Partindo da costa peruana, um grupo de navegantes se perde no oceano Pacífico, vindo a encontrar, milagrosamente, a ilha de Bensalém, cuja existência ninguém sabia.
Bensalém é diferente de tudo; é um Estado que se pode chamar de 'ideal', o que reforça o fato de que os governantes pedem segredo por parte daqueles que aportam.
Bensalém, como é na narrativa, surgiu a partir da visão em alto mar de uma cruz e um palanque, que magicamente se transformam numa arca contendo textos bíblicos e uma carta de Bartolomeu, um dos apóstolos de Cristo.
Tudo parece ser virtuoso em Bensalém. Os servidores, por exemplo, não aceitam gorjetas ou presentes por um serviço, pois isso é visto como "pagar duas vezes". Os estrangeiros são muito bem recebidos, e uma grande autoridade da ilha conta a história dela e o porquê de ter chegado àquele nível de organização e altruísmo, bem como sobre a Casa de Salomão, a maior organização presente na ilha, talvez seu motivo de existência, cuja finalidade nos remonta a uma mistura de teosofia e sociologia.
Eu havia sido atraído para ler esse texto há alguns anos, por conta de teorias conspiratórias. Livre delas há anos, pude ver com distanciamento uma bela obra sobre uma sociedade ideal quanto à efetividade, mas que também tem seus dissabores: primeiramente, o conceito de "O Estado é tudo", pois tudo de bom provém do conceito de Estado total; e por segundo, a questão da falta de transparência e liberdade.
Logo, para mim, a grande questão que fica após a leitura do livro é:
Vale a pena tudo ao seu redor ser virtuoso, quando falta a você a plena liberdade e o acesso à verdade, uma vez que a Casa de Salomão decide o que contar e o que não contar a seus cidadãos?
Livro altamente recomendável.