A Normalista -

    Adolfo Caminha

    Valer
    2010
    230 páginas
    7h 40m
    ISBN-13: 9788575124093
    Português Brasileiro

    Revalorizado em meados do século XX, o romancista Adolfo Caminha, pouco apreciado em sua época, acabou apontado como um dos principais representantes do Naturalismo no Brasil. As perversões e o crime povoam seus livros, densos e trágicos. O romance A Normalista, de cunho regionalista, foi publicado em 1893, portanto, há mais de cem anos. Nele, o autor traçou um quadro pessimista da vida urbana de sua época. Relata as muitas tristezas e poucas alegrias de uma jovem que é entregue por seu pai ao padrinho, para criá-la. Ela é uma menina normal, que estuda, que tem uma amiga confidente, um pretenso namorado de nível muito superior ao seu e, desgraçadamente, é engravidada pelo padrinho e acaba casando-se com um alferes da polícia. Uma história comum. Mas graças ao talento do autor, se ilumina de beleza e continua atraindo o interesse de gerações e gerações de leitores.

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    Clio picture
    Clio23/05/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Obra de cunho Naturalista, pode chocar aqueles que esperam que os clássicos sejam livres de perversões e crimes passionais. Pois é isso mesmo que ela retrata: a pedofilia, o desamparo e a desigualdade nas relações familiares. É uma história tão nossa conhecida mesmo nos dias de hoje que é possível desvendar o enredo já no primeiro capítulo. A mãe morta, o pai ausente, e uma menina bonita criada por padrinhos sem relação consanguínea (algo que o pedófilo em questão faz questão de frisar). Talvez descrever a sedução de Maria do Carmo como pedofilia possa parecer um pouco exagerado desde que ela só ocorre quando a personagem em questão conta dezesseis anos. Porém, a própria relação de poder de João da Mata sobre ela que já poderia implicar o estupro de vulnerável é também fundada na estranha obsessão que ele apresenta quando ela ainda é criança. Os outros personagens - o irresponsável e sedutor Zuza, a madrinha alienada, a amiga mal-falada - apenas reforçam o abandono de Maria do Carmo, a ignorância e o descaso que perpetuam o abuso e a miséria. É uma história pesada da literatura nacional que deveria ser mais discutida já que esse tema continua atual.

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