Para ler Platão (Estudos Platônicos #2) - Tomo 2 - O problema do saber nos diálogos sobre a teoria das formas

    José Trindade Santos

    Edições Loyola
    2008
    126 páginas
    4h 12m
    ISBN-13: 9788515035915
    Português Brasileiro

    O segundo tomo de Para ler Platão organiza-se em torno dos dois eixos que estruturam os grandes diálogos platônicos da maturidade sobre o problema do saber: a "teoria" da Reminiscência e a "teoria" das Formas. O autor propõe uma interpretação unitária da teoria platônica da cognição, consciente das dificuldades para conferir à síntese das duas teorias o estatuto de uma concepção do conhecimento, ao mesmo tempo em que rigorosamente empenhado em mostrar sua fidelidade aos textos, proporcionando a seus leitores os meios que permitam a avaliação crítica e sua proposta. Concebido mais como um roteiro do que como uma interpretação dos diálogos, o presente tomo quer ajudar estudantes e estudiosos a mobilizar esforços para ler Platão.

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    Paulo Gomes10/06/2022Resenhou um livro
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    Não é um livro introdutório

    Segundo tomo da trilogia “Para ler Platão”, a obra é intitulada “O problema do saber nos diálogos sobre a teoria das formas”. Além da introdução, o livro possui dois capítulos. Na introdução, o autor apresenta a tese de que “a função da anamnese é explicar como o saber promove e organiza a aquisição de conhecimento a partir de estruturas ontoepistemológicas – as Formas –, das quais as almas humanas se alimentavam enquanto se moviam desencarnadas no mundo hiperurâneo”. Segundo o autor, a “reminisciência propriamente dita consiste então no procedimento pelo qual a alma busca recuperar a perfeição da forma inteligível, captada pelo conceito, através do exercício da dialética”. O primeiro capítulo é intitulado “A teoria da anamnese” e analisa os diálogos Ménon, Fédon, Fedro, Lísis, Banquete e Filebo. A análise esquemática que o autor faz do diálogo Fédon é a seguinte: “se aprender é recordar, então o que recordamos aprendemo-lo antes de nascer; portanto, a alma existia antes de encarnar na forma humana (o que parece implicar a sua imortalidade)”. Aprender é recuperar com o auxílio dos sentidos um conhecimento que nos é próprio – e isso também se chama reminiscência. Toda e qualquer possibilidade de interpretar os dados brutos da sensação decorre do conhecimento anterior das Formas. Há passagens muito interessantes na obra, que esclarecem o sentido e o alcance da chamada “teoria da anamnese” platônica: “… a sistematização das opiniões verdadeiras é o meio pelo qual, através da reflexão, um investigador integra mais proposições, descobre verdades, sendo a anamnese da Forma o fim a atingir pela fixação da totalidade das proposições num sistema.” “Mas é o Bem que confere a finalidade ao movimento pelo qual o amor lança o amante na busca do amado. E há de buscá-lo até, por detrás da beleza de seu corpo, achar a de sua alma, e depois a de todos os corpos e de todas as almas, até compreender que só o saber lhe poderá saciar essa inextinguível sede, suscitada pela memória da Beleza. E, por fim, que o próprio saber não passa de mais uma – a última – das mediações que o conduzem na via da acesso do Bem, que ao processo confere sentido. E só assim logrará recuperar as asas.” Segundo o autor, o saber é revelado como tentativa de superação da carência de beleza da alma e essa seria a própria razão de ser do saber. Há duas espécies de anamnese e ambas dependem de uma condição: que a recordação seja feita pela alma, em si e por si, assegurando que o objeto da anamnese é um inteligível. A primeira espécie ocorre quando um inteligível é “recordado”, a partir de uma experiência sensível. A segunda espécie foca precisamente o caso típico de anamnese: quando a alma recupera a reminiscência de uma Forma, possivelmente através do interrogatório tendente a provocá-la. No segundo capítulo, intitulado “A teoria das Formas”, o autor analisa os diálogos Fédon, República, Fedro, Banquete e Timeu. Platão fala de Ideia, Eidos ou Forma para indicar a forma interior, a estrutura metafísica ou essência das coisas de natureza puramente inteligível. As Ideias são as essências eternas e imutáveis do bem, do verdadeiro, do belo, do justo e assim por diante. Ao final, há dois apêndices. No primeiro, há a análise das Formas no Mênon, Eutífron e Crátilo. No segundo, intitulado “o verbo ser e a ontologia platônica”, há uma comparação entre Parmênides e Platão. O primeiro capítulo da obra foi útil para mim, explorando a teoria da anamnese de maneiras que ainda não tinha refletido antes, como o exercício da anamnese por meio da dialética e também a recordação por meio das sensações. O segundo capítulo, porém, muito complexo e confuso, não serviu para ampliar meus conhecimentos sobre a “teoria das formas”. Para entender melhor o que o autor pretendia explicar, precisei me socorrer do capítulo “A teoria platônica das ideias e alguns problemas ligados a ela” do livro sobre Platão, da coleção História da Filosofia Grega e Romana, de Giovanni Reale, e percebi, por contraste, como um autor didático e claro pode ajudar realmente na compreensão da filosofia clássica. Não estou nem um pouco animado em ler o Tomo III desta coleção, pois acho que a leitura será muito pouco proveitosa. Talvez seja mais útil substituir esse livro por uma obra de Giovanni Reale ou Enrico Berti, autores bem mais acessíveis para mim.

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