A obra-prima ignorada -

    Honoré de Balzac

    Iluminuras
    2012
    109 páginas
    3h 38m
    ISBN-13: 9788573213553
    Português Brasileiro

    Jovem artista visita um mestre da pintura. Um inesperado encontro com um pintor ainda mais importante coloca-o diante de sério dilema envolvendo a mulher que ama. Seu futuro na arte e na vida depende da opção que fizer. E sua ação coloca em xeque a carreira do grande artista. Este poderia ser um comum enredo literário. A obra-prima ignorada tornou-se, porém, emblemática dos desejos e tormentos do artista obcecado com sua obra, em busca da perfeição, e dividido quanto ao que fazer com sua vida pessoal. Em posfácio, um ensaio de Teixeira Coelho explora o universo de ideias e sensibilidades desta novela do criador de A comédia humana. Trazendo a discussão para o cenário da arte atual, este texto discute temas ligados à arte moderna e contemporânea e destaca o papel do Romantismo como princípio ainda ativo da estética – e da vida. Saber se o que fez é bom e inovador ou, pelo contrário, um desastre irreparável, constitui um drama constante para os que têm na arte a razão de viver. E saber se há algo da vida, como o amor por uma pessoa, que pode ser sacrificado à arte é outro desses temas recorrentes. A obra-prima ignorada pode ser lida como uma episódica história de amor e frustração e como metáfora das questões que envolvem o surgimento de toda arte nova. Balzac escreveu esta novela como encomenda recebida de uma revista literária que buscava oferecer a seus leitores apenas algo que estivesse na moda. Ela se tornou, no entanto, uma das mais marcantes do gênero. Misturando personagens reais da história da arte a outros fictícios (mas em tudo verossímeis), Balzac criou uma narrativa intensa, habitada pelas forças da vida sensível tanto quanto pela especulação estética. O conflito entre o amor e a arte, entre a vida pessoal e a profissional; a escolha de uma esfera da vida a sacrificar para que uma outra se afirme e a possibilidade de ser ou não feliz em ambas ou em todas elas são temas tão centrais nesta novela como as ideias sobre arte que nela expõem seus personagens. O resultado é um texto rico e ambíguo onde cada um pode ver, quase, sua verdade pessoal – e diante do qual o próprio autor hesitou. O impacto de A obra-prima ignorada foi forte e duradouro. Cézanne, precursor do cubismo e nascido depois da publicação da novela, dizia que o texto falava dele. E Picasso, que admirava esta história e a ilustrou, não menos identificado com a história ali narrada, foi instalar-se no mesmo local mencionado na novela como sendo o do ateliê nela descrito e ali pintou uma de suas maiores obras, Guernica, hoje em Madri. O cineasta francês Jacques Rivette dela extraiu em 1991 um filme marcante, La Belle Noiseuse (intitulada em português A bela intrigante). Este volume inclui um ensaio de Teixeira Coelho preparado para esta edição e que parte da novela de Balzac para penetrar no emaranhado de ideias sobre a arte, o Romantismo e a vida, naquela época como agora, na literatura como em outros domínios.

    Edições (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (55)Ver mais
    Leticia Hegele picture
    Leticia Hegele06/11/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Vida entre traços

    Antes de ter esse livro em mãos, eu pensava que a frase “é tão lindo que dá vontade de chorar” era apenas uma forma poética de elogiar. Porém, assim que essa edição da Antofágica chegou e comecei a folhear, por pouco não chorei de tão belo! As páginas iniciais lembram muito o começo de um filme, em que há uma alternância entre os quadros das cenas e os nomes da produção. E as folhas coloridas… que lindas! As artes, então, são fenomenais. A editora acertou em cheio na produção desta obra. Agora, falemos do livro: É um livro ok. É ruim? Não. É inesquecível? Também não. É um livro ok — simples, curto, que se lê em poucas horas. Se você tem um apreço imenso pela arte, a ponto de se situar entre diversos artistas e suas obras, esse livro é para você. Os personagens são inspirados em artistas que já caminharam pela mesma terra que nós. A obra-prima ignorada pode ser lida tanto como uma porta de entrada para o universo de Balzac quanto como um ponto de encerramento, pois é nela que compreendemos melhor sua forma de fazer arte: um processo rigoroso consigo mesmo, que nunca aceita a perfeição do que produz, encontrando defeitos onde não há, tal como o próprio personagem principal. Quero muito ler outras obras dele, pois descobri que seus livros se interligam de diversas formas: em um, determinado personagem pode ser protagonista, em outro, apenas um coadjuvante. Dizem que Balzac construiu em sua literatura uma sociedade com mais de 2.500 habitantes! Ele conviveu mais com seus personagens do que com as pessoas da vida real. O livro também fala sobre a forma de enxergar o mundo. Enquanto Frenhofer via vida em seu quadro, Poussin e Porbus viam apenas traços. Sua arte buscava capturar a vida, mas o que expressava era poesia. Um adendo: adorei a consequência que essa obra trouxe. Guernica, de Picasso, foi pintada no ateliê em que se passa a narrativa, pois o autor foi mais um dos inúmeros leitores da obra. Frenhofer e Picasso conversam, ambos não retratam a realidade com o estilo do classicismo, pois o estilo não é capaz de capturar a vida em movimento. Frenhofer o capta através de Catharine, sua pintura que é uma mulher viva. Já Picasso, através do cubismo, captando inúmeras faces do momento. É um belo livro, inegavelmente, mas não é daqueles que você pensa e repensa por meses. É uma obra que te faz olhar para a arte sob outra perspectiva, a do artista.

    82 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 331
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas45%
    • 3 estrelas28%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas0%