Antes de ter esse livro em mãos, eu pensava que a frase “é tão lindo que dá vontade de chorar” era apenas uma forma poética de elogiar. Porém, assim que essa edição da Antofágica chegou e comecei a folhear, por pouco não chorei de tão belo! As páginas iniciais lembram muito o começo de um filme, em que há uma alternância entre os quadros das cenas e os nomes da produção. E as folhas coloridas… que lindas! As artes, então, são fenomenais. A editora acertou em cheio na produção desta obra.
Agora, falemos do livro:
É um livro ok. É ruim? Não. É inesquecível? Também não. É um livro ok — simples, curto, que se lê em poucas horas.
Se você tem um apreço imenso pela arte, a ponto de se situar entre diversos artistas e suas obras, esse livro é para você. Os personagens são inspirados em artistas que já caminharam pela mesma terra que nós. A obra-prima ignorada pode ser lida tanto como uma porta de entrada para o universo de Balzac quanto como um ponto de encerramento, pois é nela que compreendemos melhor sua forma de fazer arte: um processo rigoroso consigo mesmo, que nunca aceita a perfeição do que produz, encontrando defeitos onde não há, tal como o próprio personagem principal.
Quero muito ler outras obras dele, pois descobri que seus livros se interligam de diversas formas: em um, determinado personagem pode ser protagonista, em outro, apenas um coadjuvante. Dizem que Balzac construiu em sua literatura uma sociedade com mais de 2.500 habitantes! Ele conviveu mais com seus personagens do que com as pessoas da vida real.
O livro também fala sobre a forma de enxergar o mundo. Enquanto Frenhofer via vida em seu quadro, Poussin e Porbus viam apenas traços. Sua arte buscava capturar a vida, mas o que expressava era poesia.
Um adendo: adorei a consequência que essa obra trouxe. Guernica, de Picasso, foi pintada no ateliê em que se passa a narrativa, pois o autor foi mais um dos inúmeros leitores da obra. Frenhofer e Picasso conversam, ambos não retratam a realidade com o estilo do classicismo, pois o estilo não é capaz de capturar a vida em movimento. Frenhofer o capta através de Catharine, sua pintura que é uma mulher viva. Já Picasso, através do cubismo, captando inúmeras faces do momento.
É um belo livro, inegavelmente, mas não é daqueles que você pensa e repensa por meses. É uma obra que te faz olhar para a arte sob outra perspectiva, a do artista.