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    Suor -

    Jorge Amado

    Record
    1998
    179 páginas
    5h 58m
    ISBN-10: 8501053147
    Português Brasileiro
    3.9
    860 avaliações
    Leram1478Lendo35Querem720Relendo4Abandonos17Resenhas100
    Favoritos19Desejados720Avaliaram860

    O terceiro romance de Jorge Amado se passa num sobrado da ladeira do Pelourinho, em Salvador. Um casarão do Pelourinho transformado em cortiço, com suas dezenas de moradores pobres e marginalizados, é o ambiente de Suor, publicado em 1934, quando Jorge Amado tinha 22 anos. De modo cru, mas com sua característica prosa envolvente e calorosa - sempre atenta à musicalidade da fala popular -, Jorge narra um cotidiano de miséria, falta de higiene e ausência de perspectivas. Nos quartos precários do cortiço, homens e mulheres convivem com ratos e baratas e dão vazão às pulsões mais básicas. Os diversos personagens ganham em algum momento o primeiro plano do relato. Há o mascate judeu que percorreu o mundo e fala oito línguas, o homem sem braços que faz propaganda de lojas, a velha prostituta que não consegue mais arranjar freguês, o operário anarquista que vive com um gato, a costureira que sonha com um casamento para a afilhada virgem, entre outras figuras sofridas. Jorge Amado cria ao mesmo tempo um painel social e um estudo sutil dos sentimentos humanos que florescem nas situações mais adversas. Apesar da dureza do dia a dia, o humor e a solidariedade encontram frestas para se manifestar, e uma crescente consciência política se espalha entre alguns moradores do cortiço.

    Edições (3)

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    Diana Tenório picture
    Diana Tenório16/10/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Suor

    Exploração, falta de direitos dos trabalhadores e miséria compõem o pano de fundo do terceiro romance escrito pelo Jorge Amado quando ele tinha, em 1934, 22 anos. “Suor” não tem um personagem principal, mas conta, em pequenas narrativas, as histórias de algumas pessoas que vivem nesse prédio, que é uma espécie de cortiço, localizado no Pelourinho. Eu me senti totalmente imersa nas primeiras páginas do livro porque as condições subumanas são descritivamente denunciadas. A escrita do Jorge é tão simples e objetiva, que chega a ser palpável. Vi pessoas dividir pequenos espaços com ratos, vi mulheres vendendo os seus corpos em troca de comida, vi homens roubando para sustentar suas famílias, vi o patrão enricar e o empregado definhar cada vez mais em sua pobreza, vi gente doente de corpo e alma. Eu vi o suor dos trabalhadores sendo derramado. Eu vi a revolução não acontecer. A corda só quebra do lado mais fraco. Me revoltei, me compadeci e me diverti com os personagens da história que contavam as suas histórias. A gente precisa rir pra não chorar e eu vi isso na vida dessas pessoas. Terminei com um sentimento estranho de vazio, talvez seja porque a injustiça ainda impera e a maioria seja subjugada a condições tão desiguais. É utopia acreditar em um mundo justo, mas torço para que, pelo menos, quem sabe que deve fazer o bem, assim o faça. O jornal estava com muita matéria política, de forma que deu apenas uma notícia de meia coluna com o retrato do morto, no necrotério. O título, em letras gordas, opinava: COVARDE COMO ESTAVA SEM TRABALHO ENFORCOU-SE. Vinha a notícia: Os moradores do sobrado nº 68 à ladeira do Pelourinho acordaram esta manhã com a notícia de que um homem se enforcara num quarto do terceiro andar. Tratava-se de Miguel de Tal, português, operário, que há meses fora despedido da Fábrica Ribeiro. Achando-se sem trabalho, devendo três meses de casa, enforcou-se nas traves do seu quarto com um lençol. O desditoso suicida contava 54 anos e há 38 residia no Brasil. Não deixa parentes. É mais um caso de covardia ante a vida. Porque perdeu um emprego, preferiu desertar, sem se esforçar por conseguir outro. Porque, com o maior orgulho o dizemos, se há um país onde a situação do operário seja de absoluto bem-estar, esse país é o Brasil, onde não falta trabalho para os que não são preguiçosos. (páginas 94 e 95).

    128 curtidas

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    3.9 / 860
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas31%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
    Jorge Leal Amado de Faria profile picture

    Jorge Leal Amado de Faria

    Foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos. Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira, verdadeiros sucessos como Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Teresa Batista Cansada de Guerra são criações suas, além de Dona Flor e Seus Dois Maridos e Tenda dos Milagres. A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos. Amado foi superado, em número de vendas, apenas por Paulo Coelho mas, em seu estilo - o romance ficcional -, não há paralelo no Brasil. Em 1994 viu sua obra ser reconhecida com o Prêmio Camões, o Nobel da língua portuguesa.

    175 Livros
    2.248 Seguidores
    Bahia, Brasil

    Jorge Leal Amado de Faria