida de ler. Embora não esteja entre os romances russos que mais gostei, achei a leitura muito interessante. Estava curiosa por esse livro há algum tempo, e ao perder o sono e acabar acordando muito cedo, resolvi começar, e acabei lendo de uma vez. Há, no entanto, trechos que causam desconforto, e com razão. Um exemplo é a fala que naturaliza a violência contra judeus como uma espécie de passatempo militar. Mesmo considerando o contexto histórico da narrativa, esse tipo de comentário é revoltante e reforça o quanto certos preconceitos estavam entranhados na cultura da época. É um momento que interrompe a leveza do texto e nos obriga a lembrar que nem toda herança literária vem isenta de crítica. Apesar disso, foi uma boa leitura, e fiquei feliz em finalmente tirar este livro da minha longa lista de leituras pendentes.








