Medeia - de Eurípedes

    Eurípedes

    Ateliê Editorial
    2013
    198 páginas
    6h 36m
    ISBN-13: 9788574806587
    Português Brasileiro

    "Sabemos que todos traímos e que, igualmente, todos somos fiéis. Resta saber a quem, quando e porque traímos e somos fiéis”. Traição e fidelidade, nos sentidos literal e metafórico, são temas-chave desta proposta de edição bilíngue de Medeia: o primeiro texto, de Eurípides, base da encenação teatral na Atenas de 431 a.C., reelabora o mito de Jasão, grego que traiu um juramento, e da princesa cólquida, bárbara que clama pelo valor da palavra empenhada; o segundo, do grupo Trupersa, transfere/traduz a tragédia do infaticídio para, aristotelicamente, dispor um objeto – o drama da mãe amorosa e esposa dedicada, por que não!? –, diante de nossos olhos. Lado a lado, são também (pre)textos para pensarmos nossas reações e decisões diante das palavras – do que fazem conosco e o que fazemos com elas. Profa. Maria Cecilia de Miranda N. Coelho.

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    Régis Maz03/09/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Personificação da Vingança...

    Medéia após ser traída e abandonada por  seu marido Jasão, que se casa com Glauce, filha do rei de Corinto, Creonte. Decide se vingar de ambos, e para isso arquiteta uma terrível vingança. Nessa tragédia Eurípides trata do amor de uma mulher, que após ser traída, se transforma em puro desejo de vingança, essa, levada as últimas consequências para fazer com que o traidor sinta toda a dor que lhe foi impingida. Medéia é a personificação da vingança e de certa forma Jasão mereceu tal sorte. Ela abandonou Cólquida, sua terra, e incitada por Jasão: causou a morte de  seu irmão, Pelias, traiu seu pai, Aietes, (ajudando Jasão a roubar o Velocino de ouro) e após lhe jurar fidelidade eterna no templo de Hecate, Jasão a abandona e permite que seja exilada pelo Rei de Corinto. Ela com certeza teve seus motivos para se vingar.  "Sim, lamento o crime que vou praticar, porém maior do que minha vontade é o poder do ódio, causa de enormes males para nós, mortais!" Não concordo com tudo que Medéia fez, mas a devastação de sua alma fica clara durante a leitura e seus atos (exceto um), são completamente justificados pelo teor de sua ira. Essa peça é intensa e brutal, me fez sentir asco em vários momentos pelos atos praticados tanto por Jasão, quanto por Medéia, mas também me causou pena pelo destino dessa mulher, que abriu mão de tanta coisa pelo marido e, que foi paga com a mais desleal das traições. A leitura é rápida e empolgante, a tradução é ótima e torna a leitura prazerosa. É uma peça trágica que com certeza,  adoraria ver encenada. Recomendo.

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